AVC mata 90 mil brasileiros por ano; especialista alerta sobre fatores de risco controláveis

89.490 mortes por acidente vascular cerebral registradas no Brasil em 2025, impactando milhares de famílias.
Envelhecer não é sinônimo de sofrer um AVC
Neurologista ressalta que a idade combinada com fatores controláveis é o que realmente aumenta o risco.
Mark

Por que o AVC continua matando tantas pessoas se sabemos tanto sobre prevenção?

Mimi

Porque saber e fazer são coisas diferentes. Hipertensão, diabetes, sedentarismo — as pessoas conhecem esses riscos, mas não os tratam com seriedade até que seja tarde demais. É fácil ignorar um número alto de pressão arterial quando você se sente bem.

Mark

O especialista disse que envelhecer não é sinônimo de AVC. O que ele quis dizer exatamente?

Mimi

Que a idade sozinha não mata. O que mata é a idade combinada com negligência — com fatores que podiam ter sido controlados. Um idoso que cuida da pressão, não fuma, se move, tem muito menos risco do que alguém de 45 anos hipertenso, sedentário e fumante.

Mark

Então a responsabilidade é individual? Cada pessoa precisa se cuidar?

Mimi

Parcialmente. Mas também é sistêmica. Nem todo mundo tem acesso a medicamentos para controlar pressão ou diabetes. Nem todo mundo tem tempo ou segurança para se exercitar. A prevenção é individual, sim, mas o sistema de saúde precisa torná-la possível.

Mark

Qual é o fator de risco mais perigoso?

Mimi

Hipertensão. É silenciosa, comum, e a maioria das pessoas não sabe que tem ou não trata adequadamente. Você pode ter pressão alta por anos sem sentir nada, até o dia em que sofre um derrame.

Mark

Se alguém está lendo isso agora, o que deveria fazer?

Mimi

Medir a pressão arterial. Conhecer seus números de colesterol e glicose. Se fuma, parar. Se é sedentário, começar a se mover. Não é glamouroso, mas é o que funciona.

  • O Brasil perdeu 89.490 pessoas para o AVC apenas em 2025, tornando a doença uma das maiores emergências de saúde pública do país.
  • O envelhecimento populacional pressiona os números para cima, mas especialistas alertam que a combinação de doenças crônicas não tratadas e estilo de vida sedentário é o verdadeiro acelerador da crise.
  • O AVC não respeita faixa etária: pessoas aos 40 anos enfrentam o mesmo risco que idosos quando fatores como hipertensão e diabetes permanecem fora de controle.
  • A medicina aponta um caminho concreto — controle da pressão arterial, abandono do cigarro, movimento corporal e cuidado com o coração — como estratégia capaz de salvar milhares de vidas por ano.

A cada ano, o Brasil enterra quase 90 mil pessoas levadas pelo acidente vascular cerebral — um número que, em 2025, chegou a 89.490 vidas. O neurologista Rubens José Gagliardi nos lembra que, embora o envelhecimento da população amplie o risco, a maior parte dos fatores que conduzem ao AVC — hipertensão, diabetes, sedentarismo, tabagismo — não é destino, mas escolha. Há uma promessa silenciosa nessa tragédia: muitas dessas mortes poderiam ser evitadas, e ainda podem.

No ano passado, o Brasil perdeu 89.490 pessoas para o acidente vascular cerebral. Por trás desse número estão famílias transformadas para sempre, hospitais sobrecarregados e vidas interrompidas antes do tempo. O que torna a cifra ainda mais pesada é a consciência de que muitas dessas mortes eram evitáveis.

O neurologista Rubens José Gagliardi, professor da Santa Casa de São Paulo, conhece bem essa realidade. Ele reconhece que o envelhecimento da população contribui para o aumento dos casos — vivemos mais do que nossos avós, e isso naturalmente traz consigo doenças associadas à idade avançada. Mas Gagliardi é enfático: envelhecer não é uma sentença de morte por derrame.

