Em Brasília, quatro candidatos ao governo do Distrito Federal expuseram, diante das câmeras da TV Globo, suas visões sobre saúde e educação — dois setores que concentram as angústias mais cotidianas dos brasilienses. Entre 14 e 17 de setembro, Celina Leão, Leandro Grass, Paula Belmonte e José Roberto Arruda revelaram não apenas propostas, mas filosofias distintas sobre o papel do Estado na vida das pessoas. O que está em jogo não é apenas a gestão de filas e índices, mas a concepção de que cidade Brasília quer ser.
Candidatos ao GDF debatem saúde e educação em entrevistas ao DF1
Não se faz saúde sem médico, não se faz educação sem professor
Por que saúde e educação dominaram essas entrevistas? Não são sempre os temas que mais preocupam?
São, mas aqui no DF a situação é crítica. Filas de 254 dias para consulta, hospitais prometidos que não saem do papel, escolas sem equipes completas. Não é abstrato.
Espera — esses 254 dias, é uma média do DF inteiro ou de um procedimento específico? A fonte diz "em média" mas não deixa claro se é para todas as consultas ou só cirurgias.
E quanto ao Iges? Todos criticam, mas Celina o defende como necessário.
Exato. Ela reconhece que está sendo gerido de forma caótica, mas não quer abandoná-lo. Os outros querem reformular ou eliminar. É uma diferença real de visão.
Mas ninguém explica como o Iges consome R$ 1 bilhão por ano. Grass diz isso, mas não há contexto — é realmente muito? Comparado a quê?
E as escolas militarizadas? Parece que há consenso contra.
Não exatamente. Grass e Belmonte são contra ou céticos. Mas Arruda fala em retomar educação integral, não militarizada. Celina não toma posição clara.
Belmonte diz que 30% do orçamento escoa por corrupção. Isso é uma acusação grave. É baseado em auditoria, em investigação, ou é estimativa dela?
Boa pergunta. E quanto aos números de professores e hospitais?
Celina cita 2.681 professores temporários substituídos por efetivos. Arruda diz que havia 200 escolas integrais, agora 30. São números concretos, mas não sabemos se são auditados ou apenas declarações de campanha.
Exatamente. E quando Arruda diz que o DF tinha o melhor salário de professores quando ele governava, ninguém verifica isso na hora. Pode ser verdade, mas é uma afirmação que merecia contexto.
Então o que fica claro?
Que todos reconhecem a crise, mas cada um oferece uma narrativa diferente sobre por que existe e como resolvê-la. Leão diz que herdou problemas. Arruda diz que sua gestão foi melhor. Grass quer começar do zero. Belmonte quer eficiência.
E nenhum deles responde completamente como vai pagar por tudo isso. Arruda tenta, mas é vago. Os outros não entram no detalhe.
Il Polso
- O DF registra o maior tempo médio de espera por consultas médicas do Brasil — 254 dias —, e candidatos competem para convencer eleitores de que têm a fórmula para romper esse ciclo de abandono.
- A gestão do Iges-DF, que consome mais de R$ 1 bilhão por ano, tornou-se símbolo de desperdício e ineficiência, com pacientes cruzando a fronteira para Goiás em busca de atendimento.
- Na educação, o fraco desempenho do DF no Ideb e o encolhimento das escolas de tempo integral — de 200 para apenas 30 unidades — expõem uma regressão que os candidatos prometem reverter, cada um à sua maneira.
- As divergências ideológicas se aprofundam no debate sobre escolas militarizadas, planos de carreira de professores e evasão escolar, especialmente entre meninas.
- Enquanto Leão defende continuidade com correções pontuais, Grass e Belmonte propõem reformulações estruturais, e Arruda promete resgatar modelos do passado — deixando ao eleitor a escolha entre ruptura e restauração.
