Celina Leão é reeleita governadora do DF com 57,22% dos votos válidos

A primeira mulher eleita diretamente para governar o Distrito Federal
Celina Leão foi reeleita com 57,22% dos votos válidos, com 90% das urnas apuradas.
Mark

Celina venceu com folga. Por que o resultado é tão simbólico?

Mimi

Porque é a primeira mulher eleita diretamente para governar o DF. Ela já governava desde abril, mas agora tem o voto direto.

Mark

E a campanha girou em torno de quê?

Mimi

Do BRB. O banco teve um rombo ligado às fraudes do Banco Master, e ela havia prometido cobrir o prejuízo até junho, sem cumprir.

Luke

Vale separar: o prejuízo de pelo menos R$ 8,8 bilhões é um cálculo, não um número de balanço. O BRB não publicou as contas de 2025.

Mark

Então o rombo pode ser maior?

Luke

Pode, conforme a auditoria das carteiras do Master. Ainda não se sabe o tamanho final.

Mimi

E o pedido de garantia da União está no STF, com o ministro Luiz Fux.

Mark

E as contas do governo?

Luke

O superávit de R$ 1,7 bilhão no semestre veio de securitização e contenção de gastos. Os R$ 3 bilhões anunciados para 2026 ainda não se efetivaram.

Mimi

Ela diz que quer manter o BRB público, mas o desfecho depende de decisões que ainda não saíram.

Luke

E o percentual de 57,22% se refere a 90% das urnas, não à apuração final.

  • Com 90% das urnas apuradas, Celina Leão venceu com 57,22% dos votos válidos, deixando Leandro Grass com 42,78% numa disputa decidida ainda na noite de domingo.
  • O BRB carrega um prejuízo de pelo menos R$ 8,8 bilhões ligado às fraudes do Banco Master, e o balanço de 2025 segue sem publicação.
  • A governadora recorreu ao STF para obrigar a União a garantir um empréstimo do FGC, com o processo sob relatoria do ministro Luiz Fux.
  • O TCDF aponta rombo de R$ 5,5 bilhões nas contas de 2025, enquanto o superávit de R$ 1,7 bilhão no primeiro semestre depende de receitas extraordinárias.
  • O futuro do banco e das finanças do DF permanece incerto até que o STF decida e que a auditoria revele o tamanho real do prejuízo.

Num domingo de outubro, o Distrito Federal decidiu manter no Palácio do Buriti a governadora que, meses antes, havia assumido o cargo quase por acaso da história política. Celina Leão, que governa desde abril, foi reeleita com pouco mais da metade dos votos válidos, num pleito em que o eleitor pesou, sobretudo, a sombra de um banco público ferido e de contas que ainda não fecharam. A vitória dá a ela um mandato, mas não resolve a dívida moral e financeira que herdou e que atravessou toda a campanha.

Com 90% das urnas apuradas na noite deste domingo, Celina Leão (PP) tinha 57,22% dos votos válidos contra 42,78% de Leandro Grass (PT). A diferença tornou o resultado definido: Celina está reeleita para governar o Distrito Federal.

Aos 49 anos, bacharel em Direito e formada em Administração, ela é a primeira mulher eleita diretamente para o comando do DF. Sua trajetória passou pela Câmara Legislativa, pela presidência da Casa entre 2011 e 2016 e pelo mandato de deputada federal. Foi vice de Ibaneis Rocha em 2022 e assumiu o Buriti em abril, quando ele deixou o cargo para disputar o Senado.

A campanha foi marcada pela crise do BRB, banco controlado pelo governo distrital, atingido por um rombo bilionário após as fraudes ligadas ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. Celina prometeu cobrir o prejuízo até junho, mas isso não aconteceu. Sem garantia de bancos nem da União para um empréstimo do FGC, ela acionou o STF, onde o caso está com o ministro Luiz Fux.

