Em Porto Alegre, uma casa de festas chamada Party Lounge Eventos tornou-se o centro de uma investigação policial após cancelar, sem aviso prévio, casamentos, formaturas e comemorações de dezenas de famílias. O que estava em jogo não era apenas dinheiro — eram datas carregadas de significado, planejadas durante meses com esperança e dedicação. A Polícia Civil apura suspeita de estelionato, enquanto a defesa da empresa invoca a crise financeira herdada da pandemia como explicação para o colapso. Resta, no centro de tudo, uma pergunta que o direito e a ética precisarão responder juntos: até onde
Casa de festas em Porto Alegre cancela eventos e deixa noivas e clientes com prejuízo de R$ 400 mil
Jamais imaginaria que poderia estar pagando por uma festa que talvez nem pudesse acontecer
Como uma empresa chega a esse ponto? Ela simplesmente acordou um dia e decidiu cancelar tudo?
Não, segundo a defesa, a crise financeira vinha desde a pandemia e foi piorando ao longo dos anos. Mas o que é preocupante é que em agosto Andressa esteve lá pessoalmente e ninguém mencionou problemas.
Aí está o ponto crítico. A defesa diz que a situação "jamais foi planejada", mas se a crise vinha desde a pandemia, em que momento ficou claro que não conseguiriam cumprir os contratos? Porque continuaram vendendo festas?
Exatamente. E continuavam cobrando normalmente. Pelo menos 25 pessoas registraram ocorrência. Não é um caso isolado de má gestão.
A polícia está investigando estelionato. Qual é a diferença entre uma empresa que faliu e uma que cometeu fraude?
Estelionato é quando você obtém vantagem ilícita através de engano. Se eles sabiam que não conseguiriam realizar os eventos e continuaram vendendo, isso é diferente de uma falência genuína. Mas a defesa nega, então isso ainda está sendo apurado.
O que me impressiona é o impacto emocional. Para Andressa, não é só dinheiro. É um casamento que ela planejou há meses, com convidados, fornecedores, vestido já encomendado.
E agora ela tem que encontrar alternativa em duas semanas?
Menos que isso, provavelmente. E sem saber se vai recuperar o que pagou. A defesa menciona intenção de ressarcir, mas não há detalhes sobre como ou quando.
Le Pouls
- Pelo menos 25 vítimas registraram ocorrência policial após terem eventos cancelados sem qualquer aviso prévio pela Party Lounge Eventos, com prejuízos estimados em R$ 400 mil.
- O padrão mais perturbador é que a empresa continuava cobrando clientes normalmente e oferecendo atendimento regular mesmo quando já não tinha condições de realizar os eventos contratados.
- Uma noiva soube do cancelamento do próprio casamento apenas duas semanas antes da data, depois de meses de contato regular com a empresa e de uma visita pessoal ao salão em agosto.
- A Polícia Civil abriu inquérito por estelionato e o delegado responsável pretende ouvir todas as vítimas para definir as medidas cabíveis.
- A defesa nega o crime e atribui os cancelamentos a uma crise financeira iniciada na pandemia, afirmando que os proprietários pretendem ressarcir os lesados — sem detalhar como ou quando.
Em Porto Alegre, uma casa de festas chamada Party Lounge Eventos tornou-se o centro de uma investigação policial após cancelar, sem aviso prévio, casamentos, formaturas e comemorações de dezenas de famílias. O que estava em jogo não era apenas dinheiro — eram datas carregadas de significado, planejadas durante meses com esperança e dedicação. A Polícia Civil apura suspeita de estelionato, enquanto a defesa da empresa invoca a crise financeira herdada da pandemia como explicação para o colapso. Resta, no centro de tudo, uma pergunta que o direito e a ética precisarão responder juntos: até onde a dificuldade financeira justifica o silêncio diante de quem confia e paga?
Faltavam dois meses para o casamento quando Andressa dos Santos Morais recebeu a notícia: a Party Lounge Eventos, em Porto Alegre, não realizaria mais o evento. O comunicado chegou numa sexta-feira de setembro, com os preparativos já em fase avançada. Andressa havia assinado o contrato em dezembro de 2025 e, ainda em agosto, visitou pessoalmente o salão sem receber qualquer sinal de dificuldade. "Jamais imaginaria que poderia estar pagando por uma festa que talvez nem pudesse acontecer naquele local", desabafa.
