Candidatos ao GDF detalham propostas sobre obras e segurança em entrevistas ao DF1

Cidade sem luz é cidade insegura
Arruda enfatiza a necessidade de iluminação pública como medida de segurança no Distrito Federal.
Mark

Por que esses candidatos falam tanto de metrô? Parece que cada um tem um plano diferente para expandir as linhas.

Mimi

Porque mobilidade urbana é visível. Quando você constrói uma linha de metrô, as pessoas veem, usam, sentem a diferença no dia a dia. É mais fácil de prometer e de medir do que, digamos, melhorar a qualidade da educação.

Luke

Mas espera — Arruda fala em 16 bilhões de reais do Banco Master para fazer quatro linhas de metrô. Quem verificou se esse dinheiro realmente existe e se está disponível para isso? Isso é uma afirmação dele, não uma confirmação de fonte independente.

Mimi

Ponto justo. E note que Celina fala em editais de licitação já existentes, o que é mais concreto. Grass fala em trazer recursos federais, mas não especifica quanto.

Mark

E quanto à segurança? Todos parecem concordar que falta policial.

Mimi

Sim, mas as abordagens são bem diferentes. Grass quer descentralizar o monitoramento, criando centrais em cada região. Arruda quer voltar aos postos policiais com câmeras. Paula quer integração entre as forças.

Luke

Aqui também há um problema: o déficit de efetivo. Paula diz que é mais de 30%. Celina não coloca um número específico, só diz que vai ampliar contratações. Grass quer fazer concursos periódicos. Mas ninguém explica como vai pagar por isso ou quando isso vai acontecer.

Mark

Então basicamente ninguém tem um plano completo?

Mimi

Eles têm direções, têm prioridades. Mas você está certo — faltam números, cronogramas, fontes de financiamento claras.

Luke

E sobre violência contra a mulher, Celina cita dados que mostram crescimento, mas responde dizendo que o DF é uma das cidades mais seguras. Isso é contraditório.

Mark

Como assim?

Luke

Se os dados mostram crescimento de feminicídios e violência psicológica, como pode ser uma das mais seguras? Ela não respondeu a essa tensão.

  • A violência contra a mulher no DF cresceu de forma documentada — feminicídios, violência psicológica e descumprimentos de medidas protetivas aumentaram — e nenhum candidato escapou da pressão por respostas concretas.
  • O metrô virou campo de batalha simbólico: Arruda promete linhas que chegam ao Entorno Sul e 14 pistas subterrâneas, enquanto Celina defende 15 novos vagões e a atualização do sistema já existente.
  • Hospitais inacabados e déficit de mais de 30% no efetivo das forças de segurança funcionam como acusações silenciosas contra a gestão atual, que Celina Leão tenta rebater com fiscalização pessoal de contratos.
  • Grass aposta na descentralização do monitoramento e em concursos periódicos para as polícias, enquanto Belmonte defende tecnologia integrada e prevenção da violência desde as escolas.
  • O déficit habitacional de 105 mil pessoas e a promessa de 40 novos postos de saúde sem detalhamento de custos revelam a distância entre o discurso de campanha e a complexidade da gestão urbana real.

Em uma semana de entrevistas ao vivo no DF1, os quatro candidatos mais bem posicionados para o governo do Distrito Federal expuseram suas visões sobre como construir, consertar e proteger a capital federal. As propostas — que vão da expansão do metrô à criação de redes de apoio a mulheres em situação de violência — revelam não apenas prioridades distintas, mas concepções diferentes sobre o papel do Estado na vida de quem habita Brasília. O debate, ainda que fragmentado em entrevistas separadas, antecipa os dilemas que definirão os próximos anos de uma cidade de 3 milhões de pessoas em permanente tensão entre crescimento e desigualdade.

Entre segunda e quinta-feira da semana passada, a TV Globo entrevistou ao vivo no DF1 os quatro candidatos ao governo do Distrito Federal mais bem posicionados no Datafolha de setembro: Leandro Grass (PT), Celina Leão (PP), Paula Belmonte (PSDB) e José Roberto Arruda (PSD). Os temas centrais foram obras públicas e segurança — as duas grandes angústias de quem vive na capital federal.

