Bitcoin negociado perto de US$ 78.500 com ganho semanal de 25%, maior desde março de 2023, após decisão do Tesouro americano de dobrar recompra de títulos de prazo longo. Liquidação bilionária de posições vendidas (short squeeze) e encontro de Trump com líderes de criptomoedas reforçaram otimismo; ETFs de Bitcoin registram maiores captações semanais desde janeiro.
Bitcoin sobe 8% e caminha para melhor semana em mais de 3 anos
O ouro carrega o verdadeiro sinal macroeconômico da semana
O que realmente moveu o Bitcoin nesta semana? Foi só o anúncio do Tesouro?
Não foi só isso. O anúncio foi o gatilho, mas o que realmente aconteceu foi um "short squeeze" — investidores que apostavam contra o Bitcoin foram forçados a cobrir suas posições, liquidando bilhões de dólares. Isso criou um movimento de alta que se alimentou a si mesmo.
E o encontro de Trump com as empresas de criptomoedas? Isso importa?
Importa para o sentimento do mercado, sem dúvida. Sinalizou que o governo está comprometido com o setor. Mas Lucas deixa claro que isso não muda a tese de longo prazo do Bitcoin, nem sua volatilidade.
Os ETFs estão capturando esse movimento?
Sim, e de forma significativa. Os 13 ETFs de Bitcoin à vista acumularam mais de US$ 1 bilhão em captações esta semana — as maiores desde janeiro. Isso mostra que compradores institucionais voltaram ao mercado.
Mas McCarthy tem uma visão diferente, certo?
Exatamente. Ele aponta que o ouro subiu de forma consistente e orgânica, enquanto o Bitcoin subiu por liquidações forçadas. Para ele, o ouro é o verdadeiro sinal macroeconômico — é para onde os investidores realmente correm quando querem proteção contra inflação e risco cambial.
Então o Bitcoin está apenas em um movimento técnico, não fundamental?
Pode ser. A recuperação é real, mas McCarthy sugere que não reflete confiança genuína em proteção contra riscos macroeconômicos. É mais um movimento de mercado do que uma mudança na percepção de valor.
Qual é o próximo obstáculo?
O Bitcoin ainda está bem distante do recorde de US$ 126 mil de outubro. Além disso, o Clarity Act — o projeto de lei que regularia o mercado de criptoativos — permanece travado no Senado. Essas questões regulatórias continuarão moldando o sentimento.
Il Polso
- Bitcoin negociado a US$ 78.500 com ganho semanal de 25%, maior desde março de 2023
- Mais de US$ 2 bilhões em posições vendidas liquidadas desde 19 de agosto no mercado de futuros
- ETFs de Bitcoin acumularam mais de US$ 1 bilhão em captações, maiores desde janeiro
- Baleias adicionaram US$ 2,75 bilhões ao Bitcoin nos últimos 60 dias
- Bitcoin ainda distante do recorde de US$ 126 mil atingido em outubro
Bitcoin negociado perto de US$ 78.500 com ganho semanal de 25%, maior desde março de 2023, após decisão do Tesouro americano de dobrar recompra de títulos de prazo longo. Liquidação bilionária de posições vendidas (short squeeze) e encontro de Trump com líderes de criptomoedas reforçaram otimismo; ETFs de Bitcoin registram maiores captações semanais desde janeiro.
Bitcoin sobe 8% nesta sexta e acumula ganho de 25% na semana, melhor desempenho desde março de 2023, impulsionado por anúncio do Tesouro americano sobre recompra de títulos e liquidação de posições vendidas.
Na sexta-feira, 21 de agosto, o Bitcoin disparou mais de 8%, consolidando o que se encaminha para ser sua melhor semana em mais de três anos. A criptomoeda era negociada próximo aos US$ 78.500, acumulando ganhos de cerca de 25% ao longo dos sete dias — um movimento que, se mantido, superará qualquer semana desde março de 2023. O otimismo que impulsionou essa recuperação tem origem clara: na quarta-feira anterior, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciou que seu departamento dobraria o volume de recompra de títulos públicos de prazo mais longo, uma decisão que desencadeou uma onda de liquidações forçadas de posições vendidas no mercado de futuros de Bitcoin, movimentando bilhões de dólares.