Em Brasília, quatro candidatos ao governo do Distrito Federal expuseram, diante das câmeras da TV Globo, suas visões sobre saúde e educação — dois setores que concentram as angústias mais cotidianas dos brasilienses. Entre 14 e 17 de setembro, Celina Leão, Leandro Grass, Paula Belmonte e José Roberto Arruda revelaram não apenas propostas, mas filosofias distintas sobre o papel do Estado na vida das pessoas. O que está em jogo não é apenas a gestão de filas e índices, mas a concepção de que cidade Brasília quer ser.
Entre os dias 14 e 17 de setembro, a TV Globo entrevistou os quatro candidatos mais bem posicionados para o Governo do Distrito Federal: Leandro Grass (PT), Celina Leão (PP), Paula Belmonte (PSDB) e José Roberto Arruda (PSD). Saúde e educação foram os eixos centrais — temas que traduzem as frustrações mais concretas dos eleitores brasilienses.
Na saúde, o diagnóstico é unânime: faltam médicos, as filas são vergonhosas e a gestão é deficiente. Celina Leão citou avanços como cirurgias contratadas e novas UPAs em construção, mas foi questionada sobre hospitais prometidos em 2022 que não saíram do papel. Arruda atacou o caos no Iges-DF e prometeu aumentar salários e contratar todos os servidores concursados, financiando isso com cortes em cargos e contratos. Grass propôs fortalecer as Unidades Básicas de Saúde e demitir o que chamou de cabos eleitorais da gestão atual. Belmonte defendeu 40 novas UBSs, prontuários eletrônicos integrados e acompanhamento domiciliar por agentes comunitários.
Na educação, as diferenças são mais ideológicas. Leão atribuiu o baixo desempenho no Ideb a critérios metodológicos distintos entre estados e destacou a substituição de professores temporários por efetivos. Arruda lamentou a queda das escolas integrais — de 200 para 30 — e prometeu retomar o modelo e revisar o plano de carreira dos professores. Grass se posicionou contra escolas militarizadas, propondo educação em tempo integral com arte, ciência e profissionalização. Belmonte comprometeu-se a levar o DF ao primeiro lugar no Ideb até 2030, apontou que 30% do orçamento se perde em corrupção e defendeu gestão democrática das escolas, com comunidades participando da escolha de diretores.
Ao fim, os quatro convergem no diagnóstico de crise, mas divergem nas soluções: continuidade, restauração, reformulação estrutural ou eficiência administrativa. A resposta caberá aos eleitores nas próximas semanas.
Entre segunda e quinta-feira da semana de 14 a 17 de setembro, a TV Globo entrevistou os quatro candidatos mais bem posicionados na pesquisa Datafolha para o Governo do Distrito Federal: Leandro Grass (PT), Celina Leão (PP), Paula Belmonte (PSDB) e José Roberto Arruda (PSD). Cada um deles respondeu a perguntas sobre dois temas que ocupam o centro das preocupações dos eleitores brasilienses — saúde pública e educação — revelando visões distintas sobre como resolver crises que afetam ambos os setores.
Na saúde, o diagnóstico é compartilhado: o Distrito Federal enfrenta escassez aguda de médicos, filas de espera entre as maiores do país e gestão deficiente. Celina Leão, atual vice-governadora e candidata à reeleição, defendeu suas ações citando a contratação de 20 mil cirurgias e 200 mil consultas, além da construção de sete novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), com cinco a serem entregues ainda em 2026. Ela justificou o cancelamento do aniversário de Brasília deste ano como uma decisão para liberar orçamento destinado à contratação de médicos. Quando questionada sobre sua mudança de posição — ela havia votado contra contratações temporárias como deputada distrital em 2014 — Leão explicou que o concurso temporário é mais rápido e que o governo enfrenta restrições legais em ano eleitoral, embora seu planejamento seja realizar concursos para servidores efetivos. Ela também se esquivou da responsabilidade pelos hospitais prometidos em 2022, afirmando que era vice do ex-governador Ibaneis Rocha, não governadora.
