Celina Leão é reeleita governadora do DF com 57,22% dos votos válidos

A vitória não resolve o principal ponto de desgaste: a crise do BRB
Celina Leão foi reeleita, mas herda o impasse do BRB e do Banco Master, adiado durante toda a campanha.
Mark

Celina ganhou com folga, mas no primeiro turno ficou a menos de 200 votos de liquidar a eleição. O que mudou?

Mimi

Ela ganhou o reforço de Michelle Bolsonaro e de outros nomes da direita local, e o campo aliado já era amplo: PP, Republicanos, MDB, Podemos, PL. No segundo turno, passou de 49,93% para 57,22%.

Luke

Cuidado com a causalidade. A reportagem lista os reforços, mas não mede quanto cada um pesou no resultado. Isso é leitura, não dado.

Mark

E a história dos votos anulados com o número 22?

Mimi

Mais de 26 mil eleitores digitaram o número do PL para governador e perderam o voto. Celina mesmo atribuiu isso à convivência com Michelle e Bia Kicis, e reforçou o número 11 na campanha.

Luke

A explicação é da própria governadora. O texto não diz se o problema diminuiu no segundo turno, então não dá para afirmar isso.

Mark

Por que a crise do BRB importa tanto agora?

Mimi

Porque ela não foi resolvida, só adiada. Celina evitou dar uma solução durante a campanha, descartou privatizar o banco e atribuiu parte da responsabilidade ao governo federal.

Luke

E o que ela fará de fato é desconhecido. Ela disse que há outras saídas, mas não as detalhou. Há uma promessa de que o banco sairá da situação, sem plano público no que foi relatado.

Mark

E Grass, o que fica para ele?

Mimi

Perdeu pela segunda vez seguida, após ser segundo em 2022, e precisa definir seu papel na oposição. O PT segue sem governar o DF desde 2014.

  • A disputa terminou em 57,22% a 42,78%, com a direita mantendo o controle do Buriti após uma eleição marcada pela polarização nacional.
  • Mais de 26 mil votos para governador foram anulados por eleitores que digitaram 22, o número do PL, em vez de 11, expondo o custo prático da aliança com Flávio Bolsonaro.
  • O caso do BRB e a compra de títulos do Banco Master seguem como ferida aberta, sem solução definitiva apresentada durante a campanha.
  • Celina descartou a privatização do banco e afirmou que o BRB 'está firme', mas a estratégia de saída ainda precisa ser desenhada.
  • Leandro Grass sai da derrota com o PT fora do Executivo local e com a missão de transformar críticas em saúde, educação e transparência numa oposição organizada.

Num domingo de outubro, o Distrito Federal decidiu manter a mesma direção que governa desde 2019: Celina Leão, do PP, foi reeleita com 57,22% dos votos válidos e seguirá à frente do Palácio do Buriti por mais quatro anos. A vitória consolida a continuidade de um grupo político que nasceu sob Ibaneis Rocha, mas ela chega ao novo mandato carregando uma herança pesada, a crise do BRB e suas ligações com o Banco Master. Trata-se de um voto que aprova a sucessão, e também uma espera: a cidade observa agora como a governadora enfrentará a dívida moral e financeira que herdou.

Na noite deste domingo, Celina Leão (PP) foi reeleita governadora do Distrito Federal para mais quatro anos. Com 57,22% dos votos válidos, venceu no segundo turno Leandro Grass (PT), que chegou a 42,78%. O resultado mantém a direita no Palácio do Buriti, onde está desde 2019, e garante a continuidade do grupo que chegou ao poder com Ibaneis Rocha.

A disputa local correu junto com a corrida presidencial e ficou marcada pela polarização. Celina declarou apoio a Flávio Bolsonaro, argumentando que o alinhamento entre o governo federal e o distrital facilitaria a articulação em Brasília. No primeiro turno, ficou a menos de 200 votos de vencer logo de início. Para a segunda etapa, contou com nomes como Michelle Bolsonaro e uma coalizão ampla que reuniu PP, Republicanos, MDB, Podemos e PL.

A aliança trouxe um problema prático: mais de 26 mil eleitores digitaram 22, o número do PL, para governador, e tiveram o voto anulado. Celina admitiu que era preciso deixar claro que ela era 11, sobretudo nas zonas rurais.

O maior desafio do mandato, porém, não está nas urnas. A crise do BRB, envolvendo a compra de títulos do Banco Master e a tentativa de aquisição da instituição por Daniel Vorcaro, é a principal fonte de desgaste. Celina assumiu neste ano, após a saída de Ibaneis, e durante a campanha adiou soluções definitivas. Depois do primeiro turno, descartou a privatização do banco, dizendo que o BRB está firme e mantém liquidez.

