O banco negava a lista enquanto a governadora ordenava afastamentos
Em Brasília, uma auditoria contratada pelo Banco de Brasília revelou 41 nomes envolvidos em fraudes bilionárias com créditos deteriorados do Banco Master — uma crise que ameaça a própria sobrevivência da instituição pública. A governadora Celina Leão ordenou o afastamento dos responsáveis, enquanto investigações paralelas da Polícia Federal seguem seu curso. O episódio expõe a fragilidade das fronteiras entre gestão pública, interesses privados e a confiança que sustenta as instituições financeiras.
- Uma lista com 41 nomes de suspeitos de fraude vazou por grupos de WhatsApp dentro do banco antes de qualquer comunicado oficial, criando pânico e tensão interna.
- Trinta dos identificados ainda ocupavam seus cargos quando a lista veio à tona, colocando em xeque a integridade operacional do BRB.
- O banco tentou conter os danos com uma nota interna negando a veracidade da relação, mas a crise já havia tomado dimensões políticas irreversíveis.
- A governadora Celina Leão interveio diretamente, determinando afastamentos imediatos e reforçando o compromisso com transparência e independência nas apurações.
- Sem um aporte financeiro ainda não formalizado pelo governo distrital, o BRB corre risco real de liquidação — o que afetaria serviços bancários em todo o Distrito Federal.
O Banco de Brasília se vê no centro de uma crise de proporções históricas: uma auditoria interna identificou 41 pessoas envolvidas nas fraudes que resultaram na compra de R$ 12 bilhões em créditos podres do Banco Master entre 2024 e 2025. A lista classifica os citados entre aqueles que ordenaram as operações, participaram ativamente, se omitiram ou exerceram influência indevida no Conselho de Administração.
A crise tem raízes na tentativa frustrada do BRB de adquirir o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro — operação bloqueada pelo Banco Central. Em novembro de 2025, a Polícia Federal prendeu Vorcaro e realizou buscas na sede do BRB, levando ao afastamento de três executivos de alto escalão. A nova auditoria expandiu significativamente o círculo de responsáveis.
A lista circulou por grupos de WhatsApp entre funcionários antes de qualquer posicionamento oficial, gerando tensão interna. O banco reagiu com uma nota negando a veracidade do documento e afirmando que o processo ainda estava em andamento. A negação, porém, não impediu que a crise chegasse ao Palácio do Buriti.
A governadora Celina Leão se reuniu com o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, e determinou o afastamento imediato de todos os envolvidos. Em nota, ela afirmou que a medida garante independência nas apurações, sem antecipar julgamentos. O banco planeja demitir os não concursados e instaurar processos disciplinares para os servidores efetivos.
A auditoria externa e as investigações da Polícia Federal seguem em andamento. O BRB enfrenta agora o duplo desafio de restaurar sua credibilidade e evitar a liquidação — destino que depende de um aporte do governo distrital ainda não formalizado.
O Banco de Brasília tem em mãos uma lista com 41 nomes de pessoas envolvidas nas fraudes que envolveram a compra de R$ 12 bilhões em créditos podres do Banco Master entre 2024 e 2025. A relação surgiu de uma auditoria contratada pela instituição estatal para mapear tanto o tamanho do rombo quanto identificar quem estava por trás das operações que agora colocam a própria existência do banco em risco.
A história começou quando o BRB tentou comprar o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, mas foi impedido pelo Banco Central. O que se seguiu foi uma investigação que revelou a profundidade do problema: a instituição de Brasília havia adquirido uma quantidade massiva de créditos deteriorados, e agora enfrenta a possibilidade de liquidação caso não receba um aporte do governo distrital. Em novembro de 2025, uma operação da Polícia Federal prendeu Vorcaro e realizou buscas na sede do BRB, levando ao afastamento de três executivos — o ex-presidente Paulo Henrique Costa, o ex-diretor financeiro Dario Oswaldo Garcia Júnior e o ex-superintendente Robério César Bonfim Mangueira — que foram submetidos a investigação interna.