Nas obras, Celina Leão, que assumiu o Palácio do Buriti em março após três anos como vice, defendeu-se das críticas sobre o ritmo lento das construções de saúde, alegando que agora fiscaliza pessoalmente os contratos. Apresentou cinco novos hospitais, dois já em andamento, e prometeu 15 novos vagões para o metrô com atualização do sistema elétrico. Arruda, ausente do governo há 16 anos, foi mais ambicioso: novas linhas de metrô chegando ao Entorno Sul, um VLT do Aeroporto à W3, uma via Interbairros com 14 pistas subterrâneas e o primeiro trecho do Anel Rodoviário — tudo financiado, segundo ele, com os 16 bilhões de reais disponíveis no Banco Master. Grass prometeu dar continuidade às obras em curso e ampliar o PAC em Brasília, apostando em uma relação mais próxima com o governo federal. Belmonte foi mais vaga, defendendo 40 novos postos de saúde e investimento habitacional para suprir um déficit que, segundo ela, ultrapassa 105 mil pessoas.

Na segurança, Celina foi questionada sobre o aumento de feminicídios e respondeu destacando o aplicativo Viva Flor e o auxílio-aluguel para vítimas, além de prever novas contratações de policiais e bombeiros. Arruda propôs reativar postos policiais com agentes da reserva remunerada e reforçar a iluminação pública, que classificou como um apagão que torna a cidade insegura. Grass defendeu monitoramento ostensivo e descentralizado, com centrais regionais do DF 360 e concursos periódicos para as polícias Civil e Militar. Belmonte apostou na integração tecnológica das forças de segurança e na prevenção da violência contra a mulher desde as escolas, argumentando que a vítima precisa de uma rede de apoio em que confie antes que o pior aconteça.

Entre segunda e quinta-feira da semana passada, a TV Globo colocou frente às câmeras os quatro candidatos ao governo do Distrito Federal mais bem posicionados na pesquisa Datafolha divulgada no dia 11 de setembro. Leandro Grass, do PT; Celina Leão, do PP; Paula Belmonte, do PSDB; e José Roberto Arruda, do PSD, responderam ao vivo no DF1 sobre os temas que mais preocupam quem vive na capital federal: como o governo pretende construir e consertar a cidade, e como vai proteger quem mora nela.

Na questão das obras públicas, as respostas revelaram visões distintas sobre o que é urgente. Celina Leão, que assumiu o comando do Palácio do Buriti em março após três anos como vice-governadora, defendeu-se das críticas sobre o lento andamento das construções de saúde. Disse que não tinha autonomia quando era vice e que agora fiscaliza pessoalmente os contratos. Apontou cinco novos hospitais em seu projeto, com dois já em construção: o do Recanto das Emas na segunda laje e o de São Sebastião com o canteiro de obras sendo fechado. Também falou em comprar 15 novos vagões para o metrô e atualizar o sistema elétrico, mantendo investimentos nas duas linhas do modal — a Linha 1, que já existe e vai a Ceilândia e Samambaia, e a Linha 2, ainda em projeto, que ligaria o Plano Piloto a Santa Maria e Gama passando por Núcleo Bandeirante, Candangolândia, Riacho Fundo II e Recanto das Emas.

Arruda, que deixou o governo do Distrito Federal 16 anos atrás, concentrou sua resposta inicial em mobilidade urbana. Com 3 milhões de habitantes e 2 milhões de automóveis, disse que é preciso fazer novas linhas de metrô. Seu projeto inclui levar o metrô de Ceilândia ao Condomínio Privê, descer para Sol Nascente até Águas Lindas, fazer a linha de Gama e Santa Maria abrindo para o Entorno Sul, construir um VLT do Aeroporto para a W3 que ele afirma ter deixado contratado, e fazer a Quarta Ponte na 28 com BRT em duas direções. Prometeu também a via Interbairros, com 14 pistas subterrâneas ligando Samambaia ao Plano Piloto, e o primeiro trecho do Anel Rodoviário. Arruda afirmou que o Distrito Federal tem recursos — citou 16 bilhões de reais do Banco Master — para arcar com esses empreendimentos, caracterizando a questão como uma questão de gestão.

