Em Washington, a Câmara dos Representantes aprovou um aumento temporário do teto da dívida americana para US$ 28,9 trilhões, evitando — por ora — um calote histórico que se aproximava com menos de uma semana de prazo. A medida, fruto da disciplina democrata e da resistência republicana, não resolve a crise fiscal: apenas a adia para dezembro, quando o mesmo impasse deverá se repetir em um país cada vez mais dividido entre partidos que disputam não apenas políticas, mas a própria narrativa da responsabilidade fiscal. O que foi aprovado é uma pausa, não uma solução — e as pausas, como a história
Câmara americana aprova aumento provisório da dívida e adia crise para dezembro
Mitch McConnell advertiu que seu partido não ajudará os democratas na próxima vez
Por que isso importa agora? A dívida americana sempre foi um número abstrato para a maioria das pessoas.
Porque quando o governo não consegue aumentar o teto, ele não consegue pagar suas contas — salários de funcionários federais, benefícios, tudo para. É um calote real, não teórico.
Mas espera — o teto foi aumentado três vezes durante Trump com apoio democrata. Por que agora é uma guerra?
Porque agora é ano de eleição. Os republicanos veem uma chance de prejudicar Biden politicamente antes de 2022.
E os democratas não podem simplesmente fazer isso sozinhos?
Poderiam, mas precisariam de 60 votos no Senado. Têm apenas 51 democratas. Precisam de republicanos.
Então por que McConnell não ajuda? Ele ajudou Trump.
Exatamente. Ele quer mostrar que os democratas não conseguem governar sozinhos. É puro cálculo político.
E dezembro? Vai ser a mesma briga?
Provavelmente pior. McConnell já disse que não ajuda de novo. Os democratas podem ter que usar uma manobra chamada reconciliação orçamentária, que é mais arriscada.
Mas ninguém quer um calote de verdade, certo? No final, alguém cede?
Espera-se que sim. Mas cada vez que isso acontece, fica mais perto da beira do precipício.
Il Polso
- Com menos de uma semana para um calote inédito, a Câmara americana aprovou às pressas um aumento de US$ 480 bilhões no teto da dívida, elevando o limite para US$ 28,9 trilhões.
- A aprovação exigiu disciplina absoluta dos democratas: qualquer deserção poderia ter derrubado a medida, já que todos os republicanos se opuseram em bloco.
- Mitch McConnell avisou publicamente que os republicanos não voltarão a ceder em dezembro, transformando a solução de hoje no campo de batalha de amanhã.
- A disputa está entrelaçada com as eleições de 2022, e ambos os partidos usam o teto da dívida como arma política — democratas temem exposição eleitoral, republicanos buscam recuperar o Congresso.
- O país chega a dezembro sem acordo permanente, com o mesmo impasse à espera e o relógio fiscal já em contagem regressiva.
Em Washington, a Câmara dos Representantes aprovou um aumento temporário do teto da dívida americana para US$ 28,9 trilhões, evitando — por ora — um calote histórico que se aproximava com menos de uma semana de prazo. A medida, fruto da disciplina democrata e da resistência republicana, não resolve a crise fiscal: apenas a adia para dezembro, quando o mesmo impasse deverá se repetir em um país cada vez mais dividido entre partidos que disputam não apenas políticas, mas a própria narrativa da responsabilidade fiscal. O que foi aprovado é uma pausa, não uma solução — e as pausas, como a história costuma mostrar, têm prazo de validade.
Washington acordou na terça-feira com uma crise adiada, não resolvida. A Câmara dos Representantes, controlada pelos democratas, aprovou um aumento temporário do teto da dívida americana para US$ 28,9 trilhões — uma medida aprovada com menos de uma semana antes de um calote inédito. A disciplina democrata foi total, liberando um aumento de US$ 480 bilhões para a assinatura do presidente Joe Biden.
Mas a vitória é apenas uma pausa. O aumento vale até dezembro, quando o país enfrentará nova crise fiscal se nenhuma solução permanente for encontrada. Nancy Pelosi disse esperar uma saída bipartidária. Mitch McConnell respondeu com um aviso claro: os republicanos não ajudarão os democratas na próxima vez, acusando-os de má administração fiscal.
O Senado havia aprovado o aumento na semana anterior com apenas 11 votos republicanos, enquanto o Tesouro se aproximava do limite estimado para 18 de outubro — data em que não teria mais capacidade de honrar pagamentos. A secretária Janet Yellen definiu o aumento como uma obrigação doméstica para cobrir gastos já aprovados pelo Congresso, inclusive durante o governo Trump. Os republicanos, porém, tentaram vincular a medida ao pacote trilionário de Biden para infraestrutura e clima.