O caso dela não é isolado. A empresa cancelou casamentos, formaturas e comemorações de 15 anos sem aviso prévio, deixando clientes e fornecedores com um prejuízo estimado em R$ 400 mil. Pelo menos 25 pessoas registraram ocorrência junto à Polícia Civil. O padrão que emergiu é grave: a Party Lounge continuava recebendo pagamentos e oferecendo atendimento normal mesmo quando já não teria condições de cumprir os contratos.
A Polícia Civil abriu investigação por suspeita de estelionato. O delegado Marcelo Kaner Teixeira Nunes informou que pretende ouvir todas as vítimas antes de definir as medidas cabíveis. Em resposta, a defesa da empresa nega o crime e afirma que os proprietários enfrentam uma crise financeira iniciada na pandemia e agravada ao longo dos anos, acrescentando que há intenção de ressarcir os lesados — sem detalhar como ou quando.
Para Andressa, o impacto vai além do financeiro. "Não se trata simplesmente de perder dinheiro. É o meu casamento, uma data planejada durante muito tempo, com fornecedores, convidados e toda uma expectativa emocional", diz. Agora ela corre contra o tempo para encontrar uma alternativa, sem garantia de recuperar os valores pagos. A questão que permanece em aberto é a mesma que a investigação precisará responder: se a crise era conhecida, por que a empresa continuou aceitando contratos e pagamentos de quem confiava nela?
Faltavam apenas dois meses para o casamento quando Andressa dos Santos Morais recebeu a notícia que desabou seus planos: a Party Lounge Eventos, a casa de festas em Porto Alegre onde ela havia contratado a celebração, não realizaria mais o evento. O comunicado chegou numa sexta-feira, 11 de setembro, quando os preparativos já estavam em fase avançada. Andressa havia assinado o contrato em dezembro de 2025 e mantido contato regular com a empresa para acertar cada detalhe da festa marcada para novembro. Ainda em agosto, esteve pessoalmente no salão e nenhuma informação sobre dificuldades financeiras lhe foi comunicada. "Jamais imaginaria que, naquele momento, poderia estar contratando e pagando por coisas relacionadas a uma festa que talvez nem pudesse mais acontecer naquele local", relata.
O caso de Andressa não é isolado. A Party Lounge cancelou casamentos, formaturas e comemorações de 15 anos sem aviso prévio, deixando clientes e fornecedores com um prejuízo estimado em R$ 400 mil. Pelo menos 25 pessoas registraram ocorrência contra a empresa junto à Polícia Civil. O padrão que emergiu foi perturbador: a empresa continuava recebendo pagamentos e oferecendo atendimento normal aos clientes mesmo quando as datas dos eventos se aproximavam, sem revelar que não teria condições de realizá-los.
A Polícia Civil abriu investigação por suspeita de estelionato. O delegado Marcelo Kaner Teixeira Nunes, responsável pelo caso, informou que pretende ouvir todas as vítimas para reunir informações e definir as medidas cabíveis. O inquérito apura especificamente o crime de estelionato, que ocorre quando alguém obtém vantagem ilícita através de engano ou fraude.
Em nota, a defesa da casa de festas nega a acusação. A advogada Ariane Maria Pereira, representando os proprietários, afirma que "não se trata de estelionato" e que os donos "estão bastante consternados com a situação, a qual jamais foi planejada por eles". Segundo a defesa, ambos enfrentam uma crise financeira que começou durante a pandemia e se agravou progressivamente ao longo dos anos. A nota também menciona que a intenção dos proprietários é ressarcir os lesados, embora não detalhe como ou quando isso ocorreria.
Para Andressa, a questão vai muito além do dinheiro. "No meu caso, não se trata simplesmente de perder um dinheiro. É o meu casamento. É uma data que planejei durante muito tempo, com fornecedores, convidados e toda uma expectativa emocional envolvida", desabafa. Agora ela enfrenta a pressão de encontrar uma alternativa em poucas semanas, sem certeza de conseguir recuperar os valores já pagos. A situação deixa em aberto a questão central: se a crise financeira era conhecida pelos proprietários, por que continuaram aceitando novos contratos e recebendo pagamentos de clientes cujos eventos não poderiam ser realizados?
Citations marquantes
Foi um choque. Eu já tinha organizado praticamente toda a minha vida em torno dessa data, vestido, convidados, fornecedores e diversos outros detalhes— Andressa dos Santos Morais, noiva
Os proprietários estão bastante consternados com a situação, a qual jamais foi planejada por eles. Ambos enfrentam uma grande crise financeira, na verdade, desde a pandemia— Defesa da Party Lounge Eventos, através da advogada Ariane Maria Pereira