Cade deve aprovar operação de Maersk e MSC para disputar leilão do Tecon Santos 10

Uma das armadoras fica com o BTP, a outra com o novo terminal
O acordo entre Maersk e MSC permite que ambas permaneçam no mercado portuário de Santos, apenas com ativos diferentes.
Mark

Por que essas duas armadoras precisam fazer esse acordo agora, antes mesmo do edital ser publicado?

Mimi

Porque o governo sinalizou que pode permitir que empresas já instaladas participem, mas com a condição de vender seus ativos se vencerem. Maersk e MSC precisam mostrar ao Cade que conseguem se desembaraçar da participação conjunta no BTP sem perder a chance de competir pelo novo terminal.

Mark

Mas não é exatamente isso que a ICTSI está denunciando — que elas estão apenas trocando de lugar, sem sair do mercado?

Mimi

Sim. A ICTSI diz que o acordo não reduz concentração, apenas redistribui quem controla qual ativo. Se uma vence o Tecon 10 e a outra fica com o BTP, ambas continuam dominando o porto de Santos.

Mark

Qual é o risco real se o TCU discordar do governo?

Mimi

Se o tribunal exigir uma nova análise de viabilidade, o leilão atrasa ainda mais. Já está em discussão há anos. E o TCU pode simplesmente reafirmar que incumbentes não podem participar — o que tornaria todo esse acordo irrelevante.

Mark

A Maersk e a MSC realmente controlam quase metade do mercado em Santos?

Mimi

Juntas, responderam por 49,1% da movimentação de contêineres em 2025. É uma concentração muito alta. Por isso o TCU sempre se preocupou com a entrada de mais incumbentes.

Mark

Então o Cade está basicamente dizendo que está tudo bem?

Mimi

A área técnica está dizendo que a reorganização societária é legítima. Mas isso não resolve a questão maior sobre se essas duas armadoras deveriam estar competindo pelo novo terminal em primeiro lugar.

  • Maersk e MSC, que já controlam juntas o BTP em Santos e respondem por quase metade da movimentação de contêineres do porto, criaram um mecanismo para disputar o Tecon Santos 10 sem violar restrições antitruste — quem vencer o leilão absorve o ativo existente, e quem perder sai da sociedade.
  • A operadora filipina ICTSI contesta o acordo, argumentando que ele não reduz concentração de mercado e pode configurar coordenação entre concorrentes para diminuir riscos no próprio leilão — um alerta que o Cade deve ignorar ao rejeitar seu pedido de ingresso no processo.
  • A área técnica do Cade caminha para aprovar a operação em rito sumário, mas qualquer conselheiro tem 15 dias para escalar a análise ao Tribunal, mantendo uma janela de incerteza sobre o desfecho regulatório.
  • O TCU paira como variável imprevisível: se o governo alterar o modelo do edital, a corte de contas precisará refazer sua análise — e pode reafirmar que armadoras incumbentes simplesmente não deveriam participar, atrasando um certame de R$ 6,4 bilhões que já se arrasta há anos.

No porto de Santos, onde flui boa parte do comércio exterior brasileiro, duas das maiores armadoras do mundo — Maersk e MSC — arquitetaram um acordo societário para disputar juntas, mas separadas, o maior leilão portuário do país. O Cade, árbitro da concorrência, inclina-se a aprovar o arranjo, enquanto uma rival filipina questiona se a reorganização é desconcentração real ou apenas uma redistribuição de poder entre os mesmos donos. O que começou como uma questão técnica de modelagem de leilão revela, no fundo, a tensão permanente entre atração de capital global e preservação da competição em mercados estratégicos.

A área técnica do Cade está prestes a aprovar um acordo entre Maersk e MSC que reorganiza o controle conjunto que ambas exercem sobre o Brasil Terminal Portuário, em Santos. O mecanismo é condicional: se uma vencer o leilão do Tecon Santos 10, a outra assume integralmente o BTP e sai da nova sociedade. Assim, as duas armadoras contornam restrições que o governo havia sinalizado contra a participação de incumbentes no certame, avaliado em R$ 6,4 bilhões.

O pedido foi apresentado como uma simples reorganização societária, condicionada ao resultado do leilão, e segue rito sumário no Cade. A decisão deve sair nos próximos dias, embora qualquer conselheiro possa pedir análise mais aprofundada ao Tribunal dentro de 15 dias. As empresas tratam um eventual aval do órgão antitruste como uma certidão de aptidão para o leilão.

A operadora filipina ICTSI, também interessada no certame, contestou o acordo e pediu para ser admitida como terceira interessada — pedido que, segundo apurou a Folha, deve ser rejeitado. A empresa argumenta que o arranjo não produz desconcentração real, apenas redistribui ativos entre as mesmas armadoras, que juntas responderam por 49,1% de toda a movimentação de contêineres em Santos em 2025. A ICTSI chegou a pedir investigação por possível divisão de mercado.