O anúncio do Tesouro funcionou como catalisador para uma mudança mais ampla no apetite por risco. Rachael Lucas, analista da BTC Markets, resumiu o fenômeno: a decisão de ampliar as recompras reduziu os juros de prazos mais longos e abriu espaço para investimentos mais agressivos em toda a economia. Porém, ela ressalvou que nada mudou fundamentalmente na tese de longo prazo do Bitcoin — nem sua volatilidade característica. O que realmente ocorreu foi um "short squeeze", termo técnico para quando apostadores que fizeram bets contra o ativo são forçados a cobrir suas posições. Dados da Coinglass mostram que mais de US$ 2 bilhões em posições vendidas foram liquidadas desde 19 de agosto apenas no mercado de futuros perpétuos.
No mesmo dia do anúncio do Tesouro, Donald Trump reuniu-se com executivos de grandes empresas de criptomoedas, incluindo representantes da Coinbase e da Payward. O encontro foi amplamente interpretado como sinal de compromisso do governo americano com o setor, especialmente considerando que Trump pediu ao Senado que aprovasse o Clarity Act, um projeto de lei que buscaria regulamentar a estrutura do mercado de criptoativos. Esse texto, porém, permanece travado por divergências sobre dispositivos relacionados a regras de ética e não foi votado antes do recesso de agosto do Senado.
A recuperação também refletiu movimento de compradores institucionais. Os 13 ETFs de Bitcoin à vista listados nos Estados Unidos acumularam mais de US$ 1 bilhão em captações até o momento da reportagem, encaminhando-se para registrar as maiores entradas semanais desde janeiro. Além disso, as "baleias" — grandes detentoras de Bitcoin — adicionaram aproximadamente US$ 2,75 bilhões ao ativo nos últimos 60 dias, segundo dados da CryptoQuant, sinalizando confiança de investidores sofisticados.
Mas nem todos os analistas veem o movimento como reflexo de força macroeconômica genuína. Adam Morgan McCarthy, principal pesquisador da LO:TECH, uma empresa de dados e liquidez de ativos digitais sediada em Londres, ofereceu perspectiva diferente. Enquanto o Bitcoin subia impulsionado por liquidações forçadas, o ouro subia de forma consistente e orgânica, respondendo à mesma decisão do Tesouro sem a compra forçada que inflou o preço da criptomoeda. Para McCarthy, o ouro carrega o verdadeiro sinal macroeconômico da semana — é para o ouro que os investidores realmente se voltam quando buscam proteção contra riscos cambiais e inflacionários.
Apesar da recuperação impressionante, o Bitcoin permanece significativamente distante de seu recorde histórico. Em outubro do ano anterior, a criptomoeda atingiu US$ 126 mil, um patamar que precedeu uma queda acentuada que a levou a cotar US$ 58.642 no final de junho. A semana de ganhos de 25% representa um movimento notável, mas o caminho até novos patamares máximos permanece longo. O mercado segue atento aos próximos passos do governo americano em relação à regulação de criptoativos e às decisões de política monetária que continuarão moldando o apetite por risco nos próximos meses.
Citazioni salienti
O verdadeiro motor foi a decisão do Tesouro americano de dobrar a recompra de títulos de prazo mais longo, que reduziu os juros de prazos mais longos e ampliou o apetite por risco de forma generalizada— Rachael Lucas, analista da BTC Markets
O ouro carrega o verdadeiro sinal macroeconômico da semana. Quem procura onde os investidores estão de fato se protegendo contra os riscos de câmbio e inflação nesta semana encontra a resposta no ouro, não no Bitcoin— Adam Morgan McCarthy, principal pesquisador da LO:TECH