O BRB ainda não publicou o balanço de 2025. O prejuízo é de pelo menos R$ 8,8 bilhões e pode crescer conforme a auditoria das carteiras do Master. Essa incerteza esvaziou os planos dos principais candidatos, que temiam o fim do banco por privatização ou liquidação. Celina defendeu manter o banco público.

Há ainda o orçamento: o TCDF identificou rombo de R$ 5,5 bilhões em 2025. O superávit de R$ 1,7 bilhão no primeiro semestre veio de receitas extraordinárias e contenção de gastos que podem não se sustentar. A promessa de tarifa zero no transporte avança aos poucos, com passe livre aos domingos e feriados.

Daqui em diante, o que se acompanha é a decisão do STF sobre a garantia da União, a publicação do balanço do BRB e a solidez das contas do DF.

Com 90% das urnas apuradas na noite deste domingo, 25, a governadora Celina Leão (PP) tinha 57,22% dos votos válidos e Leandro Grass (PT), 42,78%. Pelos dados da Justiça Eleitoral, a diferença torna o resultado matematicamente definido: Celina está reeleita para governar o Distrito Federal.

Celina tem 49 anos, é bacharel em Direito e graduada em Administração de Empresas. É a primeira vez que uma mulher é eleita diretamente para o comando do DF. Sua trajetória passa pela Câmara Legislativa, onde foi deputada distrital e presidiu a Casa entre 2011 e 2016. Em 2018, elegeu-se deputada federal e comandou a bancada feminina.

Em 2022, foi eleita vice-governadora na chapa de Ibaneis Rocha (MDB). Assumiu o Palácio do Buriti em abril deste ano, quando Ibaneis se afastou para disputar o Senado, candidatura da qual depois desistiu. No primeiro turno, Celina somou 825.540 votos e ficou a apenas 168 votos de encerrar a disputa naquela etapa.

A campanha foi atravessada pela crise do Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo distrital. O banco sofreu um rombo bilionário depois das fraudes envolvendo o Banco Master, que pertencia ao banqueiro Daniel Vorcaro. Celina prometeu cobrir o prejuízo do Master no BRB até junho, o que não aconteceu.

O governo pediu um empréstimo ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas não obteve garantia dos bancos nem da União para fechar a operação. A governadora recorreu ao Supremo Tribunal Federal para obrigar a União a garantir o financiamento, e o processo está com o ministro Luiz Fux.

O BRB não publicou o balanço de 2025. O prejuízo é calculado em pelo menos R$ 8,8 bilhões, e pode ser maior, dependendo da auditoria nas carteiras do Master que foram parar no banco e do patrimônio final da instituição. Conforme o Estadão mostrou, a ausência do balanço esvaziou os planos dos principais candidatos, que temem o fim do banco após as eleições, por privatização ou liquidação. Na semana anterior ao primeiro turno, Celina disse ao Estadão que o problema acabaria com o fim da eleição e que o plano A era manter o banco público; no segundo turno, repetiu o discurso durante toda a campanha.

Há ainda o orçamento. O Tribunal de Contas do DF identificou um rombo de R$ 5,5 bilhões nas contas de 2025. Celina chegou a anunciar um superávit de R$ 3 bilhões em 2026, mas as contas ainda não se efetivaram. No primeiro semestre, o governo registrou superávit de R$ 1,7 bilhão, possível graças à arrecadação extraordinária com a venda de parcelas da dívida ativa, a securitização que antecipou receitas, e a uma contenção de gastos que pode se acumular até o fim do ano ou ser transferida para o próximo.

Na mobilidade, a governadora prometeu implantar gradualmente a tarifa zero no transporte público; hoje há passe livre aos domingos e feriados. O que se acompanha daqui em diante é a decisão do STF sobre a garantia da União, a publicação do balanço do BRB e a sustentação das contas do DF.

O plano A é manter o BRB público, afirmou ela ao Estadão na semana anterior ao primeiro turno (paráfrase).
— Celina Leão, governadora do DF
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