Aposentada perde R$ 37 milhões em golpe de falsa plataforma de investimentos

Mulher de 70 anos perdeu R$ 37 milhões em herança e economias acumuladas, com 140 outras vítimas identificadas em todo o Brasil.
Seis meses de convencimento até transferir tudo para o nada
A vítima ignorou avisos de seu corretor e migrou seu patrimônio inteiro para uma plataforma fraudulenta ao longo de meio ano.
Mark

Como uma mulher com experiência em investimentos caiu em um golpe assim?

Mimi

Ela tinha perfil agressivo, buscava rentabilidades altas. Os criminosos exploram exatamente isso — oferecem retornos que parecem plausíveis para quem já investe, mas acima do mercado. E fazem isso lentamente, ao longo de meses, ganhando confiança.

Mark

Seu corretor tentou avisar?

Mimi

Sim, repetidas vezes. Mas depois de seis meses sendo convencida, ela sacou tudo de uma corretora legítima e transferiu para a plataforma falsa. O corretor não conseguiu detê-la.

Mark

Por que a polícia chamou de "pig butchering"?

Mimi

Porque é exatamente isso — você engorda o porco lentamente, ganhando sua confiança, aumentando os valores, até que finalmente o abate. Os criminosos não roubam tudo de uma vez. Fazem parecer que está funcionando.

Mark

Quantas pessoas caíram nisso?

Mimi

Identificaram 140 vítimas no Brasil. E os números de movimentação são enormes — 30 bilhões em transações suspeitas. Uma instituição movimentou 295 milhões em um único dia.

Mark

Como conseguiram movimentar tanto dinheiro?

Mimi

Tinham uma gerente de um banco tradicional grande ajudando a abrir contas. Ela pulverizava o dinheiro em uma primeira camada, dificultando o rastreamento. Também tinham donos de instituições de criptomoedas na rede.

Mark

E agora?

Mimi

A operação prendeu vários suspeitos, mas a mulher perdeu 37 milhões. Não há recuperação fácil para isso.

  • Uma mulher experiente em investimentos ignorou repetidos alertas de seu corretor oficial e transferiu todo o seu patrimônio para uma plataforma que simplesmente não existia.
  • A fraude, conhecida como 'pig butchering', opera com paciência cirúrgica: meses de convencimento gradual antes de desaparecer com tudo.
  • A Operação Criptoabate cumpriu 90 ordens judiciais em três estados, prendendo donos de financeiras, dois estrangeiros e uma gerente de banco que abria contas para ocultar o dinheiro roubado.
  • O volume financeiro expõe a dimensão industrial do esquema: uma única empresa movimentou 295 milhões de reais em um só dia, e o total suspeito chega a 30 bilhões de reais.
  • A polícia alerta: promessas de rentabilidade fora do padrão de mercado e pedidos de novos depósitos para 'liberar' valores são sinais clássicos de armadilha.

Uma aposentada de 70 anos no Rio Grande do Sul viu 37 milhões de reais — herança e décadas de poupança — desaparecerem em seis meses nas mãos de uma organização criminosa que se disfarçava de corretora legítima. O caso, deflagrado pela Operação Criptoabate em agosto de 2026, revela como a confiança e a ambição por rentabilidade podem ser armadilhas tão perigosas quanto qualquer violência visível. Com 140 vítimas identificadas e 30 bilhões de reais em transações suspeitas, o episódio nos lembra que o crime moderno não bate à porta — ele seduz pela tela.

Uma aposentada de 70 anos do Rio Grande do Sul perdeu 37 milhões de reais — fruto de herança e investimentos acumulados ao longo da vida — ao ser convencida, ao longo de seis meses, a transferir tudo para a TDASX, uma empresa que se apresentava como corretora mas funcionava apenas como fachada criminosa. Seu corretor em uma instituição financeira legítima tentou detê-la repetidas vezes, alertando contra os riscos. Ela ignorou os avisos e sacou todo o patrimônio.

A vítima tinha perfil agressivo de investidora, sempre em busca de rentabilidades maiores — exatamente o tipo de pessoa que os criminosos buscam. O esquema é conhecido internacionalmente como 'pig butchering', ou 'golpe do abate de porcos', originado no sudeste asiático em países como Laos, Camboja e Mianmar. A lógica é a de engordar lentamente a presa antes do abate: construir confiança, aumentar os valores investidos e, no momento certo, desaparecer com tudo.

