Dezessete anos sem vencer a Europa em uma Copa do Mundo
Há algo quase mítico na persistência de um tabu esportivo: desde 2018, quando o México derrubou a Alemanha nas estepes russas, nenhuma seleção da Concacaf voltou a vencer uma europeia em Copa do Mundo. O empate do Canadá com a Bósnia — o primeiro ponto da história canadense no torneio — é ao mesmo tempo uma conquista e um espelho dessa lacuna que já dura 19 jogos. No palco onde o futebol escreve suas narrativas mais duradouras, a América do Norte, Central e o Caribe seguem em busca de uma vitória que transforme competência em legado.
- O jejum de 19 jogos sem vitória da Concacaf contra europeias em Copas revela uma assimetria que vai além do placar — é uma ferida simbólica que se reabre a cada torneio.
- O Canadá, anfitrião desta Copa, chegou ao torneio carregando seis derrotas na fase classificatória, um peso que contradiz o prestígio de sediar o evento.
- O empate 1 a 1 com a Bósnia foi o primeiro ponto conquistado pelo Canadá em toda a história das Copas, mas a celebração foi contida pela consciência de que o tabu maior permanece intacto.
- Em 2022, o Canadá perdeu para Croácia por 4 a 1 e para a Bélgica por 1 a 0 — derrotas que definem o padrão que a seleção agora tenta romper em casa.
- A Concacaf segue isolada entre as grandes confederações: enquanto Conmebol e CAF acumulam vitórias cruzadas contra a Europa, a região norte e centro-americana ainda aguarda seu próximo momento de 2018.
Na sexta-feira, o Canadá saiu de campo com algo inédito: seu primeiro ponto em uma Copa do Mundo, conquistado num empate de 1 a 1 contra a Bósnia. O resultado foi competitivo, animado, e em outras circunstâncias teria sido pura celebração. Mas ele também prolongou um jejum que pesa sobre toda a Concacaf — 19 jogos sem vencer uma seleção europeia no torneio mais importante do futebol.
Esse tabu tem data de nascimento precisa. Em 2018, na Rússia, o México derrotou a Alemanha por 1 a 0 na fase de grupos. Desde então, nenhuma outra equipe da confederação que reúne América do Norte, Central e Caribe conseguiu repetir o feito. Duas Copas inteiras se passaram, dezenas de oportunidades surgiram e se fecharam sem que o resultado viesse.
O Canadá chega a este torneio como país anfitrião, mas sem o histórico que esse papel costuma exigir. Na classificatória, acumulou seis derrotas. Em 2022, no Catar, perdeu para a Croácia por 4 a 1 e para a Bélgica por 1 a 0. Agora, em sua terceira Copa, tenta reescrever esse padrão diante de sua própria torcida.
O empate com a Bósnia mostrou uma equipe capaz de criar, de resistir, de se manter no jogo. Mas a Concacaf sabe que competência, sozinha, não desfaz um tabu. A região segue esperando o resultado que prove que ela pode não apenas disputar, mas vencer a Europa quando o mundo está assistindo.
O Canadá saiu do campo na sexta-feira com um resultado que, em outras circunstâncias, teria sido motivo de celebração. Um empate em 1 a 1 contra a Bósnia representava o primeiro ponto que a seleção canadense havia conquistado em toda a história da Copa do Mundo. Mas aquele resultado, animado e competitivo como foi, também marcava a continuação de um jejum que assombra toda a região: as seleções da Concacaf — a confederação que reúne futebol da América do Norte, Central e Caribe — agora acumulam 19 jogos sem vencer uma seleção europeia em Copas do Mundo.
Esse tabu começou a tomar forma há oito anos. A última vez que uma equipe da Concacaf saiu vitoriosa de um confronto contra a Europa foi em 2018, na Rússia, quando o México derrotou a Alemanha por 1 a 0 na fase de grupos. Desde então, nenhuma outra seleção da região conseguiu repetir o feito. Dezessete anos separam aquela vitória mexicana do momento atual — um período que abrange duas Copas do Mundo inteiras e dezenas de oportunidades perdidas.
O Canadá chega a este torneio como país anfitrião, um privilégio que deveria trazer consigo certa vantagem. No entanto, a trajetória que o levou até aqui não inspira confiança. Na fase classificatória, a seleção canadense acumulou seis derrotas, um registro que fala por si. Quando chegou à Copa de 2022, no Catar, o Canadá enfrentou duas seleções europeias e perdeu para ambas: a Croácia o derrotou por 4 a 1, um resultado humilhante, e a Bélgica venceu por 1 a 0. Agora, em sua terceira participação em Copas do Mundo, o Canadá tenta quebrar esse padrão.
O empate contra a Bósnia, portanto, representa um passo adiante em um sentido muito específico — o Canadá finalmente conquistou um ponto em uma Copa do Mundo. Mas ele também perpetua uma realidade mais ampla e frustrante para toda a Concacaf: a incapacidade de derrotar adversários europeus no palco mais importante do futebol mundial. Enquanto outras confederações, como a Conmebol e a CAF, têm históricos de vitórias cruzadas contra a Europa, a Concacaf segue marcada por esse vazio.
O que torna esse jejum particularmente notável é que ele não reflete uma diferença de qualidade tão abismal quanto os números sugerem. O empate do Canadá contra a Bósnia mostrou uma equipe competente, capaz de se manter no jogo e de criar oportunidades. Mas competência não é o suficiente quando o histórico pesa tanto. A Concacaf segue à procura daquele resultado que quebre o encanto, que prove que a região pode não apenas competir, mas vencer quando enfrenta a Europa em uma Copa do Mundo.
Notable Quotes
O Canadá conquistou seu primeiro ponto em Copas do Mundo no empate contra a Bósnia, mas o jejum de vitórias da Concacaf contra europeias continua— Contexto da reportagem
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que esse jejum de 19 jogos é tão significativo? Não é apenas uma sequência de azar?
Não é azar. É um padrão que se repete há oito anos, desde 2018. Quando você vê seis derrotas na fase classificatória e depois um empate que é celebrado como primeiro ponto, fica claro que há algo estrutural acontecendo.
O Canadá é anfitrião desta Copa. Isso não deveria dar uma vantagem?
Deveria, teoricamente. Mas o Canadá chegou aqui com seis derrotas na qualificação. Ser anfitrião ajuda, mas não apaga um histórico de fragilidade contra seleções europeias.
Quando foi a última vitória da Concacaf contra a Europa em uma Copa?
México em 2018, na Rússia. Derrotaram a Alemanha 1 a 0. Desde então, nada. Dezessete anos de história, duas Copas inteiras, e nenhuma vitória.
O empate do Canadá contra a Bósnia quebra o jejum?
Não. Um empate é um ponto, sim, o primeiro que o Canadá consegue em Copas. Mas o jejum de vitórias continua intacto. A Bósnia não é europeia no sentido que importa aqui — a Concacaf segue sem vencer seleções do continente europeu.
Isso diz algo sobre a qualidade do futebol na Concacaf?
Diz que há uma lacuna real. Não é que a Concacaf não tenha bons jogadores ou boas equipes. É que, quando enfrenta a Europa em Copas do Mundo, algo não funciona. Pode ser mentalidade, pode ser experiência, pode ser estrutura. Mas o resultado é sempre o mesmo.