Câmera corporal flagra PM simulando roleta-russa com adolescente em SP

Adolescentes foram submetidos a tortura psicológica e física, incluindo simulação de execução com arma de fogo e agressões, sem terem reagido à abordagem.
A câmera corporal capturou a ação sem filtro — o policial não conseguiu negar
As gravações dos próprios agentes forneceram evidência visual incontestável dos abusos contra adolescentes.
Mark

Por que a câmera corporal foi tão decisiva neste caso?

Mimi

Porque registrou tudo sem filtro — o próprio policial não conseguiu negar o que estava ali gravado. Normalmente esses casos viram palavra contra palavra. Aqui havia imagem.

Mark

Os policiais realmente tentaram argumentar que era tudo falso?

Mimi

Sim. Disseram que o revólver era de brinquedo, que a munição era falsa, que o pó era lixo. Mas a câmera mostrava a ação acontecendo. É difícil convencer um tribunal quando você tem a prova visual.

Mark

E os adolescentes? Eles não reagiram?

Mimi

Não. Isso é importante. Não havia qualquer justificativa de legítima defesa ou resistência. Eram meninos assustados sendo submetidos a simulação de execução.

Mark

Doze anos é uma sentença pesada para um policial.

Mimi

É, mas o tribunal considerou tortura — que é crime grave — mais abuso de autoridade, fraude processual e desaparecimento de drogas. Tudo junto pesou.

Mark

E os outros policiais? Vão receber sentenças parecidas?

Mimi

Não se sabe ainda. Três outros ainda serão julgados. O caso do soldado Eduardo Uchoa segue em aberto.

  • Um sargento colocou uma munição num revólver, girou o tambor e encostou a arma na cabeça de um adolescente que não oferecia resistência — e apertou o gatilho.
  • As câmeras corporais dos próprios policiais gravaram os abusos, tornando-se a principal prova contra eles num caso que chocou o país.
  • Durante o julgamento, os réus negaram os crimes: o sargento alegou que a arma era de brinquedo e a munição, falsa; o cabo disse que apenas se apoiou no jovem para não perder o equilíbrio.
  • O sargento Amauri dos Santos foi condenado a 12 anos e 5 meses; o cabo Sandro Nascimento, a 4 anos e 10 meses — ambos com direito a recurso.
  • A Polícia Militar ampliou seu programa de câmeras corporais em 50% após o incidente, reconhecendo implicitamente que o modelo anterior — o mesmo que capturou as evidências — era insuficiente.

Em São Paulo, o Tribunal de Justiça Militar condenou dois policiais militares por torturar adolescentes numa favela da zona leste — abusos que as próprias câmeras corporais dos agentes registraram, incluindo a simulação de uma execução com revólver. O caso ilumina uma tensão antiga entre o poder conferido ao Estado e a vulnerabilidade daqueles sobre quem ele age, e lembra que a tecnologia, quando não pode ser silenciada, pode se tornar testemunha da consciência coletiva. As condenações não encerram o processo — três outros policiais ainda serão julgados —, mas sinalizam que a impunidade encontra, às vezes, seus limites.

Na quarta-feira 15 de julho, o Tribunal de Justiça Militar de São Paulo condenou dois policiais militares por torturar adolescentes na favela da Caixa D'Água, zona leste da capital, durante uma operação realizada em fevereiro de 2025. O que tornou o caso singular foi o fato de as próprias câmeras corporais dos agentes terem documentado os abusos — incluindo o momento em que um deles simulou uma execução com revólver encostado na cabeça de um jovem que não oferecia resistência.

O sargento Amauri dos Santos foi condenado a 12 anos e 5 meses de prisão por tortura, abuso de autoridade, fraude processual e peculato. As acusações de fraude decorrem de ter desligado a câmera durante parte da ação; as de peculato, por fazer desaparecer drogas apreendidas. Em sua defesa, alegou que a arma era um brinquedo encontrado na região e que a munição era falsa — versão que o tribunal não acolheu. O cabo Sandro Nascimento recebeu 4 anos e 10 meses em regime semiaberto por tortura e abuso de autoridade, após argumentar que apenas se apoiou no adolescente para não perder o equilíbrio.

