Bolsa cai 1% e dólar sobe com empate técnico no 2º turno a 10 dias da eleição

Empate técnico acirra a corrida a dez dias do segundo turno
Pesquisas mostram Bolsonaro e Lula tecnicamente empatados, com vantagem de Lula se estreitando após campanha do fim de semana.
Mark

Por que o mercado reagiu tão negativamente se as pesquisas mostram apenas um empate técnico? Não seria esperado que houvesse mais incerteza já?

Mimi

Sim, mas a questão é a direção. Lula tinha vantagem clara. Agora Flávio está emparelhado. Isso muda o cálculo de risco dos investidores.

Luke

Mas precisamos ser precisos: é empate técnico, não empate real. A margem de erro é de 2 pontos. Lula ainda pode estar à frente.

Mark

E quanto à escala 6 X 1? Por que isso assusta tanto o mercado?

Mimi

Porque significa custos maiores para as empresas. Mais folha de pagamento, mais encargos. Isso afeta a lucratividade.

Luke

Mas o impacto real ainda é incerto. Depende de como a lei será implementada, de transições, de ajustes. Estamos vendo reação ao anúncio, não ao efeito concreto.

Mark

O UBS disse que o Ibovespa pode subir 25%. Como isso combina com a queda de hoje?

Mimi

É potencial condicional. Depende de o próximo governo apresentar um plano fiscal sólido. O mercado está testando, vendo se há credibilidade.

Luke

Exatamente. O UBS está dizendo: há oportunidade, mas não agora, não enquanto houver incerteza eleitoral e fiscal. É um sinal de confiança no longo prazo, não no curto prazo.

  • O empate técnico entre Bolsonaro (46%) e Lula (44%) a apenas dez dias do segundo turno transformou a incerteza eleitoral em ansiedade concreta para os investidores.
  • A aprovação do fim da escala 6x1 no Senado acendeu um alerta sobre aumento de custos empresariais, pressão inflacionária e queda nos resultados corporativos.
  • O dólar oscilou entre R$ 5,037 e R$ 5,099 antes de fechar em alta de 1,17%, enquanto o Ibovespa encerrou aos 204.324 pontos — sinais de um mercado que prefere esperar a apostar.
  • No cenário externo, o PPI americano subiu 6,3% em 12 meses, alimentando dúvidas sobre os próximos passos do Federal Reserve e o fluxo de capital para emergentes como o Brasil.
  • O UBS oferece um contraponto otimista: potencial de valorização de 25% para o Ibovespa — mas condicionado a um plano fiscal crível do próximo governo, tornando a promessa tão dependente do futuro quanto o próprio mercado.

A dez dias do segundo turno presidencial, o mercado brasileiro sentiu o peso da incerteza: o Ibovespa recuou 1,06% e o dólar avançou para R$ 5,087, pressionados por pesquisas que mostram empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula e pela aprovação, no Senado, do fim da escala 6x1. Quando o resultado de uma eleição se torna imprevisível e mudanças trabalhistas ameaçam os custos das empresas, o capital tende a recuar antes de avançar — é a prudência dos que sabem que a história ainda não terminou de se escrever.

O mercado brasileiro atravessou uma quinta-feira de nervosismo. O dólar comercial fechou em alta de 1,17%, a R$ 5,087, e o Ibovespa recuou 1,06%, encerrando aos 204.324,26 pontos. Dois vetores explicam o movimento: a corrida presidencial entrou em zona de imprevisibilidade e o Senado aprovou uma mudança trabalhista de impacto incerto.

As pesquisas Quaest e Poder Data confirmaram o empate técnico entre Flávio Bolsonaro, com 46% das intenções de voto, e o presidente Lula, com 44% — dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A vantagem que Lula sustentava se estreitou após atos de campanha e novas estratégias digitais do PT. O mercado aguardava ainda o Datafolha e a sabatina de Lula no Jornal Nacional, ambos programados para o mesmo dia.

A aprovação do fim da escala 6x1 adicionou outra camada de apreensão. Lucas Xavier, da AW Capital, apontou que a mudança pode elevar custos empresariais e contaminar tanto a inflação quanto os resultados das companhias — exatamente o tipo de incerteza que amplifica a cautela quando o ambiente já é tenso.

