As sensações não podiam ser melhores com dois títulos mundiais
Das margens do Danúbio, em Gyor, a canoagem portuguesa trouxe para casa algo mais do que medalhas: trouxe a confirmação de que a excelência pode ser construída com paciência, resiliência e parceria. Fernando Pimenta, aos 36 anos, e José Ramalho, aos 43, voltaram a vencer juntos em K2 pela quarta vez, enquanto Rui Lacerda e Ricardo Coelho alcançaram pela primeira vez o cume do mundo em C2 maratonas. Portugal terminou em quarto lugar no quadro de medalhas, mas o que ficará na memória é a prova de que o desporto, quando cultivado com dedicação, transforma desilusões em trampolins.
- Após falhar o pódio nos Mundiais de velocidade em Milão, Fernando Pimenta regressou ao trabalho com determinação e conquistou dois ouros em Gyor — uma resposta silenciosa mas poderosa à adversidade.
- O percurso técnico de Gyor, cheio de voltas e portagens, ameaçou travar os favoritos, mas a capacidade de adaptação dos atletas portugueses revelou-se decisiva.
- Rui Lacerda e Ricardo Coelho viveram o momento mais alto das suas carreiras ao cruzar a linha de chegada em primeiro lugar em C2 maratonas, completando uma temporada dupla de ouro europeu e mundial.
- A dupla Pimenta-Ramalho está agora a um título de se tornar a mais laureada da história do K2 mundial — um feito inédito que os adversários farão tudo para impedir.
- Dezenas de adeptos esperavam no aeroporto da Maia para receber a delegação, num regresso carregado de emoção que sublinhou o impacto destes resultados além das pistas de água.
No domingo, quando a delegação portuguesa de canoagem desembarcou no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, na Maia, havia adeptos à espera. O que traziam de Gyor, na Hungria, eram títulos mundiais conquistados ao longo de quatro dias de competição intensa — e uma história de resiliência que começa antes da partida.
Fernando Pimenta, 36 anos, foi o grande protagonista. Depois de uma desilusão nos Mundiais de velocidade em Milão, onde não subiu ao pódio em K1 500 nem em 5.000 metros, o canoísta regressou ao trabalho com foco renovado. Em Gyor, venceu o ouro na prova curta de K1 e, ao lado de José Ramalho, conquistou novamente o título em K2 — a quarta vez que a dupla o consegue. O percurso húngaro, com muitas voltas e portagens, não facilitou, mas Pimenta soube adaptar-se. No final, somou oito medalhas na época, seis delas de ouro.
José Ramalho, 43 anos, completou a façanha com bronze individual em K1 e o ouro partilhado em K2. A parceria com Pimenta nasceu em 2022 e rapidamente mostrou ter futuro. O objetivo agora é claro: um quinto título mundial em K2, algo que nenhuma dupla alguma vez alcançou. "Adoraria voltar a conquistar o título mundial para passarmos a ser o K2 mais titulado do mundo", disse Ramalho.
Outro momento alto foi a vitória de Rui Lacerda e Ricardo Coelho em C2 maratonas. Os dois atletas de Limiano, que já tinham sido campeões europeus em Ponte de Lima, fecharam a temporada de forma perfeita. Coelho descreveu a vitória como indescritível — um arrepio que lhe percorreu o corpo ao perceber que seriam campeões do mundo. Lacerda reconheceu que o caminho agora será mais exigente, porque os adversários já conhecem o seu valor.
Nos juniores, Leonardo Barbosa conquistou prata em C1. No total, Portugal terminou em quarto lugar, com três ouros, uma prata e um bronze — um balanço que confirma a canoagem portuguesa entre as melhores do mundo, e que deixa o apetite por mais bem aceso.
Dezenas de adeptos aguardavam no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, na Maia, quando a delegação portuguesa de canoagem regressou de Gyor no domingo. O que traziam consigo era um conjunto de títulos mundiais conquistados ao longo de quatro dias de competição na Hungria — um regresso que mereceu clima de grande emoção nas chegadas.
