Celina cobra União em reunião sobre empréstimo de R$ 6,6 bi para o BRB

O balanço não pode ser publicado antes de pegar o empréstimo, senão o banco é liquidado
Celina Leão revelou a fragilidade real do BRB ao explicar por que os números não podiam ser divulgados antes do empréstimo.
Mark

Por que os bancos estão relutando tanto em ser avalistas? Parece uma operação relativamente simples.

Mimi

Não é simples quando você está assinando embaixo de um banco que não divulga seus números há um ano. Os bancos têm medo de que os R$ 6,6 bilhões não sejam suficientes — que o BRB continue quebrado mesmo depois do empréstimo.

Mark

E se isso acontecer?

Mimi

Então os bancos perdem. O empréstimo vira infrutífero, o BRB segue em dificuldades, e o governo do DF não consegue nem pagar dividendos que ajudariam a cobrir a dívida. É um risco real.

Mark

Celina disse que o banco seria liquidado se divulgasse os balanços agora. Isso não é um sinal de que o empréstimo também pode não funcionar?

Mimi

Exatamente. É o dilema: o banco está tão frágil que não pode confessar a verdade sem desaparecer. Mas se não confessar, ninguém quer emprestar dinheiro para ele. É um beco sem saída.

Mark

E o governo federal? Por que Durigan está tão resistente?

Mimi

Porque ele vê isso como um problema do DF, não da União. Se a União garantir este empréstimo, amanhã os agricultores querem garantia para suas dívidas, os estados querem garantia para seus problemas. Ele está tentando estabelecer um limite.

Mark

Mas o DF é capital do país. Deixar o banco quebrar não afeta todo mundo?

Mimi

Afeta, sim. Mas Durigan está dizendo que não é responsabilidade federal socializar os problemas que o DF criou com sua própria gestão do banco.

  • O BRB opera abaixo dos limites mínimos do Banco Central há meses, e publicar seus balanços antes do empréstimo equivaleria a decretar sua própria liquidação.
  • Bancos relutam em avalizar uma instituição que esconde suas contas há mais de um ano, temendo que R$ 6,6 bilhões nem sejam suficientes para cobrir o rombo de R$ 8,8 bilhões em créditos fraudados.
  • A Fazenda rejeita qualquer responsabilidade federal, enquanto o DF não tem nota de crédito suficiente para tomar o empréstimo sozinho — criando um impasse sem dono.
  • Uma reunião mediada pelo ministro Fux no STF tenta decidir se o acordo homologado em maio avança, é reformulado ou simplesmente desaparece.

No coração de Brasília, uma instituição financeira centenária enfrenta o peso de decisões tomadas às sombras — fraudes bilionárias, balanços escondidos e um empréstimo que não sai do papel. A governadora Celina Leão foi ao Supremo não para pedir justiça, mas para cobrar o cumprimento dela, enquanto a União recusa endossar uma crise que diz não ter criado. O que está em jogo não é apenas o destino do BRB, mas a pergunta antiga sobre quem paga quando o poder falha.

A governadora Celina Leão chegou ao STF nesta quinta-feira não como suplicante, mas como credora de uma decisão já tomada. O empréstimo de R$ 6,6 bilhões para salvar o Banco de Brasília havia sido homologado em maio — e desde então permanecia paralisado, enquanto o banco acumulava segredos que não podia revelar.

A crise tem raízes nas operações entre BRB e Banco Master realizadas entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões. A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025, expôs um esquema de fraudes bilionárias. Em abril de 2026, o ex-presidente do BRB foi preso. O banco estimava que pelo menos R$ 8,8 bilhões em créditos comprados do Master eram títulos inexistentes ou irrecuperáveis.

No encontro mediado pelo ministro Fux, Celina acusou os órgãos federais de inércia. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, respondeu com igual firmeza: a União não havia criado o problema e não deveria ser obrigada a resolvê-lo. A tensão entre os dois lados revelava uma disputa mais profunda — quem arca com o custo quando uma instituição pública falha.

O acordo previa que grandes bancos entrariam como avalistas, enquanto o governo federal ficaria de fora. Mas os bancos recusavam garantir uma instituição que não divulgava balanços há mais de um ano, e o Fundo Garantidor de Créditos dizia não ter recebido as informações necessárias para analisar a operação. O governo do DF estudava um modelo alternativo, usando repasses do FPM e FPE diretamente como garantia ao FGC.

Foi Celina quem disse em voz alta o que todos sabiam em silêncio: o balanço do BRB não poderia ser publicado antes do empréstimo, pois isso levaria à liquidação imediata do banco. A frase confirmou que o BRB vinha operando abaixo dos limites prudenciais do Banco Central — violando os Acordos de Basileia. A estratégia era injetar os recursos primeiro, regularizar depois. A reunião desta quinta deveria definir se esse caminho ainda era possível.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, entrou na sala de conciliação do Supremo Tribunal Federal nesta quinta-feira com um recado direto: ela não estava ali pedindo uma decisão judicial, mas cobrando o cumprimento de uma que já existia. O alvo era um empréstimo de R$ 6,6 bilhões destinado a salvar o Banco de Brasília de um colapso financeiro — dinheiro que deveria ter sido liberado meses atrás e que permanecia travado em negociações sigilosas entre bancos, governo federal e órgãos reguladores.

