Câncer de mama: entenda os quatro subtipos da doença e por que identificá-los é decisivo no tratamento

O câncer de mama é a principal causa de óbitos por câncer na população feminina brasileira, segundo o Inca.
O tumor é o mesmo, mas é preciso saber com qual deles se lida
Maria Cristina Figueroa explica por que o subtipo define o tratamento do câncer de mama.
Mark

Por que o subtipo importa tanto?

Mimi

Porque o tratamento muda. Nos luminais, a cirurgia completa antes de outras terapias funciona melhor; no HER2, a quimioterapia costuma ser o caminho, até em tumores grandes.

Mark

E a metáfora do gato e do leão?

Mimi

É da oncologista Maria Cristina Figueroa. O luminal A progride devagar, o luminal B é rápido e de alta replicação.

Luke

Isso é uma comparação didática, não uma classificação formal. Vale lembrar.

Mark

E o triplo negativo?

Mimi

Cerca de 10% dos diagnósticos, mais comum em mulheres jovens, muito invasivo e com menos opções de tratamento. A origem exata não é conhecida, e muitas vezes pode ser genética.

Luke

Note o "muitas vezes pode": é uma possibilidade, não uma certeza.

Mark

Qual é o problema no SUS?

Mimi

Em muitos casos são dois pedidos, e a espera entre biópsia e imunohistoquímica chega a 30 ou 40 dias, segundo Maira Caleffi.

Luke

Esse prazo é o relato dela, não um dado nacional medido. O texto não traz números oficiais de quantos pacientes são afetados.

Mark

Há algum ponto de atenção sobre a fonte?

Luke

O repórter viajou a convite da Novartis. Não altera os fatos citados, mas o leitor deve saber.

  • Quatro subtipos de câncer de mama exigem respostas diferentes, e errar a classificação pode custar tempo precioso.
  • O tumor triplo negativo, cerca de 10% dos casos, avança com força e oferece opções de tratamento mais limitadas.
  • Especialistas tentam acelerar o diagnóstico, defendendo que a imunohistoquímica seja feita junto com a biópsia.
  • No SUS, a espera de 30 a 40 dias entre um exame e outro segue atrasando tratamentos que já deveriam estar em curso.

Em meio a um encontro de oncologistas na serra gaúcha, uma verdade antiga ganhou nova clareza: o câncer de mama não é uma doença única, mas um conjunto de quatro subtipos que se distinguem pela forma como respondem aos hormônios. Essa diferença, muitas vezes invisível a olho nu, decide o caminho do tratamento, e por isso sua identificação precoce importa tanto. Diante disso, a demora imposta pelo sistema público, que separa em semanas exames que deveriam caminhar juntos, revela uma distância entre o que a ciência já sabe e o que chega às pacientes.

Em Gramado, na serra gaúcha, oncologistas reunidos em um encontro sobre informação e ciência voltaram a repetir uma mensagem central: o câncer de mama não é uma doença única. Ele se divide em quatro subtipos, definidos pela maneira como o tumor reage aos hormônios femininos, e cada um pede um caminho diferente. Os tumores luminais, A e B, somam cerca de 70% dos casos e são os que se alimentam dos hormônios.

A oncologista Maria Cristina Figueroa, do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, em Curitiba, compara a doença ao arroz: o branco, o integral e o preto são todos arroz, mas pedem preparos distintos. Assim também é o câncer de mama, que exige saber com qual variante se lida antes de decidir o tratamento. O luminal A progride devagar, quase como um gato, enquanto o luminal B avança como um leão e precisa de cirurgia rápida.

Há ainda o HER2, que cresce a partir de uma proteína própria e costuma responder bem à quimioterapia, e o triplo negativo, que aparece em cerca de 10% dos diagnósticos, muitas vezes em mulheres jovens, e tende a ser mais invasivo. A identificação exata do subtipo vem da imunohistoquímica, exame feito depois da biópsia. Os especialistas defendem que ambos sejam sempre pedidos em conjunto.

