Está nítido que foi uma cena montada
Vídeos mostram deputada reeleita correndo atrás de homem com arma em São Paulo após discussão política no bairro de Jardins. Ex-assessor de Zambelli testemunha afirma que confusão foi provocada por militantes de esquerda e que homem saiu do local antes da polícia chegar.
- Confusão ocorreu no sábado, 29 de outubro, no bairro de Jardins, São Paulo
- Vídeos mostram deputada Carla Zambelli perseguindo Luan Araújo com revólver
- Segurança de Zambelli foi preso em flagrante por disparo de arma de fogo
- Araújo registrou queixa por ameaça e racismo; Zambelli registrou boletim por agressão
Deputada federal Carla Zambelli se envolveu em confusão com homem em São Paulo, empunhando arma e perseguindo-o. Ex-assessor presente afirma que cena foi montada, enquanto vítima registra queixa por ameaça e racismo.
No sábado à tarde em São Paulo, a deputada federal reeleita Carla Zambelli saiu de um restaurante no bairro de Jardins e se viu envolvida em uma confusão que, em questão de minutos, a colocaria perseguindo um homem pelas ruas com uma arma na mão. Os vídeos que circularam nas redes sociais mostram a cena com clareza: ela corre atrás de Luan Araújo, que grita por socorro, entra em um bar tentando se proteger, e ela o segue com o revólver apontado, ordenando que ele se deite no chão.
Dárcio Bracarense, ex-assessor de Zambelli e ex-candidato a deputado federal pelo Espírito Santo, estava presente naquele momento. Ele acompanhava a parlamentar e presenciou tudo. Quando conversou com a reportagem no domingo à tarde, ofereceu uma narrativa bem diferente daquela que os vídeos pareciam contar. Segundo Dárcio, a confusão não começou do nada. Zambelli havia passado a noite anterior recebendo ameaças de morte e estava em estado de alerta quando entrou no restaurante. Enquanto almoçava, duas mulheres que participavam de um ato político próximo ao local a viram na varanda. Depois chegaram cerca de cinco homens à porta do estabelecimento.
Quando Zambelli saía do restaurante é que o encontro direto com Araújo aconteceu. De acordo com Dárcio, o homem começou xingando a deputada assim que a viu. Ela reclamou que ele estava cuspindo nela enquanto falava. Araújo então a chamou de racista, acusação que ela negou. Foi nesse ponto que Dárcio pegou o celular para gravar. "Eles já tinham empurrado e dado cotoveladas nela", afirmou o ex-assessor, descrevendo agressões físicas que teriam precedido a perseguição.
O relato de Dárcio inclui um detalhe que ele considera crucial: o homem que provocou a confusão saiu do bar antes da polícia chegar. Um segurança de Zambelli, que estava com ela durante os eventos, foi preso em flagrante pela Polícia Civil de São Paulo por disparo de arma de fogo. "Está nítido que foi uma cena montada", concluiu Dárcio, sugerindo que toda a situação havia sido orquestrada para criar um incidente.
A versão de Luan Araújo é radicalmente diferente. Ele registrou queixa contra Zambelli por ameaça e racismo. Nos vídeos, é possível ouvi-lo gritando que ela quer matá-lo enquanto corre para se proteger. Após prestar depoimento, pediu proteção e disse estar assustado. Zambelli, por sua vez, também registrou boletim de ocorrência. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, ela descreveu os eventos como legítima defesa. Segundo sua versão, um grupo de homens tentou intimidá-la, ela foi empurrada para o chão, levantou e correu atrás do homem para detê-lo até a chegada da polícia militar. Ela afirmou ter sacado a arma apenas depois que ele entrou no bar.
O que fica claro é que duas narrativas completamente opostas disputam a verdade sobre aqueles minutos em Jardins. De um lado, testemunhas próximas a Zambelli descrevem provocação política organizada e agressão física. Do outro, um homem que foi perseguido armadamente registra crime de ameaça e discriminação racial. Um segurança foi preso. Ambos os lados apresentaram boletins de ocorrência. A polícia de São Paulo agora investiga um incidente que, dependendo de quem se acredita, foi ou um ato de legítima defesa de uma parlamentar sob ameaça, ou uma perseguição armada contra um crítico político.
Notable Quotes
Eles já tinham empurrado e dado cotoveladas nela antes de tudo isso acontecer— Dárcio Bracarense, ex-assessor de Zambelli
Ela apontou o revólver na intenção de deter o sujeito até a chegada de policiais militares— Carla Zambelli, em sua versão dos eventos
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Dárcio estava tão certo de que tudo foi montado?
Ele viu o homem sair do bar antes da polícia chegar. Para ele, isso prova que não havia medo real, que era um cenário preparado.
Mas os vídeos mostram Araújo gritando por socorro enquanto corria.
Sim, mas Dárcio diz que as agressões começaram antes, que Zambelli já estava em alerta por ter recebido ameaças de morte na noite anterior.
Então ela estava vulnerável quando saiu do restaurante?
Segundo ele, sim. Duas mulheres a viram, depois chegaram cinco homens. Ela estava tensa. Quando Araújo começou a xingar, tudo escalou rápido.
E o cuspir? Dárcio mencionou isso.
Ele disse que Araújo cuspia enquanto xingava. Zambelli reclamou disso. É quando Dárcio começou a gravar.
Mas por que um segurança disparou a arma?
Não está claro. Os vídeos mostram Zambelli com o revólver, não o segurança. Mas ele foi preso por disparo.
Então há mais de uma arma nessa história?
Parece que sim. E isso complica tudo. Não sabemos exatamente quem atirou, quando, ou por quê.