Do outro lado, Grass tentou ampliar sua base para além da esquerda, buscando apoio de nomes do PSDB, do Novo, do PSB e de seguidores de Arruda. Concentrou suas críticas na saúde e na educação e defendeu mais transparência. Professor, ex-deputado distrital e ex-presidente do Iphan, disputava pela segunda vez o governo e vê o PT, que governou o DF pela última vez entre 2011 e 2014, seguir longe do Executivo.

Agora, as atenções se voltam para duas perguntas: como Celina conduzirá a saída para o BRB e qual será o papel de Grass na oposição.

Na noite deste domingo (25), a governadora Celina Leão (PP) foi reeleita para mais quatro anos à frente do Distrito Federal. Com 57,22% dos votos válidos, derrotou no segundo turno Leandro Grass (PT), que ficou com 42,78%. O resultado mantém a direita no comando do Palácio do Buriti, onde está desde 2019, e confirma a continuidade do grupo político que chegou ao governo com Ibaneis Rocha (MDB).

A disputa local correu em paralelo à corrida presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e foi marcada pela polarização entre direita e esquerda. Celina declarou apoio a Flávio Bolsonaro e argumentou que o alinhamento entre o governo federal e o distrital poderia facilitar a articulação política em Brasília.

No primeiro turno, ela havia terminado com 49,93% dos votos válidos, faltando menos de 200 votos para vencer ainda na primeira rodada. Para o segundo turno, contou com o reforço de nomes como a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL) e de outras lideranças da direita local. Sua aliança reuniu PP, Republicanos, MDB, Podemos, PL e outras siglas.

A aliança com o PL trouxe um problema prático. No primeiro turno, mais de 26 mil eleitores digitaram o número 22, do PL, para governador, e tiveram os votos anulados. Celina atribuiu parte da confusão à sua presença frequente ao lado de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. Disse então que era preciso mudar a estratégia e deixar claro que ela era 11 e o candidato a presidente, 22, "principalmente nas zonas rurais".

A vitória não resolve o principal ponto de desgaste do novo mandato: a crise do Banco de Brasília (BRB) e as operações envolvendo o Banco Master. O caso passa pela compra de títulos do Master pelo BRB e pela tentativa de aquisição da instituição financeira de Daniel Vorcaro. Celina assumiu o governo neste ano, depois da saída de Ibaneis, de quem era vice. Durante a campanha, evitou apresentar uma solução definitiva, adiou a discussão para depois da eleição e atribuiu ao governo federal parte da responsabilidade. Em 6 de outubro, dois dias após o primeiro turno, descartou a privatização do banco: disse que o BRB "está firme", mantém liquidez e que a hipótese estava "completamente descartada".

A governadora também se afastou de Ibaneis. O ex-governador havia deixado o cargo para disputar o Senado, mas desistiu da candidatura com o avanço das investigações sobre a tentativa de compra do Master pelo BRB. O recuo veio após pressão de Celina sobre integrantes do MDB do DF, num movimento para evitar que o desgaste da gestão anterior atingisse sua candidatura.

Do outro lado, Grass tentou ampliar a base além da esquerda. Havia recebido 569.930 votos, ou 34,47% dos válidos, no primeiro turno, e começou a etapa final 255.600 votos atrás. Sua campanha concentrou críticas à gestão local, sobretudo em saúde e educação, e defendeu mais transparência. Buscou apoio de Paula Belmonte (PSDB), Kiko Caputo (Novo), Ricardo Cappelli (PSB) e de seguidores do ex-governador José Roberto Arruda, além de eleitores que não votaram na primeira etapa. Os resultados das conversas variaram: Kiko apoiou Celina, Paula Belmonte não declarou apoio formal a nenhum dos dois e o PSB fechou com Grass.

Professor, gestor cultural, ex-deputado distrital e ex-presidente do Iphan, Grass disputava o governo pela segunda vez, após ficar em segundo lugar em 2022. A derrota mantém o PT fora do Executivo distrital, que o partido comandou pela última vez de 2011 a 2014, com Agnelo Queiroz. Agora, as atenções se voltam para como Celina conduzirá a saída para o BRB e para o papel de Grass na oposição.

O BRB está firme, tem mantido a liquidez... Nós temos outras saídas também, mas não tem isso. Completamente descartado.
— Celina Leão, sobre a privatização do BRB, em 6 de outubro
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