Apresentadora egípcia condenada à morte nega tráfico de drogas: 'Nunca fumei cigarro'

Sarah Khalifa foi condenada à morte por enforcamento, assim como outros 11 réus; ela alega ser inocente e sofrer de câncer.
Juro por Deus que sou inocente — por que vocês vão me julgar?
Sarah Khalifa reagiu na cela dos réus ao receber a sentença de morte, negando todas as acusações.
Mark

Como uma apresentadora de um programa sobre segurança pública acaba envolvida em um esquema de tráfico de drogas?

Mimi

É uma das ironias mais perturbadoras do caso. Khalifa era conhecida justamente por discutir crimes e segurança na televisão. Mas as autoridades alegam que ela estava operando laboratórios clandestinos, importando matérias-primas do exterior e distribuindo drogas sintéticas.

Luke

Mas espera — a gente sabe realmente o que ela fez? O tribunal apresentou provas digitais, mensagens, vídeos. Mas quantas dessas provas a conectam diretamente a ela, e quantas conectam apenas o grupo?

Mimi

Boa pergunta. A acusação apresentou depoimentos de 20 testemunhas e provas técnicas. Mas os detalhes específicos do que cada pessoa fez não estão todos públicos.

Mark

E quanto às alegações dela de inocência? Ela diz que tem câncer, que nunca fumou um cigarro sequer.

Mimi

Ela nega tudo. Apresentou laudos médicos comprovando o câncer. Mas negar envolvimento com drogas é o que praticamente todo acusado faz.

Luke

Verdade. Mas há algo que me incomoda: por que o Grande Mufti precisava aprovar a sentença? Isso sugere que há questões religiosas ou políticas envolvidas, não apenas jurídicas.

Mimi

No Egito, em casos de pena de morte, a opinião da maior autoridade religiosa é consultada. É parte do processo legal. Ayyad concordou com o enforcamento.

Mark

Ela pode recorrer, certo?

Mimi

Sim. Pode ir ao Tribunal de Cassação, a instância mais alta. Mas as chances de reverter uma condenação por tráfico de drogas no Egito são historicamente baixas.

Luke

E há ainda o outro caso — sequestro e agressão. Vídeos no celular dela capturando sua voz enquanto outras pessoas agridem alguém. Isso é separado, mas muda a narrativa.

Mark

Então ela enfrenta duas condenações completamente diferentes.

Mimi

Exatamente. Uma por tráfico, outra por violência. São dois processos, duas realidades diferentes.

  • Sarah Khalifa, 39 anos, apresentadora do programa 'Missão Impossível', condenada à morte por enforcamento
  • Mais de 750 kg de narcóticos apreendidos em dois apartamentos usados como laboratório
  • 12 réus condenados à morte, 9 à prisão perpétua, 7 absolvidos
  • 541 sentenças de morte emitidas no Egito em 2025
  • Pode recorrer ao Tribunal de Cassação, a mais alta instância judicial criminal do Egito

Sarah Khalifa, conhecida pelo programa policial 'Missão Impossível', foi condenada junto com outros 11 réus à pena capital por tráfico de drogas. Autoridades apreenderam mais de 750 kg de narcóticos em dois apartamentos usados como laboratório; acusação apresentou depoimentos de 20 testemunhas e provas digitais.

Sarah Khalifa, apresentadora de TV egípcia de 39 anos, foi condenada à morte por enforcamento por envolvimento em esquema de fabricação e tráfico de drogas sintéticas. Ela nega as acusações e pode recorrer da sentença.

Sarah Khalifa tinha 39 anos e era conhecida em todo o Egito por apresentar um programa de televisão chamado "Missão Impossível", onde discutia segurança pública e crimes. Ela também era dona de uma clínica de cirurgia cosmética e de uma empresa de produção de eventos. No sábado, 5 de setembro, um tribunal criminal do Cairo a condenou à morte por enforcamento. Junto com ela, outros 11 réus receberam a mesma sentença. A acusação: envolvimento em um esquema de fabricação e tráfico de drogas sintéticas.

Segundo a investigação, o grupo operava em dois apartamentos que funcionavam como laboratórios clandestinos. Autoridades apreenderam mais de 750 quilogramas de narcóticos e matérias-primas nesses locais. A acusação sustentava que os membros da organização não apenas fabricavam as drogas sintéticas, mas também importavam os materiais do exterior. Cada pessoa no grupo tinha funções específicas: alguns cuidavam da importação, outros da produção, outros da distribuição. Para fundamentar a condenação, os promotores apresentaram depoimentos de 20 testemunhas, além de provas técnicas e digitais — mensagens, fotografias e vídeos que, segundo as autoridades, documentavam as atividades do grupo.

Quando soube da sentença, Khalifa reagiu na cela dos réus. Ela negou todas as acusações e apelou para a compaixão do tribunal. "Eu comprovei com laudos médicos que tenho tumores, tenho câncer, e peço misericórdia e humanidade. Juro por Deus Todo-Poderoso que sou inocente, por que vocês vão me julgar? Por minha lealdade ao povo? Eu nem fumo cigarros!", declarou, segundo relatos da mídia egípcia e um vídeo que circulou nas redes sociais. Ela alegava problemas graves de saúde, incluindo câncer, e insistia que não tinha qualquer envolvimento com drogas.

O veredito não foi uma decisão simples do tribunal. Antes de ser anunciado, o caso foi submetido ao Grande Mufti do Egito, a maior autoridade religiosa do país. O cargo é atualmente ocupado por Dr. Nazir Mohammed Ayyad, que emite pareceres jurídicos islâmicos em casos sensíveis envolvendo pena de morte. Ayyad concordou com o enforcamento após um mês da sentença inicial. Além de Khalifa e dos outros 11 condenados à morte, o tribunal também sentenciou nove réus à prisão perpétua e absolveu sete de todas as acusações.

No Egito, a pena de morte é aplicada em casos de homicídio premeditado, terrorismo, estupro e tráfico de drogas. Em 2025, 541 decisões desse tipo foram emitidas no país, de acordo com a Comissão Egípcia de Direitos e Liberdades. Khalifa, porém, ainda não esgotou suas opções legais. Ela pode recorrer da decisão. Seu advogado já anunciou que ela fará uma apelação contra a pena capital. Ela e os demais condenados têm o direito de recorrer ao Tribunal de Cassação, a mais alta instância judicial criminal do Egito, que pode manter, modificar ou anular a sentença proferida pelo Tribunal Criminal do Cairo.

Além do caso de tráfico de drogas, Khalifa enfrenta outro processo judicial que também atraiu atenção da imprensa local. Ela e comparsas foram condenados a cinco anos de prisão por sequestro e agressão a um jovem. Segundo investigações, autoridades encontraram vídeos no celular da apresentadora que documentavam o crime. As gravações capturam sua voz enquanto outras pessoas agridem o homem para forçá-lo a confessar informações. Essa condenação foi julgada em um caso separado.

Eu comprovei com laudos médicos que tenho tumores, tenho câncer, e peço misericórdia e humanidade. Juro por Deus Todo-Poderoso que sou inocente
— Sarah Khalifa, em reação à sentença
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