A equação perigosa é outra: idade somada a fatores de risco controláveis. Hipertensão descontrolada, diabetes negligenciada, colesterol elevado, excesso de peso, tabagismo, sedentarismo e problemas cardíacos formam um conjunto de vilões que podem ser enfrentados. O especialista observa que o Brasil sempre conviveu com uma carga pesada de mortes por AVC, mas o contexto piorou: mais idosos, mais doenças crônicas, mais pessoas sedentárias e com sobrepeso. Esse cenário faz com que o risco não respeite idade — um AVC pode atingir alguém aos 40 anos tanto quanto aos 80.

A mensagem que Gagliardi quer ver ecoar além dos consultórios é direta: o AVC não é uma fatalidade da velhice, mas o resultado de circunstâncias que, em grande medida, podem ser modificadas. Controlar a pressão, cuidar do diabetes, mover o corpo, abandonar o cigarro — essas ações não eliminam o risco, mas o reduzem drasticamente. E quando se fala de 90 mil vidas por ano, reduzir drasticamente significa salvar milhares de pessoas.

No ano passado, o Brasil perdeu quase 90 mil pessoas para o acidente vascular cerebral. Esse número — 89.490 mortes em 2025 — não é apenas uma estatística. Representa famílias que acordaram um dia e nunca mais foram as mesmas, hospitais sobrecarregados, vidas interrompidas no meio do caminho. E o que torna a cifra ainda mais pesada é que muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas.

Rubens José Gagliardi, neurologista e professor da Santa Casa de São Paulo, conhece bem essa realidade. Quando se fala em AVC no Brasil, ele não vê apenas números em um relatório. Vê a complexidade por trás deles. Sim, a população está envelhecendo. Sim, vivemos mais anos do que nossos avós. E sim, isso naturalmente traz consigo um aumento nas doenças que acompanham a idade avançada. Mas aqui está o ponto que Gagliardi quer deixar claro: envelhecer não é uma sentença de morte por derrame cerebral.

O que realmente importa é a combinação. Idade mais fatores de risco — essa é a equação perigosa. E aqui está a boa notícia escondida dentro da má notícia: muitos desses fatores estão ao nosso alcance. Hipertensão descontrolada, diabetes negligenciada, colesterol nas alturas, excesso de peso, cigarro, sofá em vez de movimento, problemas no coração. Esses são os vilões que podemos enfrentar. Não são inevitáveis. Não são destino.

Gagliardi observa que esses números altos não são novidade. O Brasil sempre conviveu com uma carga pesada de mortes por AVC. Mas o contexto mudou. Temos mais idosos agora, é verdade. Temos mais pessoas vivendo com doenças crônicas. Temos mais pessoas sedentárias, mais pessoas com sobrepeso, mais pessoas fumando. A combinação desses fatores cria um cenário onde o risco de um acidente vascular cerebral não respeita idade — pode atingir alguém aos 40 anos tanto quanto aos 80.

O que o especialista traz à tona é uma mensagem que precisa ecoar além dos consultórios: o AVC não é uma fatalidade da velhice. É o resultado de escolhas e circunstâncias que, em grande medida, podem ser modificadas. Controlar a pressão arterial, manter o diabetes sob controle, cuidar do colesterol, mover o corpo, abandonar o cigarro, cuidar do coração — essas ações não garantem que alguém nunca sofrerá um derrame, mas reduzem drasticamente as chances. E quando se fala de 90 mil vidas por ano, reduzir drasticamente as chances significa salvar milhares de pessoas.

Esses números sempre foram altos
— Rubens José Gagliardi, neurologista e professor da Santa Casa de São Paulo
Envelhecer não é sinônimo de sofrer um AVC. O problema está na combinação entre idade e fatores de risco — muitos deles controláveis
— Rubens José Gagliardi
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