No entanto, no sistema público, esses exames nem sempre chegam juntos. A mastologista Maira Caleffi, do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, e presidente da Femama, considera esse intervalo de 30 a 40 dias um absurdo e um dos principais gargalos do tratamento no Brasil. "Estamos perdendo tempo precioso", afirmou. Segundo o Inca, o câncer de mama é a principal causa de morte por câncer entre as brasileiras, embora a maioria dos casos descobertos cedo tenha bom prognóstico. O pedido dos especialistas é concreto: que a imunohistoquímica acompanhe toda biópsia, sem fila entre um exame e outro.

Em Gramado, na serra gaúcha, na quinta-feira (24/8), oncologistas reunidos no 2º Encontro da Academia para Mídia e Pacientes em Informação e Ciência repetiram uma mensagem: o câncer de mama não é uma doença única. Depois dos tumores de pele, é o que mais atinge pessoas no mundo, e o caminho do tratamento depende diretamente de qual subtipo está em jogo.

Segundo os especialistas, a doença tem quatro "sobrenomes", definidos pela forma como o tumor reage aos hormônios femininos. Alguns se alimentam de progesterona e estrogênio; outros, não. Os que crescem em contato com esses hormônios são os tumores luminais, divididos em A e B, que respondem por cerca de 70% dos casos. Os outros dois tipos têm origens variadas, incluindo comorbidades.

A oncologista Maria Cristina Figueroa, do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM), em Curitiba, usa uma comparação de cozinha. O câncer de mama, diz ela, é como o arroz: há o branco, o integral e o preto, todos arroz, mas com sabores e cozimentos diferentes. O tumor é o mesmo, afirma, mas é preciso saber com qual deles se lida para decidir como tratar.

O luminal A se alimenta de hormônios, mas progride devagar. Maria Cristina o compara a um gato: agressivo, porém de pouca ameaça à vida pela lentidão. Costuma ser identificado em idosas, e quem o tem chega a se acostumar com a presença do tumor. O luminal B também é hormonal, mas a médica o compara a um leão: avança rápido, tem alta taxa de replicação e responde pela maioria dos casos que pedem cirurgia rápida, já que os tumores luminais respondem melhor quando são totalmente retirados antes das demais terapias.

O HER2 não depende de hormônios. Cresce a partir de uma proteína de mesmo nome, que envolve as células da mama, e a quimioterapia costuma ser o melhor tratamento, mesmo em tumores grandes. O triplo negativo, que não é luminal nem HER2, responde por cerca de 10% dos diagnósticos. Não se sabe exatamente como surge; em muitos casos pode ter origem genética, e costuma aparecer em mulheres jovens. Em geral é muito invasivo e tem opções de tratamento mais limitadas. Pesam ainda a idade da paciente, seu perfil clínico e o estágio em que a doença foi descoberta.

A identificação é feita pela imunohistoquímica, exame realizado depois da biópsia, que avalia se o tumor é benigno ou maligno. A imunohistoquímica aponta o subtipo exato. Os oncologistas defenderam que os dois sejam sempre feitos em conjunto, mas nem sempre são pedidos assim.

Para a mastologista Maira Caleffi, chefe do Núcleo de Mama do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, e presidente da Femama, não descobrir o subtipo é um dos principais gargalos do tratamento no Brasil. Ela diz que o tratamento não é padronizável e que é preciso entender o perfil genômico de cada paciente. Chamou de absurdo que, em muitos casos, o SUS exija dois pedidos separados, com espera de 30 a 40 dias entre um exame e outro: "Estamos perdendo tempo precioso". Maria Cristina completou que o exame não é supérfluo, mas não está acessível a todos como deveria.

Segundo o Inca, o câncer de mama é a principal causa de morte por câncer entre as brasileiras, embora a maioria dos casos tratados cedo tenha bom prognóstico. A reivindicação dos especialistas é concreta: que a imunohistoquímica acompanhe toda biópsia, sem a fila entre um exame e outro. O repórter viajou a convite da Novartis.

O exame de imunohistoquímica deveria ser uma exigência depois de todas as biopsias. Estamos perdendo tempo precioso.
— Maira Caleffi, mastologista e presidente da Femama
Não é algo supérfluo, é fundamental para definir a estratégia de conduta.
— Maria Cristina Figueroa, oncologista do HUEM
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