Em uma quinta-feira de outubro, quando a poeira da votação ainda não havia assentado, Israel se viu diante de um espelho incômodo: nenhum dos grandes campos alcançou a maioria de 61 cadeiras, e a balança passou às mãos de partidos árabes que a política israelense por décadas manteve à margem. A contagem quase completa desenha um país dividido em quase partes iguais, em que a pergunta sobre quem governará depende menos das urnas do que da disposição de seus atores em se sentarem à mesma mesa. Como tantas vezes na história das democracias, o resultado não decide o futuro, apenas o abre para a ne
Apuração quase concluída confirma impasse nas eleições em Israel e dá poder decisivo aos partidos árabes
Nenhum bloco chega perto dos 61 assentos necessários para a maioria
Se ninguém chega a 61, por que os partidos árabes ganham tanto peso?
Porque, com 53 e 48 cadeiras, os 19 assentos de Ra'am e Lista Conjunta são o maior bloco que falta para qualquer um tentar fechar maioria.
E o recorde de comparecimento árabe pesa nisso?
Pesa. Os eleitores foram às urnas na esperança de tirar Netanyahu e seus aliados de extrema direita do poder.
Cuidado: ter poder potencial não é ter poder real. Os principais partidos da oposição já descartaram cooperar com as legendas árabes.
Então o cenário de decisão árabe pode não acontecer?
Pode não acontecer. A reportagem confirma a aritmética, não a disposição de ninguém em negociar.
Ainda há os votos em envelopes duplos, entre 430 mil e 480 mil, de militares, presos e diplomatas.
E não sabemos quanto isso muda. A fonte diz apenas que pode alterar a distribuição das cadeiras.
O que acontece depois?
Herzog consulta as facções e indica quem tem mais chances de formar governo. Pode levar semanas.
E, se falhar, novas eleições são possibilidade, não previsão.
Der Puls
- Com 99,9% das urnas apuradas, Netanyahu tem 53 cadeiras e a oposição 48, ambos distantes das 61 necessárias.
- Ra'am e Lista Conjunta somam um recorde de 19 cadeiras e tornam-se peça decisiva, sem que ninguém admita aliança com elas.
- Cerca de 430 mil a 480 mil votos em envelopes duplos, de militares, presos e diplomatas, ainda podem redesenhar a divisão.
- O presidente Isaac Herzog deve iniciar consultas e indicar um líder, num processo que pode levar semanas.
- Se nenhum acordo se firmar, Israel caminha para novas eleições, com o impasse ainda longe de uma solução.
Em uma quinta-feira de outubro, quando a poeira da votação ainda não havia assentado, Israel se viu diante de um espelho incômodo: nenhum dos grandes campos alcançou a maioria de 61 cadeiras, e a balança passou às mãos de partidos árabes que a política israelense por décadas manteve à margem. A contagem quase completa desenha um país dividido em quase partes iguais, em que a pergunta sobre quem governará depende menos das urnas do que da disposição de seus atores em se sentarem à mesma mesa. Como tantas vezes na história das democracias, o resultado não decide o futuro, apenas o abre para a negociação.
Na quinta-feira, dois dias após a ida às urnas, a contagem chegou a 99,9% dos votos e o quadro se mostrou praticamente fechado: nenhum dos dois grandes blocos chega perto das 61 cadeiras necessárias para uma maioria no Parlamento. O Comitê Eleitoral Central divulgou os números: o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deve ficar com 53 cadeiras, e a oposição, liderada por Gadi Eisenkot, do partido Yashar, com 48. A diferença entre eles é pequena, mas a distância de ambos até a maioria é grande.
Nesse vão aparecem os partidos de maioria árabe, Ra'am e Lista Conjunta, que somam 19 cadeiras, recorde histórico e uma posição potencialmente decisiva para o próximo governo. O dado vem acompanhado de outra novidade: eleitores árabes compareceram em número recorde, com a esperança de afastar Netanyahu e seus aliados da extrema direita.
O mapa ainda pode se mover. Entre 430 mil e 480 mil votos em envelopes duplos, de militares, presos e diplomatas no exterior, estão em apuração e podem alterar a distribuição final das cadeiras.
Mesmo assim, o obstáculo político permanece. Os principais partidos de oposição descartaram cooperar com as legendas árabes, o que deve transformar a formação do governo em dias, talvez semanas, de negociações. Agora cabe ao presidente Isaac Herzog ouvir as facções e indicar quem tem melhores condições de formar uma coalizão. Se as tentativas fracassarem, Israel poderá ser levado a novas eleições.
Na quinta-feira (29), dois dias depois de os israelenses irem às urnas, a contagem chegou a 99,9% dos votos apurados e o quadro se mostrou praticamente fechado: nenhum dos dois grandes blocos políticos está perto das 61 cadeiras necessárias para formar maioria no Parlamento.
Os números foram divulgados pelo Comitê Eleitoral Central. O bloco liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deve ficar com 53 cadeiras. O bloco de oposição, comandado por Gadi Eisenkot, presidente do partido Yashar, deve conquistar 48. A distância entre os dois é pequena, mas a distância de ambos até a maioria é grande.
É nesse intervalo que entram os partidos predominantemente árabes, o Ra'am e a Lista Conjunta. Juntos, devem somar 19 cadeiras, um recorde, o que os coloca em posição potencial de decidir a formação do próximo governo. O resultado vem acompanhado de outro dado inédito: eleitores árabes compareceram em número recorde às urnas na terça-feira, com a esperança de tirar Netanyahu e seus aliados de extrema direita do poder.
O mapa, porém, ainda pode mudar. Na quinta-feira, as autoridades avançaram na contagem dos votos depositados em envelopes duplos, que somam entre 430 mil e 480 mil cédulas. A maior parte vem de eleitores que não puderam votar nos locais designados, como militares, presos e diplomatas no exterior. A apuração desses votos pode alterar a distribuição final das cadeiras entre os partidos.
Mesmo que a redistribuição seja pequena, o obstáculo político permanece. A formação do próximo governo deve exigir dias de negociações, já que nenhum bloco tem maioria e os principais partidos da oposição descartaram cooperar com as legendas árabes. Sem um acordo que reúna apoio suficiente no Parlamento, o impasse pode se prolongar.
O passo seguinte cabe ao presidente Isaac Herzog. Depois da confirmação dos resultados, ele fará consultas com as facções políticas e indicará o líder que, em sua avaliação, tem melhores condições de formar um governo. O processo pode levar semanas. Se as tentativas fracassarem, Israel poderá ter de realizar novas eleições.
Bemerkenswerte Zitate
O presidente Isaac Herzog fará consultas com as facções e indicará quem tem melhores condições de formar governo; o processo pode levar semanas.— Valor Econômico, sobre o rito pós-eleição em Israel