Um falso movimento de alta que precederia uma queda devastadora
Em meio ao aperto monetário do Federal Reserve e ao colapso do sentimento nos mercados de criptomoedas, o estrategista Gareth Soloway projeta para o Bitcoin um caminho que a história já percorreu antes: uma queda até os US$ 10 mil seguida de um longo silêncio de três anos. Não se trata apenas de uma previsão de preço, mas de um lembrete de que os ciclos de euforia e esquecimento são tão antigos quanto os próprios mercados. Para quem espera uma virada rápida, o passado oferece pouco conforto.
- O Bitcoin pode estar armando uma 'armadilha de touros' — uma alta ilusória até US$ 30 mil antes de uma queda devastadora rumo aos US$ 10 mil.
- O Fed intensifica o aumento de juros para conter a inflação, ameaçando provocar uma recessão que sufocaria qualquer recuperação das criptomoedas no curto prazo.
- Ordens de stop abaixo dos US$ 20 mil disparam vendas automáticas em cascata, amplificando o pânico e afastando investidores do mercado.
- O Crypto Fear & Greed Index despencou para 7, um dos níveis mais baixos da história, sinalizando que o capital simplesmente parou de entrar no setor.
- Se o padrão histórico dos halvings se repetir, o Bitcoin pode levar até 2025 para retomar uma trajetória de valorização sustentada.
Gareth Soloway, estrategista-chefe do In the Money Stocks, não compartilha do otimismo de quem espera uma recuperação rápida do Bitcoin. Para ele, o mercado pode estar prestes a armar uma armadilha: uma alta temporária até os US$ 30 mil que precederia uma queda ainda mais profunda. Sua previsão aponta para US$ 10 mil até o final de 2022 — e, a partir daí, um ciclo de desvalorização de aproximadamente três anos.
O pano de fundo macroeconômico reforça o pessimismo. O presidente do Federal Reserve sinalizou, em 22 de junho, que os aumentos de juros seriam intensificados para combater a inflação. A consequência provável é uma desaceleração econômica severa, ou até uma recessão — cenário que historicamente sufoca mercados de risco como o das criptomoedas. Agravando o quadro, ordens de stop posicionadas abaixo dos US$ 20 mil disparam vendas automáticas em cadeia, criando um efeito cascata que expulsa os investidores menos resistentes.
O sentimento do mercado já reflete esse colapso de confiança: o Crypto Fear & Greed Index atingiu 7, um dos menores valores já registrados. O chamado inverno cripto não poupa ninguém — de investidores individuais às maiores exchanges do mundo.
O que confere peso especial à análise de Soloway é seu alinhamento com a história. Os ciclos de halving do Bitcoin — quando a recompensa por mineração é cortada à metade — têm sido seguidos por longos períodos de baixa. Após a máxima de US$ 1.100 em 2013, o Bitcoin levou quase quatro anos para superar esse patamar. Após os quase US$ 20 mil de dezembro de 2017, foram necessários três anos para o preço voltar àquele nível. Se o padrão se repetir, a recuperação só começaria por volta de 2025 — uma perspectiva incômoda para quem apostou numa virada rápida, mas uma estrutura útil para quem precisa entender o ritmo profundo desse mercado.
Gareth Soloway, estrategista-chefe do site In the Money Stocks, está convencido de que o Bitcoin enfrenta um cenário muito mais sombrio do que muitos investidores querem admitir. Enquanto alguns ainda apostam numa recuperação rápida, ele vê o que chama de armadilha de touros — um falso movimento de alta que precederia uma queda devastadora.
Segundo sua análise, o Bitcoin poderia voltar aos US$ 30 mil nos próximos meses, mas esse seria apenas um alívio temporário. Depois viria a queda real. Se o preço cair até os US$ 10 mil, como Soloway prevê, o mercado de criptomoedas entraria num ciclo de desvalorização que duraria aproximadamente três anos. Nesse cenário, o Bitcoin só voltaria a se valorizar a partir de 2025. Soloway acredita que esse movimento deverá ocorrer até o final de 2022.