Fernando Pimenta, aos 36 anos, foi o rosto mais luminoso dessa vitória. O canoísta conquistou ouro na prova curta de K1 e, ao lado de José Ramalho, venceu novamente em K2, a quarta vez que a dupla consegue este feito. A trajetória em Gyor não foi simples — o percurso apresentava muitas voltas e portagens que o prejudicaram — mas Pimenta conseguiu adaptar-se e manter o foco. "As sensações não podiam ser melhores com dois títulos mundiais", disse à comunicação social, refletindo sobre uma época que o deixou com oito medalhas no total, seis delas de ouro. Este resultado foi particularmente significativo porque vinha após uma desilusão em Milão, onde nos Mundiais de velocidade tinha falhado o pódio em K1 500 e 5.000 metros. Pimenta regressou ao trabalho com determinação e conseguiu o que pretendia.
José Ramalho, com 43 anos, também brilhou em Gyor. Conquistou bronze na prova curta de K1 onde Pimenta foi campeão, e mantém-se como parceiro de K2 do colega. A dupla iniciou esta etapa conjunta em 2022 e desde cedo percebeu que o projeto tinha futuro. Ramalho sente-se bem fisicamente e acredita que pode continuar a alcançar os melhores resultados. O grande objetivo agora é conquistar um quinto título mundial em K2 — algo que nunca nenhuma dupla conseguiu. "Adoraria voltar a conquistar o título mundial para passarmos a ser o K2 mais titulado do mundo", afirmou.
Outro destaque foi a vitória de Rui Lacerda e Ricardo Coelho em C2 maratonas. Era a primeira vez que conquistavam um título mundial nesta modalidade, coroando uma temporada em que já tinham sido campeões europeus em Ponte de Lima. Os dois atletas de Limiano fecharam a competição de forma perfeita, apesar da presença de tripulações muito fortes. Lacerda reconheceu que o trabalho agora se torna mais exigente porque os adversários já sabem o que eles valem e vão esforçar-se mais para os bater. Coelho descreveu o momento da vitória como indescritível — um arrepio que lhe subiu pelo corpo quando percebeu que seriam campeões. Para ele, conquistar isto com um amigo é especial, e realizou um grande sonho que tinha de ser campeão europeu e mundial na mesma época.
Nos juniores, Leonardo Barbosa conquistou prata em C1. No total, Portugal terminou os mundiais de maratonas em quarto lugar, com três medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze. O balanço é claramente positivo para a canoagem portuguesa, que demonstrou capacidade de competir ao mais alto nível e de recuperar de desapontamentos. O que vem a seguir é a tentativa de manter estes resultados — uma tarefa que os próprios atletas reconhecem ser cada vez mais difícil, agora que o mundo sabe exatamente do que são capazes.
Notable Quotes
O trajeto que nós tivemos em Gyor era duro, mas tentei adaptar-me, focar-me no que conseguia fazer e as sensações não podiam ser melhores com dois títulos mundiais— Fernando Pimenta
É indescritível, um arrepio que sobe pelo corpo no momento em que percebi que íamos ser campeões. Conquistar isto com um amigo é especial— Ricardo Coelho
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como é que Fernando Pimenta conseguiu ganhar em duas modalidades diferentes — K1 curto e K2 — na mesma semana?
Não é comum. A maioria dos canoístas especializa-se numa vertente ou noutra. Pimenta faz os dois, o que exige uma adaptação constante. Em Gyor, o percurso era particularmente difícil para ele, com muitas voltas e portagens, mas conseguiu manter o foco e as sensações foram excelentes.
E José Ramalho, com 43 anos, ainda consegue competir ao mais alto nível?
Sim, e isso é notável. Ele diz que o corpo responde bem ao treino. Começaram esta parceria em K2 em 2022 e desde cedo viram que tinha futuro. Agora estão a quatro títulos de um feito inédito — um quinto mundial em K2.
Qual é a pressão agora para Lacerda e Coelho depois de ganharem o mundial?
Exatamente o que Lacerda disse: os adversários agora sabem o que eles valem. O trabalho torna-se mais exigente porque toda a gente vai tentar bater os campeões. Mas eles têm a vantagem de já terem provado que conseguem ganhar ao mais alto nível.
Porque é que Pimenta estava desapontado antes de Gyor?
Tinha falhado o pódio em Milão nos Mundiais de velocidade, em K1 500 e 5.000 metros. Mas em vez de desistir, voltou ao trabalho com determinação e conquistou dois títulos mundiais em Gyor. É uma resposta muito forte a um desaire.
O que significa para Portugal estar em quarto lugar com três ouros?
Significa que a canoagem portuguesa é competitiva ao mais alto nível. Não é apenas uma medalha ocasional — são três ouros, uma prata e um bronze. Estes atletas estão entre os melhores do mundo.