A lista de 41 nomes circulou entre funcionários do banco através de grupos de WhatsApp ao longo da semana anterior ao anúncio oficial. Segundo o documento, os citados incluem pessoas que teriam ordenado a operação com o Master, participado ativamente das fraudes, se omitido ou exercido influência inadequada no Conselho de Administração. Desses 41, trinta continuavam em seus cargos quando a lista veio à tona, criando uma situação de tensão interna considerável.
O BRB respondeu com uma mensagem interna negando a veracidade da lista, citando uma relação de 31 nomes extraídos daquele conjunto maior. A instituição afirmou estar comprometida com a verdade e com as pessoas que a compõem, argumentando que o processo de auditoria ainda estava em andamento e que antecipar conclusões seria inadequado. Mas a negação não impediu que a crise ganhasse dimensões políticas.
Na terça-feira 31 de março, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, se reuniu com a governadora Celina Leão para discutir a situação. Ela determinou que todos os envolvidos fossem afastados de seus cargos. Após a nota de negação do banco, a governadora procurou novamente o dirigente, que reforçou o compromisso em demitir os responsáveis pelas fraudes. A estratégia do banco, conforme comunicado, seria demitir aqueles que não são funcionários concursados e instalar processos disciplinares para os servidores efetivos envolvidos, afastando-os de cargos de confiança.
Em nota oficial, Celina Leão caracterizou a determinação de afastamento como uma medida necessária para garantir transparência nas apurações. Ela ressaltou que a decisão não antecipa qualquer julgamento e respeita o direito ao contraditório, mas assegura que as investigações ocorram com independência e responsabilidade. O governo do Distrito Federal, segundo ela, está comprometido com a verdade dos fatos, a proteção das instituições e a confiança da população.
A auditoria externa independente contratada pelo BRB continua em andamento, e foi essa investigação que levou à expansão da lista de responsáveis identificados além daqueles três executivos afastados em novembro. A Polícia Federal também segue com suas apurações. O banco agora enfrenta o desafio de restaurar credibilidade enquanto tenta evitar a liquidação, dependendo de um aporte financeiro do governo distrital que ainda não foi formalizado.
Notable Quotes
O BRB tem compromisso com a verdade, com as instituições e com as pessoas que fazem parte deste Banco. O processo ainda está em andamento e antecipar quaisquer conclusões ou atribuir responsabilidades neste momento é inadequado— Banco de Brasília, em mensagem interna
A decisão não antecipa qualquer julgamento e respeita o direito ao contraditório, mas assegura que as investigações ocorram com independência e responsabilidade— Governadora Celina Leão
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como uma instituição bancária consegue comprar R$ 12 bilhões em créditos ruins sem que ninguém perceba?
Não é que ninguém tenha percebido — é que havia pessoas dentro do banco que ordenaram ou permitiram que isso acontecesse. A auditoria identificou 41 nomes, desde quem deu as ordens até quem se omitiu no Conselho de Administração.
E por que o Banco Central impediu a compra do Banco Master?
Porque quando o BRB tentou comprar o Master, já havia sinais de que algo estava errado. O Banco Central viu o risco e bloqueou a operação, mas o estrago já tinha sido feito com aqueles créditos podres que o BRB já tinha adquirido.
Trinta pessoas ainda estavam trabalhando quando a lista vazou?
Sim. Trinta dos 41 nomes continuavam em seus cargos quando a lista circulou entre funcionários. Isso criou uma situação delicada — a governadora teve que intervir e ordenar os afastamentos porque o banco estava negando a veracidade da lista.
O que acontece se o BRB for liquidado?
A instituição desaparece, e o Distrito Federal perde seu banco estatal. Mas mais importante: os serviços bancários que o BRB oferecia à população deixam de existir. Por isso o governo está pressionando por um aporte financeiro.
A auditoria externa vai dizer a verdade?
Teoricamente sim — foi contratada justamente para ser independente. Mas o fato de o banco ter negado a lista de 41 nomes e citado apenas 31 mostra que há tensão sobre o que será revelado.
E os três que foram afastados em novembro — eles vão responder criminalmente?
Eles estão em investigação interna, mas a Polícia Federal também está investigando. Daniel Vorcaro, o banqueiro do Master, já foi preso. Os outros três podem enfrentar processos criminais, mas isso depende do que a Polícia Federal encontrar.