Leandro Grass criticou o ritmo de execução das obras atuais e prometeu dar continuidade a todas elas enquanto inicia novas. Listou hospitais de Ceilândia, São Sebastião e Recanto, além da UPA do Guará e unidades básicas de saúde. Disse que manteria uma relação mais próxima com o governo federal, independentemente de quem seja eleito presidente em outubro, para trazer recursos federais para creches, escolas e contratação de profissionais. Mencionou ampliar a lista de obras do Programa de Aceleração do Crescimento em Brasília.

Paula Belmonte foi mais vaga sobre obras públicas. Ao falar de saúde, defendeu a importância da atenção primária e prometeu construir 40 novos postos de saúde pela capital, sem detalhar custos ou regiões. Focou também no déficit habitacional do Distrito Federal, que segundo ela ultrapassa 105 mil pessoas, e defendeu que o governo invista em oferta habitacional tanto de interesse social quanto para compra e aluguel, argumentando que Brasília precisa de uma cidade planejada com infraestrutura adequada.

Na segurança pública, Celina Leão foi questionada sobre o aumento de violência contra a mulher. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam crescimento de feminicídios, violência psicológica e descumprimentos de medidas protetivas. Ela respondeu que o Distrito Federal é uma das cidades mais seguras do país para mulheres e destacou políticas como o aplicativo Viva Flor, auxílio-aluguel para vítimas de violência e programas de qualificação profissional. Argumentou que o enfrentamento ao feminicídio passa pelo incentivo à denúncia, observando que em muitos casos as vítimas não haviam registrado ocorrência antes dos crimes. Sobre o déficit de efetivo nas forças de segurança, disse que pretende ampliar contratações de policiais e bombeiros, com previsão orçamentária já existente para convocação de novos policiais civis, militares, penais e bombeiros militares.

Arruda afirmou que construiu 300 postos policiais em seu governo, que foram queimados após sua saída. Propôs trazer postos policiais com policiais da reserva remunerada e câmeras de vídeo. Também enfatizou a necessidade de iluminação pública, dizendo que a cidade está vivendo um apagão e que cidade sem luz é cidade insegura. Grass argumentou que a segurança pública no Distrito Federal vai de mal a pior, citando aumentos em furtos, feminicídios, latrocínios e morte entre pessoas em situação de rua. Sua proposta é o monitoramento ostensivo, com policial atuando onde o crime acontece, incluindo rede de vizinhos protegidos e comunicação permanente da comunidade com batalhão e delegacia. Propôs descentralizar o sistema DF 360, criando centrais de monitoramento em cada região. Prometeu contratar policiais e bombeiros e fazer concursos periódicos para as polícias Civil e Militar, apontando o longo intervalo entre concursos e a desvalorização profissional como problemas.

Paula Belmonte defendeu o uso de tecnologia pelas forças de segurança, mas ressaltou que é preciso integrar as forças de segurança e contratar mais profissionais. Apontou um déficit de mais de 30% no efetivo de toda a força de segurança. Sobre violência contra a mulher, defendeu ações de prevenção nas escolas e criação de redes de apoio às vítimas, argumentando que a mulher sofre múltiplas formas de violência antes de ser assassinada e precisa de uma rede de apoio em que confie.

Nós somos 3 milhões de habitantes e 2 milhões de automóveis. Tem que fazer novas linhas de Metrô
— José Roberto Arruda (PSD)
Aumentou o furto, aumentou o feminicídio, aumentou o latrocínio, aumentou morte e violência entre pessoas em situação de rua. Então há um indício de que a segurança pública no DF vai de mal a pior
— Leandro Grass (PT)
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