Carreras, autor da lei do Perse, afirma que o acordo com Haddad e Lira foi de R$ 25 bilhões para 5 anos do programa de retomada do setor de eventos. Haddad citou R$ 20 bilhões no Roda Viva, enquanto Lira corrigiu para R$ 25 bi; programa já ultrapassou R$ 17 bi gastos apenas em 2023.
Carreras confirma acordo de R$ 25 bi para Perse com Lira e Haddad
Se os valores ultrapassarem o acordado, podemos renegociar
Por que um acordo sobre orçamento vira uma confusão pública desse tamanho? Não deveria estar escrito em algum lugar?
Deveria, mas a política funciona com conversas, telefonemas, reuniões. O papel vem depois. E quando três pessoas importantes — um ministro, um presidente de câmara e um deputado — falam números diferentes em rede nacional, fica claro que alguém não estava ouvindo direito.
Haddad disse R$ 20 bilhões. Lira corrigiu para R$ 25 bilhões. Carreras confirma R$ 25 bilhões. Então Haddad estava errado?
Ou estava errado, ou estava falando de um número diferente. O que importa é que o programa já gastou R$ 17 bilhões em um ano, quando deveria gastar R$ 5 bilhões por ano. Ninguém estava certo sobre o que realmente estava acontecendo.
Carreras disse que pode renegociar se os gastos ultrapassarem o acordado. Mas já ultrapassaram. Isso não significa que o acordo já está quebrado?
Tecnicamente, sim. Mas na linguagem política, "renegociar" significa que ninguém quer admitir que cometeu um erro de planejamento. É mais fácil dizer que vão conversar de novo.
O programa também arrecadou R$ 20 bilhões. Como um programa de incentivos fiscais arrecada dinheiro?
Porque o Perse não é só isenção. Ele também combate fraudes e exageros. Então enquanto o governo deixa de arrecadar em um lado, recupera em outro. É um programa mais complexo do que parece.
Isso vai virar uma crise orçamentária?
Depende se o governo consegue encontrar esse dinheiro em outro lugar ou se vai ter que cortar gastos em outra área. Por enquanto, é só uma confusão de números que ninguém quer assumir.
Le Pouls
- Acordo original: R$ 5 bilhões por ano durante 5 anos (R$ 25 bilhões totais)
- Programa gastou R$ 17 bilhões apenas em 2023
- Perse arrecadou R$ 20 bilhões em combate a fraudes e exageros
- Acordo foi fechado no primeiro semestre de 2023 com Haddad, Lira e Carreras
Carreras, autor da lei do Perse, afirma que o acordo com Haddad e Lira foi de R$ 25 bilhões para 5 anos do programa de retomada do setor de eventos. Haddad citou R$ 20 bilhões no Roda Viva, enquanto Lira corrigiu para R$ 25 bi; programa já ultrapassou R$ 17 bi gastos apenas em 2023.
Deputado Carreras confirma que acordo sobre o Perse foi de R$ 5 bilhões anuais (R$ 25 bi totais), enquanto Haddad mencionou R$ 20 bi e programa já custou R$ 17 bi em 2023.
Felipe Carreras, o deputado federal que escreveu a lei do Perse, entrou na terça-feira passada para esclarecer um ponto que havia ficado confuso em público: o acordo sobre quanto o governo gastaria com o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos era de R$ 5 bilhões por ano, durante cinco anos, totalizando R$ 25 bilhões.
A confusão havia começado dias antes, quando o ministro da Fazenda Fernando Haddad apareceu no programa Roda Viva, da TV Cultura, e mencionou que o valor acordado era de R$ 20 bilhões. Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, respondeu na mesma transmissão corrigindo o número para R$ 25 bilhões. "Quem tem sua boca fala o que quer. Ele não combinou comigo. Combinou R$ 25 bilhões com o Congresso", disse Lira, em tom que não deixava dúvida sobre sua irritação.
Quando a apresentadora Vera Magalhães confrontou Haddad com a fala de Lira, o ministro fez uma expressão de espanto e logo se corrigiu. Ele afirmou que tudo estava combinado com Carreras e que não sabia dessa divergência de números. "Na minha cabeça, estava claro que era isso. E o Felipe confirmou e inclusive me autorizou a revelar a nossa conversa. Mas, de novo, se esse for o problema, está resolvido", disse Haddad.
O problema, porém, era mais profundo do que apenas uma questão de comunicação. Durante o mesmo programa, Haddad revelou que o Perse havia custado R$ 17 bilhões apenas em 2023 — um número que já ultrapassava o montante que deveria ser gasto em um ano inteiro segundo o acordo original. Carreras respondeu dizendo que havia entrado com um pedido protocolar para apurar esses valores e que, se os gastos realmente ultrapassassem o acordado, seria possível sentar para renegociar sem problemas.
Carreras também aproveitou para reforçar que o Perse não é apenas um programa de incentivos fiscais. Segundo ele, o programa também funciona como um mecanismo de combate a exageros e já havia arrecadado R$ 20 bilhões nessa função. O deputado informou que o acordo com Haddad e Lira havia sido fechado ainda no primeiro semestre de 2023, em uma reunião que contou também com a presença de Gabriel Galípolo, então secretário-executivo do Ministério da Fazenda e hoje diretor de Política Monetária no Banco Central, do deputado José Guimarães e do secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas.
O que fica claro é que, apesar das explicações de Carreras e da disposição de Haddad em resolver a questão, há uma lacuna real entre o que foi planejado e o que está sendo gasto. Se o programa já ultrapassou R$ 17 bilhões em um único ano, quando o orçamento anual deveria ser de R$ 5 bilhões, a renegociação que Carreras mencionou pode ser inevitável — e provavelmente será apenas o primeiro de vários ajustes que o governo terá de fazer nos próximos anos.
Citations marquantes
Quem tem sua boca fala o que quer. Ele não combinou comigo. Combinou R$ 25 bilhões com o Congresso— Arthur Lira, presidente da Câmara
Se os valores ultrapassarem o que foi acordado, podemos sentar para conversar e renegociar, sem problemas— Felipe Carreras, deputado federal