Ambos os policiais entraram em pelo menos uma residência da comunidade sem autorização judicial durante a operação. Três outros agentes ainda serão julgados, entre eles o soldado Eduardo Uchoa, cuja defesa afirmou acreditar em sua inocência.

Como resposta institucional ao escândalo, a Polícia Militar de São Paulo informou ter ampliado seu programa de câmeras corporais em 50%, chegando a 15 mil dispositivos com melhor qualidade de imagem e áudio. O modelo usado na época do incidente operava de forma automática, em baixa resolução e sem som — um sistema chamado recall que, paradoxalmente, foi o responsável por registrar as evidências que levaram às condenações. As sentenças ainda cabem recurso.

Na quarta-feira 15 de julho, o Tribunal de Justiça Militar de São Paulo condenou dois policiais militares por torturar adolescentes na favela da Caixa D'Água, na zona leste da capital, durante uma operação em fevereiro de 2025. O caso ganhou repercussão nacional porque as próprias câmeras corporais dos policiais documentaram os abusos — incluindo um momento extremo em que um dos agentes simulou uma execução com revólver.

O sargento Amauri dos Santos colocou uma única munição numa arma, girou o tambor e encostou a arma na cabeça de um adolescente antes de apertar o gatilho. A arma não disparou. As imagens também mostram o cabo Sandro Nascimento apontando uma pistola para a cabeça de outro jovem. Ambos os policiais cometeram agressões físicas contra os adolescentes, que não ofereceram qualquer resistência durante a abordagem.

Santos foi sentenciado a 12 anos e 5 meses de prisão. As acusações incluem tortura, abuso de autoridade, fraude processual — porque desligou a câmera corporal durante parte da ação — e peculato, por ter feito desaparecer uma quantidade de drogas apreendida. Durante o julgamento, o sargento negou que a arma fosse real ou que a munição existisse, alegando tratar-se de um revólver de brinquedo encontrado na região e de uma cápsula falsa. Também afirmou que o material encontrado numa casa da comunidade não era droga, mas lixo descartado posteriormente pelos próprios policiais. Sua defesa não se manifestou após a condenação.

O cabo Sandro Nascimento recebeu sentença de 4 anos e 10 meses em regime semiaberto por tortura e abuso de autoridade. Em depoimento, negou ter cometido qualquer crime, argumentando que apenas se apoiou no adolescente para não perder o equilíbrio, sem intenção de agredir. Sua defesa buscava o reconhecimento de uma transgressão disciplinar, não de crime de tortura.

Os dois policiais condenados entraram em pelo menos uma casa da comunidade sem autorização judicial durante a operação. Um terceiro policial envolvido, o soldado Eduardo Uchoa, e outros cinco agentes também são réus no processo e ainda serão julgados. A defesa do soldado afirmou acreditar em sua inocência.

Em resposta ao caso, a Polícia Militar de São Paulo informou que ampliou seu programa de câmeras corporais em 50%, chegando a 15 mil dispositivos. Os equipamentos atuais permitem acionamento manual pelo policial ou de forma remota. O modelo usado à época do incidente funcionava de modo automático, em baixa qualidade e sem áudio — um sistema chamado recall que, ironicamente, capturou as evidências que levaram às condenações. As sentenças cabem recurso.

Sargento Amauri dos Santos negou que a arma fosse verdadeira ou que a munição fosse real, afirmando tratar-se de um revólver de brinquedo e uma cápsula falsa
— Defesa do sargento Amauri dos Santos durante julgamento
Cabo Sandro Nascimento alegou que apenas se apoiou no adolescente para não perder o equilíbrio, sem intenção de agredi-lo
— Depoimento do cabo Sandro Nascimento
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