Celina Leão é reeleita governadora do DF em segundo turno, com o caso BRB-Master como principal desafio

O tamanho do prejuízo do BRB ainda não é público
Mesmo reeleita, Celina Leão herda um banco público cujo rombo com o Master segue sem balanço divulgado.
Mark

Celina venceu com folga. Por que o caso BRB-Master continua sendo o assunto central?

Mimi

Porque a vitória não resolve o buraco. A PF aponta cerca de R$ 17 bilhões repassados ao Master, e R$ 12,2 bilhões seriam títulos falsos. O banco tem o governo do DF como principal acionista.

Luke

Esses números vêm das investigações da PF, e o prejuízo final do BRB não é conhecido. Não há balanço de 2025 nem do primeiro semestre.

Mark

E a questão do envolvimento dela?

Mimi

Ela diz que nunca teve contato com Vorcaro e sempre foi contra. Já Vorcaro, em diálogos de abril de 2025, disse que ela não ficou de fora das discussões.

Luke

Convém separar: são mensagens atribuídas a Vorcaro, reveladas pela Folha, e a versão dela é a contrária. O texto não traz prova que decida entre as duas.

Mark

Como ela se posicionou na campanha?

Mimi

Afastou-se de Ibaneis e subiu em palanques com Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Damares, além do apoio de Flávio Bolsonaro.

Luke

Isso descreve alianças, não explica o voto. Não dá para dizer quanto o caso pesou no resultado.

Mark

E o empréstimo do FGC?

Mimi

Ela quer até R$ 6,6 bilhões, mas grandes bancos, que seriam fiadores, resistem.

Luke

Ainda é um pedido, não um acordo. Se sai e em que condições, está em aberto.

  • A reeleição de Celina Leão foi confirmada com mais de 90% das urnas apuradas, deixando a disputa matematicamente decidida.
  • Um pedido inédito do ministro Cristiano Zanin prorrogou a votação por duas horas, provocando confusão entre mesários e urnas já encerradas.
  • O caso Master-BRB paira sobre o governo, com diálogos de Vorcaro que colocam a governadora sob suspeita, algo que ela nega com firmeza.
  • O rombo bilionário, com cerca de R$ 17 bilhões transferidos ao Master, ainda não tem tamanho público, e nenhum relatório operacional foi divulgado.
  • A nova gestão tenta buscar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões no FGC, enquanto grandes bancos resistem a serem fiadores da operação.

Num domingo de apuração quase concluída, o Distrito Federal decidiu manter Celina Leão à frente do governo, com 57,21% dos votos válidos contra Leandro Grass. A vitória chega como um gesto de continuidade em um território marcado por uma crise que ainda não se resolveu: o colapso do BRB, arrastado pelas tentativas frustradas de comprar o Banco Master. Entre urnas e sombras de negociações bilionárias, a eleição parece menos um fim do que a passagem de uma página difícil para a próxima, cujo desfecho ainda pertence ao tempo.

Com mais de 90% das urnas apuradas, o TSE confirmou na noite deste domingo a reeleição de Celina Leão (PP) para o governo do Distrito Federal. Ela somou 57,21% dos votos válidos, contra 42,70% de Leandro Grass (PT). Aos 49 anos, cumprirá mandato até o fim de 2030.

O dia teve um episódio incomum: pouco depois das 17h, o ministro do STF Cristiano Zanin prorrogou por duas horas a votação em todo o país, algo inédito. A medida gerou confusão, pois em alguns locais as urnas já tinham sido encerradas e os boletins impressos.

Celina chegou ao cargo como vice de Ibaneis Rocha e assumiu o governo em março, quando ele deixou o posto para disputar o Senado. Na campanha, distanciou-se do antecessor e se aliou às principais lideranças da direita local, com apoio de Flávio Bolsonaro. A rejeição da candidatura de José Roberto Arruda, por condenações por improbidade, também marcou a disputa.

O maior desafio da governadora permanece o caso Master-BRB. Ela negou qualquer envolvimento na tentativa de compra do banco de Daniel Vorcaro, após diálogos revelados pela Folha sugerirem o contrário. Com o Master liquidado e o BRB envolvido em transferências bilionárias e títulos falsos, o prejuízo ainda não foi detalhado. Agora, Celina busca um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao FGC para recompor o caixa, em uma negociação que enfrenta resistência dos grandes bancos.