O contexto que alimenta essa previsão é o aumento de juros anunciado pelo Federal Reserve. Na quarta-feira 22 de junho, o presidente do Fed sinalizou que a instituição intensificaria as altas de juros para conter a inflação. Essa medida, porém, tende a desacelerar a economia e até provocar uma recessão. Para Soloway, se uma recessão realmente ocorrer, o mercado de criptomoedas dificilmente conseguirá uma nova alta no curto e médio prazo. O cenário fica ainda mais pessimista quando se considera que muitos investidores colocaram ordens de parada (stops) logo abaixo dos US$ 20 mil. Quando esses níveis são atingidos, as máquinas de negociação executam essas ordens automaticamente, causando pânico entre os investidores mais fracos, que começam a vender em massa. Isso cria um efeito cascata que leva a fundos de curto prazo, mas Soloway acredita que haverá mais quedas à frente. "Ainda acho que cairemos para US$ 12 mil e que um preço abaixo de US$ 10 mil é muito possível", disse ele.
O chamado inverno cripto já está afetando todos — desde investidores institucionais até as principais exchanges do mundo. O Crypto Fear & Greed Index, um indicador de sentimento do mercado, atingiu 7 na semana anterior, um dos menores níveis de toda a história. Os investidores simplesmente não estão colocando dinheiro no mercado.
O que torna a previsão de Soloway particularmente preocupante é que ela segue um padrão histórico bem documentado. Os ciclos de halving do Bitcoin — quando a recompensa por mineração é reduzida pela metade — têm sido consistentemente seguidos por longos períodos de desvalorização. No primeiro ciclo, iniciado em 2012, o Bitcoin ficou quase quatro anos em tendência de baixa. Após atingir sua primeira máxima histórica em 2013, em torno de US$ 1.100, o preço só voltou a superar US$ 1.000 em 2017. No segundo halving, ocorrido em 2016, o Bitcoin chegou à sua máxima histórica em dezembro de 2017, quando alcançou quase US$ 20 mil. Mas levou quase três anos para o preço voltar a ficar acima desse patamar — isso só aconteceu em novembro de 2020.
Se a previsão de Soloway se concretizar, o Bitcoin seguirá um caminho semelhante ao do ciclo de halving de 2016, onde a recuperação só começou no ano seguinte ao corte na emissão de novos Bitcoin. Para os investidores que esperam uma recuperação rápida, essa perspectiva é desconfortável. Para aqueles que acreditam que o pior ainda está por vir, ela oferece uma estrutura para entender quanto tempo pode levar até que o mercado volte a respirar.
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Ainda acho que cairemos para US$ 12 mil e que um preço abaixo de US$ 10 mil é muito possível— Gareth Soloway, estrategista-chefe do In the Money Stocks
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Soloway acredita que US$ 10 mil é um nível tão importante para o Bitcoin?
Porque abaixo disso, você entra num território que não foi testado em muitos anos. É um ponto de ruptura psicológica e técnica ao mesmo tempo. Quando os preços caem para níveis que a maioria dos investidores nunca viu, o pânico se intensifica.
E se o Bitcoin realmente cair para US$ 10 mil, quanto tempo levaria para se recuperar?
Baseando-se nos ciclos anteriores, provavelmente três a quatro anos. Não é uma questão de meses. É um ciclo completo de desvalorização, onde o mercado precisa se limpar de especuladores e reconstruir confiança.
O Fed está realmente criando esse cenário ao aumentar juros?
Sim. Juros mais altos tornam o dinheiro mais caro de emprestar e reduzem a liquidez no mercado. Criptomoedas são especialmente sensíveis a isso porque dependem de capital especulativo. Quando o dinheiro fica caro, ele sai primeiro dos ativos mais arriscados.
Mas e se a inflação não for controlada? Não seria melhor para o Bitcoin?
Teoricamente, sim. Bitcoin é frequentemente visto como proteção contra inflação. Mas no curto prazo, o aumento de juros causa mais dano do que a inflação oferece proteção. O mercado está reagindo ao risco imediato, não à narrativa de longo prazo.
Então investidores deveriam simplesmente esperar até 2025?
Depende do perfil de cada um. Alguns podem estar esperando por uma queda maior para entrar com preços mais baixos. Outros simplesmente não têm estômago para ver seu capital cair 50% ou mais. Não é uma decisão que a análise técnica pode responder sozinha.