Bolsonaro promete deixar Brasil se Lula vencer no 1º turno

Saio do Brasil se o nove dedos voltar
Bolsonaro confidencia a aliados sua reação caso perca as eleições para Lula no primeiro turno.

Em janeiro de 2022, com pesquisas apontando Lula a 45% das intenções de voto contra 23% de Bolsonaro, o presidente em exercício teria confidenciado a aliados que deixaria o Brasil caso perdesse a eleição já no primeiro turno. É um momento em que a aritmética eleitoral começa a pesar mais do que a retórica, e onde a distância entre o poder e a sua perda se traduz não em estratégia, mas em planos de partida. A história registra que líderes confrontados com o declínio às vezes escolhem o exílio antes mesmo de serem derrotados.

  • A pesquisa Quaest expõe uma vantagem de 22 pontos percentuais de Lula sobre Bolsonaro — uma distância que transforma a eleição em questão de quando, não de se.
  • Bolsonaro teria dito a aliados, em conversas privadas, que prefere deixar o Brasil a assistir o PT retornar ao poder.
  • O governo aposta no Auxílio Brasil para recuperar eleitores pobres, mas a base governista está dividida entre o pragmatismo social e o radicalismo ideológico.
  • Um deputado aliado reproduziu a frase do presidente sem rodeios: 'Saio do Brasil se o nove dedos voltar' — revelando que a derrota é vista como inadmissível, não apenas indesejável.
  • A promessa de exílio nos Estados Unidos paira entre a retórica de frustração e um plano concreto, deixando aliados e adversários a interpretar o que vem a seguir.

Jair Bolsonaro não esconde sua inquietação diante dos números eleitorais. Em conversas reservadas com aliados, o presidente demonstra consciência de que Lula tem caminho aberto para vencer no primeiro turno — e que os esforços do governo para reverter esse quadro não têm produzido resultados visíveis.

A aposta do Palácio do Planalto é o Auxílio Brasil, visto como a melhor ferramenta para conquistar eleitores mais pobres, justamente onde o ex-presidente é historicamente mais forte. Mas a base governista está rachada: de um lado, quem defende políticas sociais como estratégia eleitoral; do outro, a ala radical que insiste no discurso ideológico como identidade inegociável.

O que mais chama atenção, porém, são as confidências do próprio Bolsonaro. Segundo um deputado da base, o presidente teria dito claramente: 'Saio do Brasil se o nove dedos voltar'. Os planos incluiriam se mudar para os Estados Unidos em 2023, onde já estaria considerando estabelecer residência.

Os números que alimentam esse cenário vieram da pesquisa Quaest divulgada em janeiro: Lula com 45%, Bolsonaro com 23%, Sergio Moro com 9% e Ciro Gomes com 5%. Uma margem de 22 pontos que, na avaliação de aliados e adversários, dificilmente se reverte em meses de campanha.

O que permanece em aberto é se a promessa de deixar o país é desabafo ou decisão tomada. O que está claro é que, para Bolsonaro, a perspectiva de uma vitória petista já o leva a considerar alternativas que transcendem o campo eleitoral.

Jair Bolsonaro não disfarça sua ansiedade diante dos números. Conversas reservadas com aliados revelam um presidente preocupado com o que as pesquisas eleitorais estão mostrando: Lula tem caminho aberto para vencer já no primeiro turno. Bolsonaro tem tentado de tudo para recuperar sua popularidade, mas os esforços não têm surtido efeito visível.

O governo aposta no Auxílio Brasil como tábua de salvação. Na avaliação do presidente, o programa é sua melhor chance de ganhar terreno entre os eleitores mais pobres, justamente o segmento onde Lula historicamente é mais forte. Mas há tensão dentro da base governista: enquanto alguns defendem que Bolsonaro invista em políticas sociais, a ala radical insiste que ele mantenha o discurso ideológico como marca registrada.

O que mais revela o estado de espírito do presidente, porém, é o que ele tem dito em conversas privadas. Bolsonaro não aceita a possibilidade de uma vitória do PT. Isso não significa que ele esteja planejando um golpe de Estado. O que ele tem comunicado a amigos e familiares é bem diferente: se perder a eleição, sairá do Brasil em 2023. Seus planos incluem se mudar para os Estados Unidos, onde já trabalha com a possibilidade de estabelecer residência.

Um deputado da base governista relatou a conversa de forma direta: "O presidente falou: 'Saio do Brasil se o nove dedos voltar'. Para ele, é inadmissível perder o poder para o PT. Isso é muito claro para todo mundo". A frase revela não apenas a determinação de Bolsonaro em não aceitar uma derrota, mas também a clareza com que seus aliados entendem essa posição.

Os números que alimentam essa preocupação vieram à tona na quarta-feira, quando a Quaest divulgou sua mais recente pesquisa de intenção de voto. Lula aparecia com 45% das preferências dos eleitores. Bolsonaro registrava 23%. Sergio Moro, que ainda era considerado uma alternativa na época, marcava 9%. Ciro Gomes tinha 5% e João Doria, 3%. Se o pleito fosse realizado naquele momento, o ex-presidente venceria no primeiro turno, sem necessidade de segundo turno.

A distância entre os dois principais candidatos é substancial. Bolsonaro está 22 pontos percentuais atrás de Lula, uma margem que não pode ser facilmente revertida em poucos meses de campanha. O presidente sabe disso. Seus aliados sabem disso. E é essa realidade que explica tanto a ênfase no Auxílio Brasil quanto as confidências sobre uma possível saída do país.

O que fica em aberto é se essa promessa de deixar o Brasil é retórica de frustração ou plano concreto. O que está claro é que, para Bolsonaro, a perspectiva de uma vitória de Lula é tão inaceitável que ele já está considerando alternativas que vão muito além da campanha eleitoral.

O presidente falou: 'Saio do Brasil se o nove dedos voltar'. Para ele, é inadmissível perder o poder para o PT. Isso é muito claro para todo mundo
— Deputado da base governista
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Bolsonaro estaria falando isso com aliados se não fosse algo sério?

Model

Porque em conversas privadas, longe das câmeras, as pessoas revelam o que realmente pensam. Ele não está fazendo discurso público; está confidenciando a pessoas próximas o que faria se perdesse.

Inventor

Mas deixar o país é uma reação extrema. Isso não sugere que ele está planejando algo mais drástico?

Model

Não necessariamente. Pode ser simplesmente que ele não consegue imaginar uma vida política no Brasil sob um governo do PT. Para alguém que vê a política como tudo, sair pode parecer mais viável que ficar.

Inventor

Os números da pesquisa são realmente tão ruins assim para ele?

Model

Vinte e dois pontos de diferença no primeiro turno é praticamente insuperável. Não é uma margem que se fecha com campanha. É um abismo.

Inventor

E o Auxílio Brasil? Isso não poderia mudar o jogo?

Model

Teoricamente poderia ajudar com eleitores pobres. Mas a pesquisa já reflete a realidade atual, e mesmo com o programa, Bolsonaro não conseguiu recuperar terreno significativo.

Inventor

O que isso diz sobre o estado da campanha dele?

Model

Que ele está em posição defensiva, não ofensiva. Quando um candidato começa a falar em sair do país, é porque esgotou as opções que acredita que funcionariam.

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