Dois dos indicados estão entre os quatro árbitros mais rejeitados
Raphael Claus, Wilton Pereira Sampaio e Edina Alves representam o Brasil na disputa pelo prêmio da IFFHS, com resultado em 10 de dezembro. Pesquisa AtlasIntel revela que dois dos indicados estão entre os árbitros mais rejeitados pela torcida, enquanto Edina lidera índices de imagem positiva.
- Raphael Claus, Wilton Pereira Sampaio e Edina Alves disputam prêmio da IFFHS, resultado em 10 de dezembro
- 77% dos torcedores consideram a arbitragem brasileira pouco ou nada confiável
- Wilton tem 27% de rejeição, Claus tem 24%, enquanto Edina lidera com 25% de imagem positiva
- Pesquisa AtlasIntel ouviu 1.618 torcedores entre 6 e 10 de outubro de 2025
Três árbitros brasileiros disputam prêmio internacional de melhor árbitro em 2025, enquanto pesquisa mostra que 77% dos torcedores consideram a arbitragem pouco confiável.
Três árbitros brasileiros estão concorrendo ao prêmio de melhor árbitro do mundo em 2025, concedido pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol. Raphael Claus, Wilton Pereira Sampaio e Edina Alves Batista — todos certificados pela Fifa — representam o país na disputa internacional. O resultado será anunciado em 10 de dezembro. É um reconhecimento que chega em um momento delicado: a arbitragem brasileira enfrenta uma onda de críticas durante a temporada, e a confiança do público está abalada.
Claus e Wilton já dirigiram jogos na Copa do Mundo de 2022, no Catar, e ambos estão pré-convocados para o Mundial de 2026. Edina, por sua vez, é um marco na história da arbitragem do país — a mulher que mais apitou partidas do Campeonato Brasileiro e com passagens pela Copa do Mundo Feminina e pelos Jogos Olímpicos. Sua indicação ao prêmio internacional reconhece uma carreira de destaque em um campo que, historicamente, foi dominado por homens.
Mas há uma desconexão notável entre o reconhecimento internacional e a percepção dos torcedores brasileiros. Uma pesquisa da AtlasIntel realizada entre 6 e 10 de outubro de 2025, em parceria com o Globo Esporte, ouviu 1.618 torcedores de todas as regiões do país. O resultado é contundente: 77% consideram a arbitragem "nada" ou "pouco confiável". Dentro desse cenário de desconfiança generalizada, alguns árbitros sofrem rejeição muito maior que outros.
Ramon Abatti Abel lidera a lista de rejeição, com 38% de imagem negativa. Logo atrás vem Wilton Pereira Sampaio — um dos indicados ao prêmio internacional — com 27% de rejeição. Anderson Daronco aparece em terceiro lugar com 25%, seguido por Raphael Claus, também indicado, com 24%. Dois dos três representantes brasileiros na disputa mundial estão, portanto, entre os quatro árbitros com as piores imagens segundo a torcida. A pesquisa também avaliou a percepção de erros: Wilton aparece em quarto lugar na categoria "Erra sempre" com 35% de desaprovação, enquanto Claus fica em quinto com 34%.
Claus apresenta um padrão curioso — aparece simultaneamente em rankings negativos e positivos. Está presente em ambos os Top 5 de imagem negativa, mas também figura em terceiro lugar no ranking de imagem positiva, com 24% dos votos. É uma ambiguidade que reflete divisão clara entre diferentes grupos de torcedores.
Edina Alves Batista é a exceção entre os indicados. Ela é a segunda com a imagem mais positiva entre todos os 30 árbitros avaliados, ficando atrás apenas de Anderson Daronco com 31% contra seus 25%. No quesito desempenho, Edina também se destaca, apresentando a maior variação positiva na percepção de acertos em comparação com a média geral do grupo. Apenas quatro dos 30 árbitros conseguiram ter a imagem positiva como categoria majoritária: Anderson Daronco, Edina Alves Batista, Raphael Claus e Bráulio da Silva Machado.
O contraste é revelador. Enquanto a arbitragem brasileira enfrenta uma crise de confiança — com três quartos dos torcedores duvidando de sua confiabilidade — o mundo reconhece três de seus árbitros como candidatos ao melhor do planeta. Dois desses candidatos, porém, carregam rejeição significativa do público doméstico. Edina, por outro lado, consegue ser tanto reconhecida internacionalmente quanto apreciada pelos torcedores brasileiros, sugerindo que excelência técnica e aceitação popular não são necessariamente incompatíveis. A decisão da IFFHS em dezembro dirá se o reconhecimento internacional prevalece sobre as dúvidas que cercam a arbitragem brasileira neste momento.
Notable Quotes
A arbitragem brasileira enfrenta uma onda de críticas durante a temporada, e a confiança do público está abalada— Contexto da pesquisa AtlasIntel
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como é possível que dois árbitros indicados ao melhor do mundo estejam entre os mais rejeitados pela torcida brasileira?
Porque a rejeição não é universal. Wilton e Claus têm imagens polarizadas — alguns torcedores os veem como competentes, outros como problemáticos. Mas a média geral deles é negativa, enquanto a IFFHS avalia por critérios técnicos internacionais, que podem ser bem diferentes.
E Edina consegue ser querida pelos torcedores e indicada ao prêmio ao mesmo tempo. O que ela faz diferente?
Edina tem consistência. Ela não aparece nos rankings de rejeição, e quando aparece em avaliações de desempenho, está no topo positivo. Não há ambiguidade em torno dela — os torcedores confiam mais em suas decisões.
A pesquisa mostra que 77% dos torcedores não confiam na arbitragem. Isso não deveria desqualificar todos os indicados?
Não necessariamente. A desconfiança é estrutural, afeta a categoria toda. Mas dentro dessa desconfiança, há diferenças. Edina prova que é possível ser árbitro brasileiro e ter credibilidade. Os outros dois mostram que técnica internacional nem sempre convence o público local.
Claus aparece em terceiro lugar tanto em imagem negativa quanto positiva. Como isso é possível?
Porque a torcida está dividida sobre ele. Alguns o veem como competente, outros como problemático. Ele não tem uma imagem consolidada — é contestado, mas também tem defensores. É a ambiguidade mais clara da pesquisa.
O que muda se um deles ganhar o prêmio em dezembro?
Muda a narrativa. Se Edina ganhar, reforça que qualidade técnica e confiança pública podem caminhar juntas. Se Claus ou Wilton ganharem, a contradição fica ainda mais evidente — o mundo reconhecendo o que a torcida brasileira questiona.