José Roberto Arruda (PSD) criticou duramente a gestão do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), descrevendo-a como caótica, e apontou que pacientes brasilienses buscam atendimento em Goiás — situação que chamou de vergonha. Sua proposta central é aumentar salários de profissionais da saúde e contratar todos os servidores já concursados, além de abrir contrato de emergência para médicos. Quando perguntado como fecharia as contas do governo com essas despesas, Arruda respondeu que o governo atual consome grande parte da verba com seu próprio sustento e que reduziria aluguéis caros, cargos comissionados, secretarias e revisaria contratos de prestadores de serviço. Leandro Grass (PT) foi mais incisivo na crítica ao Iges, afirmando que a instituição consome mais de R$ 1 bilhão por ano sem entregar resultados esperados. Grass propõe ampliar as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), equipá-las e contratar mais equipes, focando em saúde próxima de casa. Ele citou que o tempo médio de espera para consultas no DF é de 254 dias — o maior do Brasil — e prometeu demitir o que chamou de cabos eleitorais da gestão atual. Paula Belmonte (PSDB) descreveu a situação da saúde como vergonhosa e propôs construir 40 novas UBSs dentro das regiões administrativas, fortalecer equipes de saúde básica e implementar prontuários eletrônicos integrados para organizar filas de cirurgia e permitir que agentes comunitários acompanhem pacientes em suas casas.
Na educação, as divergências são mais ideológicas. Celina Leão atribuiu o desempenho ruim do DF no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) a diferentes métricas adotadas em estados — o DF reprova alunos com duas matérias, enquanto outros estados não têm reprovação, o que impacta o índice. Ela afirmou ter certeza de que os profissionais e estrutura da educação do DF são melhores que os do Piauí e de estados bem colocados no Ideb, e citou a substituição de 2.681 professores temporários por efetivos. José Roberto Arruda lembrou que em seu governo havia 200 escolas de educação integral, reduzidas agora a apenas 30, e prometeu retomar esse projeto. Ele também afirmou que o DF tinha o melhor salário de professores do país quando ele estava no governo, mas agora tem salário menor que Maranhão, Piauí e Goiás. Sua proposta é contratar professores concursados no primeiro dia de governo e revisar o plano de carreira. Leandro Grass se posicionou contra escolas militarizadas, argumentando que a aprovação popular pelo modelo se deve ao aumento da violência e do crime organizado, e propõe educação em tempo integral como alternativa, oferecendo arte, ciência, tecnologia e profissionalização. Ele apontou que o Brasil ampliou escolas integrais, mas o DF diminuiu. Paula Belmonte disse sentir-se envergonhada com o desempenho do DF no Ideb e comprometeu-se a levar a rede pública ao primeiro lugar do indicador até 2030. Ela afirmou que 30% do orçamento do DF escoa por falta de políticas públicas e corrupção, e que o DF gasta R$ 600 milhões com transporte escolar porque as escolas não estão perto dos alunos. Belmonte também apontou que a maior evasão escolar é de meninas e defendeu gestão democrática das escolas, com participação da comunidade na escolha de diretores e decisões sobre modelos pedagógicos.
Os quatro candidatos convergem no diagnóstico de crise, mas divergem fundamentalmente nas soluções: Leão defende continuidade com ajustes, Arruda promete retomar modelos anteriores, Grass propõe reformulação estrutural com foco em saúde e educação básicas, e Belmonte enfatiza gestão eficiente e combate à corrupção. As propostas serão testadas nas urnas nas próximas semanas.
Citazioni salienti
Lá no início, quando o Ibaneis criou o Iges, eu fui contrário. Porque a gente já sabia que o sistema ia competir com a Secretaria de Saúde e não iria entregar o que a população esperava— Leandro Grass (PT)
A situação da saúde na capital é vergonhosa. As UBSs têm que estar próximo de casa— Paula Belmonte (PSDB)