Em toda geração, há aqueles que abraçam uma causa com tal intensidade que a causa passa a habitá-los — e não o contrário. O que este texto examina é o momento em que a convicção política deixa de ser uma escolha renovada a cada dia e se torna um mecanismo automático de proteção emocional: o militante não mais decide ignorar as contradições, simplesmente as deixa de ver. É um fenômeno antigo na história humana — a identidade que devora a consciência — mas que encontra no Brasil contemporâneo uma expressão particularmente nítida.