Na quinta-feira, 13 de agosto de 2026, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou a Operação Criptoabate, cumprindo 90 ordens judiciais em três estados. Entre os presos estão três donos de instituições financeiras especializadas em criptomoedas, dois estrangeiros e uma gerente de banco tradicional que abria contas para pulverizar o dinheiro roubado e dificultar o rastreamento.

A escala da operação impressiona: uma única financeira investigada movimentou 295 milhões de reais em um único dia, outra empresa em São Paulo registrou 500 milhões em movimentações atípicas, e o total de transações suspeitas ligadas aos investigados soma 30 bilhões de reais. Ao todo, 140 possíveis vítimas foram identificadas em todo o Brasil. A TDASX encerrou as atividades após o início das investigações.

Uma mulher de 70 anos, aposentada no Rio Grande do Sul, transferiu 37 milhões de reais para criminosos ao longo de seis meses. O dinheiro veio de uma herança que ela havia recebido, somado aos ganhos que havia acumulado em investimentos legítimos ao longo dos anos. Seu corretor de uma instituição financeira regular tentou detê-la repetidas vezes, desaconselhando os aportes em ativos de alto risco. Ela ignorou os avisos e sacou tudo, migrando seu patrimônio inteiro para uma plataforma de investimentos que não existia de verdade.

A vítima tinha perfil de investidora experiente e agressiva, sempre buscando rentabilidades maiores. Isso a tornou alvo perfeito. Durante seis meses, foi convencida gradualmente a transferir seus recursos para a TDASX, uma empresa que se apresentava como corretora legítima mas que funcionava apenas como fachada para roubo. Na quinta-feira 13 de agosto, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou a Operação Criptoabate, desmantelando a rede criminosa por trás do esquema. O Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) havia investigado o caso.

O delegado Eibert Moreira, chefe do departamento de crimes cibernéticos, explicou como funcionava a manipulação. O corretor da vítima sempre a orientava contra investimentos tão arriscados, mas ela acabou retirando todo seu dinheiro daquela corretora segura e o depositou na plataforma falsa. A polícia descobriu que a vítima não era um caso isolado. Foram identificadas 140 possíveis vítimas espalhadas por todo o Brasil, todas caindo no mesmo tipo de fraude.

A operação resultou em 90 ordens judiciais cumpridas em três estados. Entre os presos estão três donos de instituições financeiras que operavam conversão para criptomoedas, dois estrangeiros, e uma gerente de um banco tradicional com credibilidade nacional e internacional. Essa gerente tinha papel crucial na operação: abria contas que serviam para pulverizar o dinheiro roubado em uma primeira camada, dificultando o rastreamento. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados.

Os números revelam a escala da operação criminosa. Uma única instituição financeira investigada movimentou 295 milhões de reais em um único dia. Uma empresa em São Paulo teve movimentação atípica de 500 milhões de reais durante o período investigado. No total, as transações suspeitas ligadas aos investigados somam 30 bilhões de reais. Esse volume mostra que a fraude não era pequena nem amadora.

O esquema é conhecido internacionalmente como "pig butchering", ou "golpe do abate de porcos". A prática nasceu no sudeste asiático, em países como Laos, Camboja e Mianmar, e se espalhou globalmente. O nome vem da ideia de engordar um porco lentamente antes do abate: os criminosos ganham a confiança da vítima gradualmente, aumentando os valores investidos, até que finalmente desaparecem com tudo.

A polícia orienta o público a desconfiar de promessas de rentabilidade muito acima do que o mercado oferece normalmente, de plataformas sem credenciais verificáveis, e de pedidos para fazer novos depósitos a fim de liberar valores que supostamente já teriam sido investidos. A TDASX, a empresa usada como fachada neste caso, fechou após o início das investigações. O g1 tentou contato com os responsáveis pela empresa mas não os localizou.

O corretor sempre desaconselhava para que ela não fizesse esses aportes tão altos em investimentos tão arriscados, só que aí ela acabou retirando o montante que ela tinha com essa corretora, migrando então os valores para essa plataforma falsa
— Delegado Eibert Moreira, chefe do Departamento de Crimes Cibernéticos
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