Bets responderam por 36% das receitas de marketing dos 20 maiores clubes em 2025

Dinheiro fácil que agora pode desaparecer rapidamente
As casas de apostas ofereceram receitas inflacionadas aos clubes, mas a proibição anunciada pelo governo ameaça essa fonte de renda.
Mark

Como as casas de apostas conseguiram ficar tão importantes para os clubes em tão pouco tempo?

Mimi

Começou em 2018 quando a legislação autorizou as apostas de quota fixa. Mas o crescimento real foi explosivo nos últimos anos. As bets ofereciam valores que ninguém mais estava oferecendo — dinheiro fácil, sem exigir ações comerciais complexas.

Luke

Mas quando você diz "dinheiro fácil", isso é uma avaliação de Somoggi, certo? Não sabemos se as bets realmente estavam pagando acima do valor de mercado ou se simplesmente estavam dispostas a investir mais agressivamente.

Mark

E esses clubes que anteciparam o dinheiro nos bancos — quantos fizeram isso?

Mimi

A reportagem menciona especificamente Corinthians e São Paulo como exemplos de clubes mais endividados que usaram essa prática. Mas não há um número exato de quantos clubes fizeram antecipações de recebíveis.

Luke

Exatamente. Sabemos que é uma prática que existe e que Somoggi a citou, mas não temos dados sobre a escala. Pode ser que apenas alguns clubes tenham feito isso, ou pode ser mais comum. Não sabemos.

Mark

Se as bets saírem, quem vai ocupar o lugar delas?

Mimi

Bancos, seguradoras, empresas de cartões de crédito, alimentos e montadoras têm capacidade financeira. Mas a questão é o interesse deles em investir no futebol.

Luke

E a reportagem deixa claro que a substituição não será imediata. Os clubes vão precisar encontrar empresas dispostas a pagar pelos mesmos valores, o que provavelmente não vai acontecer rápido.

Mark

Qual é o prazo para o Congresso decidir sobre a medida provisória?

Mimi

120 dias. Se não for aprovada nesse período, a proibição cai.

Luke

Mas isso é importante: a proibição ainda não é lei. É uma medida provisória anunciada a nove dias das eleições. Há incerteza política aqui que a reportagem menciona mas não aprofunda.

  • Bets pagaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 maiores clubes em 2025
  • Representaram 36% das receitas de marketing, chegando a 73% no São Paulo
  • Governo anunciou proibição via medida provisória com prazo de 120 dias para aprovação no Congresso
  • Clubes como Corinthians e São Paulo anteciparam recebíveis em bancos usando contratos de bets como garantia

Bets pagaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios em 2025, representando 36% das receitas de marketing dos maiores clubes, com alguns casos como São Paulo chegando a 73%. Governo Lula anunciou proibição de apostas online via medida provisória, levando casas de apostas a comunicar possível encerramento de contratos com clubes.

Casas de apostas responderam por 36% das receitas de marketing dos 20 maiores clubes brasileiros em 2025, totalizando R$ 1,143 bilhão. Anúncio de proibição pelo governo pode forçar clubes a cortar custos e renegociar patrocínios.

No ano passado, as casas de apostas injetaram R$ 1,143 bilhão nos cofres dos vinte maiores clubes de futebol do Brasil. Esse dinheiro representou 36% de toda a receita que esses times obtiveram com patrocínios e ações comerciais. Em alguns casos, a dependência foi ainda mais profunda: no São Paulo, as bets responderam por quase três quartos de toda a receita de marketing.

Esse crescimento foi rápido. Em 2022, os vinte maiores clubes somavam R$ 1,426 bilhão em receitas de marketing. Três anos depois, esse número havia mais que dobrado, chegando a R$ 3,166 bilhões. As casas de apostas foram responsáveis por boa parte dessa expansão. Em 2024, os patrocínios de bets somavam R$ 618 milhões. Um ano depois, o valor quase dobrou novamente.

A trajetória das bets no futebol começou em 2018, quando a legislação brasileira autorizou as apostas de quota fixa, aquelas em que o apostador já sabe exatamente quanto pode ganhar no momento em que faz a aposta. Desde então, as casas de apostas passaram a aparecer com crescente frequência nas camisas dos clubes, nos estádios, nos materiais promocionais. Segundo Amir Somoggi, diretor da Sports Value, empresa especializada em marketing esportivo, as bets colocaram no mercado valores que outras empresas simplesmente não estavam dispostas a pagar. Ele chama isso de "dinheiro fácil": como tudo é digital, não há necessidade de ações comerciais complexas ou contundentes. As casas de apostas pagam valores inflacionados, muito acima do que o mercado tradicional oferecia.

Mas essa estrutura financeira criou uma vulnerabilidade. Muitos clubes, especialmente os mais endividados como Corinthians e São Paulo, utilizaram esses contratos de patrocínio como garantia para antecipar dinheiro junto aos bancos. O mecanismo é simples: o clube apresenta o contrato assinado com a casa de apostas a uma instituição financeira e recebe parte do dinheiro antes da data prevista, pagando juros pelo adiantamento. Se o contrato for encerrado, o clube perde uma receita que já estava incorporada ao seu orçamento e pode continuar obrigado a pagar os juros bancários sobre um dinheiro que não receberá mais.

Essa vulnerabilidade ganhou urgência na sexta-feira 25 de setembro, quando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a proibição de apostas e jogos virtuais online no país. A decisão será formalizada por meio de uma medida provisória, que precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias para se tornar lei permanente. Imediatamente após o anúncio, as casas de apostas comunicaram aos clubes que patrocinam que os contratos podem ser encerrados caso a proibição seja mantida.

A reação dos clubes foi rápida. Depois de serem avisados pelas bets sobre possíveis mudanças nas regras, clubes e federações divulgaram um manifesto em defesa da manutenção do mercado regulado de apostas. A pressão reflete a realidade financeira: perder essa receita significaria um vazio difícil de preencher rapidamente. Somoggi avalia que uma eventual retirada das bets tenderá a reduzir os valores dos patrocínios em um primeiro momento, justamente porque as casas de apostas ajudaram a elevar os preços pagos pelos espaços comerciais.

Setores como bancos, seguradoras, empresas de cartões de crédito, alimentos e montadoras têm capacidade financeira para investir no futebol e poderiam ocupar parte do espaço deixado pelas bets. Mas a substituição não será imediata. Os clubes terão de encontrar empresas dispostas a pagar pelos mesmos espaços e, em muitos casos, renegociar contratos já existentes. A experiência europeia oferece alguns cenários. Na Itália, uma lei de 2018 proibiu completamente a publicidade e o patrocínio de empresas de apostas no esporte. Na Espanha, regras de 2020 restringiram os contratos de bets e proibiram suas marcas nas camisas dos clubes. Na Inglaterra, a Premier League decidiu voluntariamente retirar as marcas de apostas da frente das camisas a partir do fim da temporada 2025/26. O que acontecerá no Brasil dependerá de como o Congresso Nacional responder à medida provisória e de quanto tempo os clubes terão para se adaptar.

A bet paga esse dinheiro fácil de cotas inflacionadas, pagando muito mais do que vale
— Amir Somoggi, diretor da Sports Value
Você tem um estrangulamento financeiro do clube nesse modelo, porque ele está pagando juros. Se houver um problema, vai ter que cortar custos
— Amir Somoggi, diretor da Sports Value
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