100% da política monetária precisa ser independente de influência política
No coração da maior economia do mundo, uma tensão antiga se renova: um presidente que deseja juros mais baixos e um banco central que resiste à pressão política. Kevin Hassett, assessor econômico da Casa Branca e possível sucessor de Jerome Powell, declarou publicamente que a política monetária do Federal Reserve deve ser inteiramente livre de influência política — inclusive a do próprio Trump. A declaração revela uma contradição que transcende o momento: é possível defender a independência de uma instituição enquanto se participa ativamente do esforço de moldar quem a lidera?
- Trump pressiona o Fed por cortes de juros mais agressivos, enxergando na política monetária uma alavanca de alívio econômico e capital político imediato.
- A tentativa de remover a diretora Lisa Cook gerou batalhas judiciais e acendeu o debate sobre os limites constitucionais do poder presidencial sobre o banco central.
- Hassett surpreende ao afirmar publicamente que 100% da política monetária do Fed deve ser independente de influência política — mesmo a de seu próprio chefe.
- Powell sinalizou possíveis cortes em setembro, mas a disputa real é sobre velocidade e tamanho: o que Trump quer é pressa; o que o Fed teme é a volta da inflação.
- Com o mandato de Powell encerrando em maio de 2026, Trump já articula sucessores — Hassett, Warsh e Waller — tornando a escolha do próximo presidente do Fed um momento decisivo para a autonomia institucional.
Kevin Hassett, assessor econômico da Casa Branca e um dos nomes cogitados para presidir o Federal Reserve, fez uma declaração incomum no domingo passado. Em entrevista à CBS, afirmou que a política monetária do Fed deve ser completamente independente de influência política — inclusive do presidente Trump. A fala soou como resposta direta às crescentes tensões entre a Casa Branca e o banco central americano.
Essas tensões se organizam em dois eixos. O primeiro é a política de juros: Trump quer cortes mais rápidos e agressivos, argumentando que a lentidão de Powell prejudica a economia e o mercado de trabalho. Powell, por sua vez, sinalizou possíveis reduções em setembro, mas o Fed teme que a pressa comprometa sua credibilidade e reacenda a inflação. O segundo eixo é o controle sobre quem ocupa as cadeiras de poder da instituição: Trump tentou remover a diretora Lisa Cook, indicada por Biden, gerando disputas judiciais e intensificando o debate sobre os limites da autoridade presidencial sobre o banco central.
Com o mandato de Powell se encerrando em maio de 2026, Trump já movimenta peças para a sucessão. Hassett, Kevin Warsh e Christopher Waller são os nomes em discussão. A escolha será um teste: revelará se Trump conseguirá moldar o Fed conforme seus interesses de curto prazo, ou se a independência da instituição resistirá.
A declaração de Hassett, portanto, vai além de um princípio abstrato. Ela expõe uma contradição viva: como defender a autonomia do banco central enquanto se trabalha para influenciar quem o comanda? Mesmo entre os aliados de Trump, parece haver consciência de que uma instituição monetária capturada politicamente perde aquilo que a torna útil — sua credibilidade.
Kevin Hassett, o assessor econômico da Casa Branca que figura entre os nomes cogitados para presidir o Federal Reserve, fez uma declaração surpreendente no domingo passado. Em entrevista ao programa Face the Nation, da CBS, ele afirmou que a instituição deve gozar de completa independência — inclusive em relação ao presidente Trump, seu próprio chefe. "Eu diria que 100% da política monetária do Federal Reserve precisa ser completamente independente de influência política", disse Hassett, numa fala que ecoa como resposta às crescentes tensões entre a Casa Branca e o banco central americano.
Essas tensões giram em torno de dois eixos principais: a condução da política de juros e o controle sobre quem senta nas cadeiras de poder do Fed. Trump tem pressionado por cortes de taxa mais agressivos, acusando o presidente Jerome Powell de agir com lentidão demais diante dos sinais de desaceleração econômica e enfraquecimento do mercado de trabalho. Para o presidente, juros menores significam alívio econômico imediato e ganhos políticos. Powell, por sua vez, sinalizou que pode reduzir as taxas em setembro, mas a questão que divide analistas é o tamanho e o ritmo dessa redução. O que Trump quer é velocidade; o que o Fed teme é comprometer sua reputação e permitir que a inflação ressurja.
Mas a disputa vai além dos números. Trump já tentou influenciar diretamente a composição do conselho do Fed, buscando remover a diretora Lisa Cook, indicada pelo presidente anterior Joe Biden. A tentativa gerou batalhas judiciais e intensificou o debate sobre até onde vai a autoridade presidencial sobre uma instituição que, por desenho constitucional, deveria estar blindada de pressões políticas imediatas.
O mandato de Powell se estende até maio de 2026, mas Trump já está movimentando peças no tabuleiro. Hassett é um dos três nomes em discussão para sucedê-lo. Os outros são Kevin Warsh, ex-funcionário do banco central, e Christopher Waller, diretor do Federal Reserve. A escolha do próximo presidente do Fed será um momento crítico: sinalizará se Trump conseguirá moldar a instituição conforme seus interesses econômicos de curto prazo, ou se a independência do banco central — um pilar das economias modernas — conseguirá resistir.
A declaração de Hassett, portanto, não é apenas uma afirmação de princípios. É também um sinal de que, mesmo entre os nomes próximos a Trump, há consciência de que uma instituição monetária capturada politicamente perde credibilidade e efetividade. O dilema, porém, permanece: como defender a independência do Fed enquanto se trabalha para influenciar quem o comanda?
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100% da política monetária do Federal Reserve precisa ser completamente independente de influência política— Kevin Hassett, assessor econômico da Casa Branca
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Por que Hassett faria essa declaração agora, se trabalha para Trump e é cotado para o cargo?
Porque a credibilidade do Fed depende de parecer imune a pressão política. Se Hassett quer o cargo, precisa convencer mercados e Congresso de que respeitará a autonomia da instituição.
Mas Trump está claramente tentando controlar o Fed através da composição do conselho.
Exatamente. Há uma contradição performática aqui. Hassett fala de independência enquanto Trump age para capturar a instituição. É uma tentativa de manter as aparências.
E se Powell realmente cortar juros em setembro? Isso resolve a tensão?
Não. Um corte pequeno deixa Trump insatisfeito. Um corte grande alimenta suspeitas de que o Fed cedeu à pressão. Qualquer movimento agora será interpretado politicamente.
Então a independência do Fed está realmente em risco?
Está sendo testada. A questão é se Powell e seus sucessores conseguem resistir, ou se a próxima década verá um Fed cada vez mais alinhado aos interesses presidenciais.