A disputa está diretamente ligada às eleições parlamentares de novembro de 2022. Democratas temem ficar expostos politicamente; republicanos buscam recuperar as maiorias no Congresso. O que antes era uma formalidade rotineira — o teto foi elevado três vezes durante o governo Trump com apoio democrata — tornou-se agora um campo de batalha partidário. Com dezembro se aproximando, o país se prepara para repetir a mesma disputa.
Washington acordou na terça-feira com uma crise adiada, não resolvida. A Câmara dos Representantes, controlada pelos democratas, aprovou um aumento temporário do limite de endividamento do governo americano para US$ 28,9 trilhões — uma medida que chegou a votação com menos de uma semana antes de um calote inédito da dívida e de uma paralisação temporária do governo. O voto manteve a disciplina democrata e liberou um aumento de US$ 480 bilhões no teto da dívida para a assinatura do presidente Joe Biden.
Mas a vitória é apenas uma pausa. O aumento vale até dezembro, quando o país enfrentará outra crise fiscal iminente se nenhuma solução permanente for encontrada. Nancy Pelosi, presidente da Câmara, disse a repórteres que esperava uma solução bipartidária no futuro. Mitch McConnell, líder republicano do Senado, respondeu com um aviso: seu partido não ajudará os democratas na próxima vez. Em uma carta a Biden na sexta-feira anterior, McConnell escreveu que não participaria de nenhum esforço futuro para mitigar as consequências do que chamou de má administração democrata.
O Senado havia aprovado o aumento na quinta-feira anterior com votos de todos os democratas e apenas 11 dos 50 republicanos, quando o país se aproximava de um prazo estimado para 18 de outubro — data em que o Departamento do Tesouro não teria mais capacidade de fazer pagamentos de dívidas aos credores. Os democratas não podiam se dar ao luxo de ter mais de três membros de sua bancada votando contra e ainda assim aprovar a medida, já que todos os republicanos se opuseram, como esperado. A disciplina foi necessária: em 29 de setembro, quando dois democratas entre 220 votaram contra um projeto de lei separado para aumentar o limite até o final de 2022, a medida foi bloqueada no Senado.
O aumento do teto da dívida deveria cobrir gastos anteriores já aprovados pelo Congresso, inclusive durante a Presidência do republicano Donald Trump, que terminou há apenas nove meses. Mas os republicanos tentaram vincular o aumento à meta de Biden de aprovar um pacote trilionário para infraestrutura, serviços sociais e enfrentamento à mudança climática. A secretária do Tesouro, Janet Yellen, caracterizou o aumento como uma tarefa doméstica para cobrir contas de gastos e cortes de impostos já promulgados em lei. Ainda assim, o procedimento ganhou tons muito mais graves.
Pelosi disse estar otimista de que os democratas possam trabalhar no pacote de Biden para as famílias e aprová-lo em tempo hábil. Biden sugeriu no início do mês que o pacote seja cerca de US$ 2 trilhões, em vez dos US$ 3,5 trilhões propostos. Pelosi afirmou que não levaria a lei ao plenário da Câmara se ela não pudesse ser aprovada pelo Senado, onde os democratas conservadores Joe Manchin e Krysten Sinema afirmam que não irão apoiar um pacote de US$ 3,5 trilhões.
A luta de meses sobre o limite da dívida está intimamente ligada às eleições parlamentares de novembro de 2022, nas quais os republicanos buscam obter maiorias na Câmara e no Senado. Os legisladores democratas temem que um boicote republicano os deixe expostos a ataques políticos durante o próximo ano. Os republicanos acusam os democratas de fraude fiscal e desrespeito ao aumento da dívida. Os democratas, por sua vez, acusam os republicanos de permitirem que o país dê um calote em suas dívidas para obter vantagens políticas.
Antes do atual clima de rivalidade partidária feroz, a aprovação da dívida costumava ser mais rotineira. Durante o governo Trump, o limite da dívida foi aumentado três vezes com o apoio dos democratas, apesar de sua oposição uniforme às iniciativas republicanas que aumentaram a dívida do governo, como a lei de corte de impostos de 2017 e as prioridades de Trump, como a construção de um muro na fronteira sudoeste. Ambas as medidas foram acrescentadas à dívida do governo. Agora, com dezembro se aproximando, o país se prepara para repetir a mesma disputa.
Citazioni salienti
Não participarei de nenhum esforço futuro para mitigar as consequências da má administração democrata— Mitch McConnell, em carta a Biden
O aumento do limite da dívida é uma tarefa doméstica para cobrir pagamentos de contas de gastos e cortes de impostos já promulgados em lei— Janet Yellen, secretária do Tesouro