A crise do BRB nasceu de operações com o Banco Master realizadas entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um esquema de fraudes financeiras bilionárias envolvendo boa parte dessas transações. Meses depois, em abril de 2026, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi preso. A investigação indicava que ele havia permitido negócios sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança. O resultado: o BRB estimava que pelo menos R$ 8,8 bilhões em créditos comprados do Master eram títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação — o que o banco chamava de "crédito podre" que abriria um rombo em seu patrimônio.

Celina acusou os órgãos federais de "inércia" no tratamento do tema, o que gerou reclamações públicas do ministro da Fazenda, Dario Durigan. Quando chegou sua vez de falar, Durigan rebateu com firmeza: a União não havia criado o problema e não deveria ser responsabilizada por resolvê-lo. "A União não tem nada a ver com essa história. É um problema gerado pelo governo do DF com o BRB", disse. Ele argumentou que o governo federal havia sido "trazido para esse debate" e apresentado soluções, mas que não era correto "socializar os problemas" com a sociedade brasileira como um todo. A tensão entre os dois lados refletia uma disputa fundamental sobre quem deveria arcar com o custo da crise.

O acordo homologado pelo STF em maio autorizava o governo Celina Leão a tomar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos. Os maiores bancos públicos e privados do país entrariam como avalistas, enquanto o governo federal não ofereceria garantia — afinal, o Distrito Federal não tinha boa nota em capacidade de pagamento. A modelagem proposta previa R$ 6,6 bilhões em parcela única, com 18 meses de carência, juros de IPCA mais 4,5% ao ano e quitação em 180 parcelas mensais ao longo de 15 anos. Segundo estimativas do presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, a primeira prestação seria de aproximadamente R$ 95,6 milhões por mês a partir de 2028. Deputados de oposição calculavam que os juros poderiam gerar um custo adicional de mais de R$ 1 bilhão ao ano.

Mas o acordo não avançava. Os bancos relutavam em se colocar como avalistas de uma instituição que não divulgava seu balanço há mais de um ano. Havia o temor de que os R$ 6,6 bilhões não fossem suficientes para tirar o BRB das condições adversas, tornando o empréstimo infrutífero. Havia também preocupação com o uso dos fundos de participação dos estados e municípios como contragarantias — esses recursos eram destinados a serviços públicos essenciais, e um eventual "confisco" poderia prejudicar a assistência à população. O Fundo Garantidor de Créditos, por sua vez, dizia que ainda não havia recebido as informações necessárias para analisar a operação, cobrando especificamente os balanços de 2025 e 2026 do BRB.

O secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, contestou esse pedido, argumentando que o empréstimo seria tomado pelo governo, não pelo banco, e portanto o FGC não precisaria medir a saúde financeira do BRB. Ele também sinalizou que o governo estudava um modelo alternativo: as parcelas do FPM e do FPE seriam oferecidas como garantia diretamente ao FGC, eliminando os bancos comerciais como avalistas intermediários.

O que ninguém queria dizer em público, Celina revelou. Questionada por candidatos ao governo do DF sobre a divulgação dos balanços do banco, ela respondeu com clareza brutal: "O balanço não pode ser publicado antes de pegar o empréstimo, senão o banco é liquidado". A frase expunha o que o mercado financeiro já sabia — o BRB vinha operando abaixo dos limites prudenciais mínimos estabelecidos pelo Banco Central, violando os Acordos de Basileia que definem o patrimônio mínimo que os bancos devem manter como colchão contra choques econômicos. Se o BRB admitisse isso nos relatórios, poderia ser obrigado a interromper as operações. A estratégia era injetar os R$ 6,6 bilhões e só então divulgar todos os relatórios — na prática, confessar que o banco operava fora das regras, mas já teria voltado à normalidade.

A reunião desta quinta, mediada pelo ministro Luiz Fux, deveria definir se o acordo seguiria adiante, seria alterado ou rescindido. O governo do Distrito Federal queria manter o acordo e assinar o empréstimo. As outras partes — FGC, bancos e governo federal — aproveitariam o encontro para detalhar suas ressalvas. Ao fim, o grupo deveria anunciar uma nova etapa: avanço, mudança de rumos ou dissolução do trato que havia sido homologado três meses antes.

Eu não estou vindo pedir uma decisão judicial, eu tenho uma decisão judicial. Venho pedir o cumprimento das partes.
— Celina Leão, governadora do DF
A União não tem nada a ver com essa história. É um problema gerado pelo governo do DF com o BRB, que tem que ser tratado pelos responsáveis.
— Dario Durigan, ministro da Fazenda
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