Aposentada cria mini cabritinho em casa após medo de cachorro

Mesmo que as pessoas achem perigoso, eu quero cuidar para sempre de Léo
Margarida expressa seu compromisso com o cabritinho, apesar da estranheza que o animal causa em outras pessoas.
Mark

Por que ela escolheu um cabritinho especificamente, e não outro animal menos convencional?

Mimi

O medo de cachorro foi o ponto de partida. Ela precisava de companhia, mas não podia ter um cão. Tentou pássaros primeiro, mas não funcionou. Um cabritinho era pequeno o bastante para viver em casa, mas grande o bastante para ser presença real — não era um substituto invisível.

Mark

Como ela descobriu que mini cabritos existiam e podiam ser comprados?

Mimi

Não fica claro na história. Ela viajou com a filha para Conchas e simplesmente encontrou alguém vendendo. Pode ter sido indicação, pode ter sido acaso. O que importa é que ela estava procurando algo diferente e encontrou.

Mark

O fato de não ter autorização do Ibama a preocupava?

Mimi

Aparentemente não o suficiente para impedi-la. Ela sabia que não tinha a permissão formal, mas carregava documentos quando saia com Léo — era uma forma de se blindar, de dizer "eu sou responsável por este animal". Não era a mesma coisa que ter autorização, mas era algo.

Mark

Qual era o maior desafio prático de ter um cabritinho em casa?

Mimi

Encontrar os produtos certos. Ração, vermífugos, itens de higiene — nada disso era fácil de achar em lojas normais. Ela teve que procurar, encontrar um fornecedor específico no centro de São Paulo, e manter aquele relacionamento. Era um trabalho constante.

Mark

Léo era realmente dócil, ou havia risco?

Mimi

Pela descrição dela, era dócil. Gostava de brincar, de jogar bola, de pular ondas na praia. O risco que as pessoas viam era visual — um animal grande, com chifres, fora do lugar. Mas Léo não era agressivo. O medo era das pessoas, não do animal.

Mark

Ela pensava em Léo como animal de estimação ou como algo diferente?

Mimi

Como animal de estimação, claramente. Ela o levava à praia, brincava com ele, cuidava da saúde dele, planejava cuidar dele pelo resto da vida. Era companhia genuína, não um experimento.

  • Margarida Maria, 69 anos, e José Custódio, 79 anos, compraram Léo por R$ 2 mil
  • Léo pesa 20 quilos e mede cerca de 1 metro de altura
  • Mini cabritos não constam na lista de 50 espécies domesticáveis do Ibama sem autorização
  • Margarida não possui autorização formal do Ibama, mas carrega documentos de compra e vermifugação

Margarida Maria e seu marido José Custódio, ambos idosos, adquiriram Léo por R$ 2 mil como alternativa ao medo de cães para animar a casa. O cabritinho de 20 quilos requer cuidados mensais de banho, vermifugação anual e alimentação diária, com produtos difíceis de encontrar no mercado.

Uma aposentada de 69 anos comprou um mini cabritinho chamado Léo para fazer companhia durante a pandemia, após ter medo de cães. O animal não consta na lista do Ibama de espécies domesticáveis, mas pode ser autorizado em casos específicos.

Margarida Maria tinha 69 anos e medo de cachorro. Seu marido, José Custódio, tinha 79. Viviam juntos no bairro Jardim Planalto, em São Paulo, e durante a pandemia decidiram que precisavam de companhia. Tentaram pássaros primeiro — adotaram alguns, mas desistiram semanas depois. Então Margarida viajou com a filha Rosana Paiva, de 41 anos, até Conchas, no interior de São Paulo, e comprou um mini cabritinho por dois mil reais.

O animal chegou sem nome. Margarida e Rosana começaram a chamar várias coisas perto dele, testando reações. Quando disseram "Léo", o cabritinho berrou. Pronto. O nome estava definido. Léo tinha vinte quilos e cerca de um metro de altura — pequeno o bastante para caber em uma casa, grande o bastante para parecer inusitado em um quintal de São Paulo.

Para acomodá-lo, o casal construiu uma pequena casa no quintal. Todas as manhãs e todas as noites, Margarida colocava ração, água e feno para o animal. Uma vez por ano, Léo era vermifugado. Os banhos aconteciam mensalmente. A vacinação, segundo a veterinária, não era necessária — Léo não convivia com outros animais. Mas Margarida mantinha vigilância constante sobre a saúde do cabritinho, sempre buscando oferecer o melhor cuidado possível.

O desafio maior não era o tempo ou a dedicação. Era encontrar os produtos. Ração, suplementos, itens de higiene específicos para mini cabritos não eram fáceis de localizar em lojas comuns. Margarida acabou encontrando um fornecedor no centro de São Paulo e passava a frequentá-lo regularmente. "Não é tão fácil de achar os produtos necessários", ela dizia, mas tinha resolvido o problema.

Léo não era violento. Gostava de brincar, especialmente de jogar bola. Margarida o levava à praia de Mongaguá, no litoral paulista, e o cabritinho adorava pular nas ondas. Para outras pessoas, sua aparência podia causar estranheza ou até medo — era um animal grande, com chifres, com uma presença que não era comum em quintais urbanos. Mas para Margarida, Léo era simplesmente companhia. "Mesmo que as pessoas achem perigoso, eu quero cuidar para sempre de Léo. Para o resto da minha vida", ela afirmava.

Havia, porém, uma questão regulatória. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — o Ibama — mantinha uma lista de cinquenta espécies que podiam ser domesticadas sem autorização prévia. Mini cabritos não constavam dessa lista. Tecnicamente, para ter um legalmente, era necessário pedir permissão ao órgão. Margarida nunca fez isso. Mas quando passeava com Léo em público, levava consigo o documento de compra e o comprovante de vermifugação — provas de que era tutora responsável do animal, de que não o tinha roubado, de que cuidava dele. Era uma forma de se proteger, de mostrar que havia intenção legítima, mesmo sem a autorização formal no papel.

Não é tão fácil de achar os produtos necessários, mas já tenho uma loja no centro de São Paulo que vou sempre
— Margarida Maria, tutora de Léo
Ele ama pular onda
— Margarida Maria, descrevendo o comportamento de Léo na praia
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