Com mais de 90% das urnas apuradas, o Tribunal Superior Eleitoral confirmou na noite deste domingo (25) a reeleição de Celina Leão (PP) para o governo do Distrito Federal. Ela tinha 57,21% dos votos válidos, contra 42,70% de Leandro Grass (PT), e a disputa já estava matematicamente decidida. Celina tem 49 anos e cumprirá mandato até o fim de 2030.

A projeção de vitória do Datafolha segue um método próprio: o instituto acompanha os dados divulgados pelo TSE e agrupa os eleitores por mesorregião e natureza do município. Quando há votos suficientes apurados nesses grupos, é possível estimar que um candidato não poderá mais ser ultrapassado.

O dia teve um episódio fora do comum. Pouco depois das 17h, o ministro do STF Cristiano Zanin decidiu prorrogar por duas horas a votação em todo o país, o que nunca havia acontecido. A medida causou confusão entre mesários e presidentes de seção: em alguns locais, as urnas já tinham sido encerradas e contabilizadas, com boletins impressos.

Celina disputava pela primeira vez o cargo de governadora. Foi deputada distrital e federal e, em 2023, assumiu a vice-governadoria na chapa de Ibaneis Rocha (MDB). Passou a comandar o DF em março, quando Ibaneis deixou o governo para tentar uma vaga no Senado. Em julho, ele desistiu da candidatura, desgastado pela tentativa frustrada de compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília).

Na campanha, Celina se afastou do ex-governador e dividiu palanques com os principais nomes da direita local: Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), eleitas senadoras, e Damares Alves (Republicanos), que já tem vaga no Senado. Também recebeu apoio de Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, levou 49,93% dos votos válidos, contra 34,47% de Grass, e a decisão ficou para a segunda etapa por margem pequena. Também concorreram Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Capelli (PSB), Kiko Caputo (Novo), Professora Samara Mineiro (UP), Professor Robson, Elisson (Agir), Expedito Mendonça (PCO) e Rico Pinheiro (PRTB).

A eleição teve ainda a rejeição da candidatura de José Roberto Arruda (PSD), governador de 2007 a 2010, por condenações por improbidade no caso da Operação Caixa de Pandora. Em 21 de agosto, o Datafolha o mostrou tecnicamente empatado com Celina em simulação de primeiro turno. A campanha perdeu fôlego com os sinais de que ele teria de sair, o que o TSE confirmou em 24 de setembro, quando Arruda já aparecia em terceiro nas pesquisas.

O principal desafio da governadora é o caso Master-BRB. Celina era vice quando o BRB tentou comprar o banco de Daniel Vorcaro e repetiu na campanha que não se envolveu na operação nem tinha contato com o então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, hoje preso. Em abril de 2025, porém, Vorcaro disse, em diálogos extraídos de seu celular e revelados pela Folha de S.Paulo, que ela “não ficou de fora” das discussões e que seu discurso era “jogo pra se preservar na política”. Celina respondeu que a reportagem estava fora de contexto, criava “uma narrativa que não é verdadeira” e que nunca teve contato com Vorcaro e sempre foi contra a operação.

O Banco Central rejeitou a compra em setembro de 2025 e liquidou o Master em novembro, após a Polícia Federal prender Vorcaro quando ele embarcava em um jatinho para o exterior. Segundo a PF, o BRB transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Master, dos quais cerca de R$ 12,2 bilhões em títulos falsos. O tamanho do prejuízo ainda não é público: nenhum relatório operacional, como os resultados de 2025 e do primeiro semestre deste ano, foi apresentado. Celina insiste num empréstimo de até R$ 6,6 bilhões do FGC para recompor o caixa do BRB, mas enfrenta resistência dos grandes bancos, que seriam fiadores da operação.

A reportagem com os diálogos estava fora de contexto e criava uma narrativa que não é verdadeira; ela nunca teve contato com Vorcaro e sempre foi contra a operação.
— Celina Leão, governadora reeleita do DF
Celina “não ficou de fora” das discussões sobre a compra do Master pelo BRB.
— Daniel Vorcaro, em diálogos de abril de 2025 revelados pela Folha de S.Paulo
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