Nem tudo, porém, aponta para baixo. O UBS Global Wealth Management elevou sua recomendação para ações brasileiras de neutra para atrativa, projetando valorização adicional de 25% para o Ibovespa. A condição: que o próximo governo apresente um plano fiscal consistente e reduza o prêmio de risco. No exterior, o PPI americano subiu 6,3% em 12 meses, acima do esperado, reforçando dúvidas sobre o ritmo do Federal Reserve e o apetite global por mercados emergentes. As bolsas americanas fecharam em alta moderada, sem oferecer alívio expressivo ao Brasil.

O cenário que se consolida é de espera ativa: investidores de olho nas pesquisas, nas falas dos candidatos, nos sinais fiscais e nas decisões de Washington. Até que alguma dessas variáveis se resolva, a volatilidade tende a permanecer como companheira constante.

O mercado brasileiro acordou nervoso nesta quinta-feira. O dólar comercial encerrou o dia em alta de 1,17%, cotado a R$ 5,087, tendo oscilado entre R$ 5,037 e R$ 5,099 ao longo da sessão. O Ibovespa, principal termômetro da bolsa, recuou 1,06%, fechando aos 204.324,26 pontos. Dois fatores explicam a cautela: a corrida presidencial se acirrou, e o Senado aprovou uma mudança trabalhista que preocupa os investidores.

Dez dias antes do segundo turno, as pesquisas eleitorais mostram um cenário de incerteza. A Quaest, divulgada na quarta-feira após o fechamento do mercado, confirmou o que o Poder Data já havia apontado: Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão tecnicamente empatados. Bolsonaro aparece com 46% das intenções de voto, Lula com 44%, dentro de uma margem de erro de 2 pontos percentuais. A vantagem que Lula mantinha se estreitou após atos de campanha do fim de semana anterior e novas estratégias digitais da campanha petista. O mercado aguarda ainda uma nova pesquisa Datafolha e a sabatina de Lula no Jornal Nacional, ambas programadas para quinta-feira.

Além da disputa eleitoral, investidores reagiram à aprovação do fim da escala 6 X 1 no Senado. Lucas Xavier, chefe da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, explicou que a mudança gera preocupação com o aumento dos custos empresariais e possíveis reflexos sobre a inflação e os resultados corporativos. É o tipo de incerteza que faz o mercado recuar quando já está nervoso com outras questões.

Nem tudo é pessimismo. O UBS Global Wealth Management elevou sua recomendação para ações brasileiras de neutra para atrativa, estimando um potencial adicional de valorização de 25% para o Ibovespa. Mas há condições: a redução do prêmio de risco e a apresentação de um plano fiscal consistente pelo próximo governo. Em outras palavras, o banco suíço vê oportunidade, mas apenas se a próxima administração conseguir convencer o mercado de que as contas públicas serão responsáveis.

O cenário internacional também pesa. Nos Estados Unidos, o Índice de Preços ao Produtor (PPI) subiu 1,3% em setembro ante agosto, e 6,3% em 12 meses. A alta mensal superou a expectativa de 0,6% e acelerou em relação aos 0,5% de agosto. Esses números aumentam as dúvidas sobre os próximos passos do Federal Reserve. Xavier observou que os juros norte-americanos estão no radar dos investidores porque podem atrair recursos para ativos dos EUA e reduzir o fluxo de capital para mercados emergentes como o Brasil. As bolsas americanas fecharam em alta moderada: Dow Jones subiu 1,08%, S&P 500 avançou 0,34%, e Nasdaq ganhou 0,08%.

O quadro que se desenha é de espera. Os investidores estão de olho nas pesquisas, nas falas dos candidatos, nas decisões do Federal Reserve e nos sinais que o próximo governo brasileiro dará sobre sua política fiscal. Até lá, a volatilidade deve permanecer.

A mudança causa preocupação com o aumento dos custos das empresas e os possíveis efeitos sobre a inflação e os resultados corporativos
— Lucas Xavier, chefe da mesa de renda variável da AW Capital
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