A disputa sobre quem pode participar do leilão se arrasta há anos. A Antaq defendeu restrições a incumbentes; o TCU foi além, alertando para os riscos de concentração. Este ano, a Casa Civil abriu espaço para a participação de empresas instaladas, desde que comprometidas a vender ativos existentes em caso de vitória — e foi nesse espaço que Maersk e MSC estruturaram seu acordo. Membros do TCU advertem, porém, que qualquer alteração no modelo do edital obrigará a corte a uma nova análise, com risco de rejeição e novo atraso para o maior projeto de expansão portuária do Brasil.

A área técnica do Cade está prestes a dar seu aval a um arranjo estruturado pelas duas maiores armadoras do mundo — Maersk e MSC — que lhes permitirá competir pelo Tecon Santos 10, o maior projeto de expansão portuária em discussão no Brasil. O acordo, apresentado em julho, reorganiza o controle que ambas exercem conjuntamente sobre o Brasil Terminal Portuário (BTP), em Santos, criando um mecanismo pelo qual uma delas sairia da sociedade caso a outra vencesse o leilão do novo terminal.

O funcionamento é direto: se a Maersk vencer, a MSC fica com a participação que a Maersk tinha no BTP. Se a MSC vencer, o movimento se inverte — a Maersk assume integralmente o BTP. Dessa forma, as duas armadoras conseguem se manter elegíveis para disputar o novo ativo sem manter simultaneamente o controle compartilhado da operação existente, contornando restrições que o governo havia sinalizado contra a participação de incumbentes. O projeto em questão demandará cerca de R$ 6,4 bilhões em investimentos e representa a maior ampliação de capacidade de contêineres do porto de Santos em anos.

O pedido de aprovação foi apresentado sob o argumento de que se trata de uma simples reorganização societária, condicionada ao resultado do leilão. Integrantes das empresas argumentam que as sinalizações do governo até agora são suficientes para submeter a questão ao Cade, mesmo sem a publicação formal do edital. A análise segue um rito sumário, e a decisão de aprovação deve sair nos próximos dias. Ainda assim, qualquer conselheiro pode pedir uma análise mais profunda ao Tribunal do Cade nos próximos 15 dias.

A operadora filipina International Container Terminal Services Inc. (ICTSI), que também compete pelo leilão, apresentou contestação ao Cade e pediu para ser admitida como terceira interessada no processo. Segundo apurou a Folha junto a integrantes do órgão, esse pedido deve ser rejeitado. A ICTSI argumenta que o acordo entre Maersk e MSC não produz desconcentração efetiva — apenas redistribui os ativos entre as duas armadoras, mantendo ambas no mercado portuário de Santos. A empresa filipina aponta que, em 2025, Maersk e MSC responderam juntas por 49,1% de toda a movimentação de contêineres no porto.

A disputa sobre quem pode participar do leilão do Tecon Santos 10 se arrasta há anos sem definição final do governo. A Antaq inicialmente defendeu uma modelagem que restringiria a participação de empresas já operando terminais de contêineres em Santos. O Tribunal de Contas da União foi além, argumentando que a entrada de incumbentes — especialmente grandes armadores — aumentaria ainda mais a concentração em um mercado que já é altamente concentrado. Mas este ano a Casa Civil mudou de posição, defendendo uma solução que permitiria a participação de empresas instaladas desde que se comprometessem a vender seus ativos existentes caso vencesse o leilão.

Foi nesse espaço de abertura que Maersk e MSC estruturaram o acordo agora submetido ao Cade. Um aval do órgão antitruste é visto pelas empresas como uma certidão de aptidão para o leilão. Mas membros do TCU alertam, sob reserva, que se o governo decidir alterar o modelo do edital, a corte de contas terá de fazer uma nova análise de viabilidade — o que pode atrasar ainda mais o certame. Além disso, o tribunal pode discordar do Executivo e reafirmar que incumbentes e armadores não poderão participar.

A ICTSI sustenta que o acordo entre as duas armadoras poderia configurar coordenação entre concorrentes para reduzir riscos no próprio leilão, e chegou a pedir a abertura de um processo para investigar possível divisão de mercado. O que estava em discussão como uma questão de regulação portuária se transformou em uma disputa sobre concentração econômica, com o Cade no centro de uma decisão que pode definir a estrutura competitiva do maior porto de contêineres do Brasil pelos próximos anos.

A operação seria uma reorganização societária simples, condicionada ao resultado do leilão
— Maersk e MSC, em argumentação ao Cade
O acordo entre Maersk e MSC não produz desconcentração efetiva, porque uma das armadoras ficará com o BTP e a outra com o Tecon Santos 10
— ICTSI, em manifestação ao Cade
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