Dona Maria, centenária de Promissão, conseguiu dois contratos como influenciadora digital após sua história viralizar nas redes sociais. Empresas de vinho e carne a contrataram, vendo em sua história um exemplo de vitalidade, determinação e alegria que ressoa com o público.
Aos 101 anos, dona Maria vira influenciadora digital após viralizar com currículo
Ganhei uma avó, e o problema é dos netos se ficarem com ciúmes
Por que você acha que essa história tocou tanta gente? Não é só uma mulher idosa no Instagram.
Porque ela não estava pedindo permissão. Ela foi procurar emprego porque queria. Não era uma história de caridade ou de "vejam como os idosos são fofos". Era uma mulher dizendo: eu quero trabalhar, eu quero ganhar dinheiro, eu quero comprar minhas coisas.
E as empresas — por que elas realmente se importaram? Poderiam ter feito uma campanha normal.
Porque viram algo que não conseguem fabricar. Uma pessoa que trabalhou 40 anos na roça, que criou uma família inteira, que aos 101 anos ainda tinha vitalidade e alegria. Não era performance. Era real.
Você acha que isso muda algo sobre como as empresas pensam em publicidade?
Talvez. Ou talvez seja só um momento bonito que passa. Mas enquanto dura, duas pessoas de 33 e 41 anos descobriram que ganharam uma avó. Isso não é pequeno.
E Maria? O que ela ganhou além do vinho e da carne?
Ela ganhou o que queria desde o começo: agência. Poder. A capacidade de dizer sim ou não, de escolher, de existir no mundo de um jeito que ela decidiu. Aos 101 anos, isso é raro.
Il Polso
- Maria Cardoso, 101 anos, de Promissão
- Mais de 6 mil seguidores no Instagram em poucas semanas
- Contratada por duas empresas: Somm (vinho) e Meat Club (carnes)
- Começou a trabalhar aos 9 anos em colheita de café
Dona Maria, centenária de Promissão, conseguiu dois contratos como influenciadora digital após sua história viralizar nas redes sociais. Empresas de vinho e carne a contrataram, vendo em sua história um exemplo de vitalidade, determinação e alegria que ressoa com o público.
Dona Maria, aos 101 anos, viralizou após entregar currículo de brincadeira e agora trabalha como influenciadora digital para marcas de vinho e carne, conquistando mais de 6 mil seguidores no Instagram.
Maria Cardoso tinha 101 anos quando decidiu procurar emprego. Não era uma decisão desesperada — era uma questão de dignidade. Ela queria comprar seu próprio vinho, fazer seu próprio churrasco, gastar dinheiro que tivesse ganho com as próprias mãos. Então entrou em uma empresa em Promissão, a 120 quilômetros de Bauru, e entregou um currículo. A história era tão improvável, tão cheia de uma graça genuína, que alguém a compartilhou. E então outra pessoa. E outra. De repente, dona Maria não era mais apenas uma mulher idosa procurando trabalho — era um símbolo de algo que as pessoas queriam acreditar que era possível.
Diogo Cortez, fundador de uma empresa que faz vinho em lata em São Paulo, viu a história circular. Ele tinha 33 anos. Algo nela o tocou — não era a novidade de uma idosa nas redes sociais, era a clareza do motivo. Ela via seus netos saindo para trabalhar todos os dias e queria fazer o mesmo. Queria ter agência sobre sua própria vida. Cortez entrou em contato com a família, enviou amostras de vinho. Maria aprovou. Aceitou trabalhar como influenciadora da marca, produzindo vídeos e fotos de forma remota. "Ganhei uma avó", disse Cortez depois, e a frase não era apenas uma brincadeira — era uma confissão de que algo tinha mudado nele também.
Mas Cortez não estava sozinho nessa mudança. Ana Carolina Catistti, sócia de uma empresa de assinatura de carnes também em São Paulo, viu a mesma história. Ela tinha 41 anos. Quando ligou para falar com Maria, as duas choraram. Não era marketing — era encontro. Catistti perguntou se Maria gostaria de ser garota propaganda da marca. Maria topou na hora, entusiasmada. "Estou feliz demais! Estou ganhando vinho e agora vai chegar a carninha", disse Maria, e a alegria naquela frase era tão simples, tão direta, que explicava tudo sobre por que duas empresas diferentes tinham decidido que queriam estar perto dela.
Maria não tinha experiência com o mundo digital. Sua vida tinha sido construída de outro jeito. Aos nove anos, começou a trabalhar em uma colheita de café em Promissão. Criou cinco filhos na roça, trabalhou a terra até os 50 anos. Sua neta Cristina, que tinha 52 anos, descrevia-a com uma palavra: guerreira. Maria tinha construído uma família grande — cinco filhos, 17 netos, 27 bisnetos, 18 tataranetos. Décadas de trabalho, de presença, de continuidade. E agora, depois de ultrapassar os 101 anos, ela estava começando algo completamente novo.
Sua conta no Instagram, @mariacardoso1919oficial, ultrapassou os 6 mil seguidores em poucas semanas. Não havia filtros na história, nenhuma estratégia sofisticada. Era apenas uma mulher muito velha que queria comprar vinho e carne com dinheiro que tinha ganhado, e duas empresas que tinham entendido que estar perto dessa verdade era mais valioso do que qualquer campanha tradicional. Tanto Diogo quanto Ana Carolina garantiam que o trabalho não exigia esforço dela — era apenas acompanhá-la, documentar sua alegria, deixar que ela fosse exatamente quem era. E talvez fosse exatamente isso que faltava em tudo: alguém permitindo que uma pessoa muito velha simplesmente existisse, ganhasse dinheiro, e comprasse o que queria.
Citazioni salienti
Ficou claro que ela via os netos saindo para trabalhar e queria fazer alguma coisa também, para comprar as coisas dela. Achei incrível a vitalidade, a alegria e o carinho dela.— Diogo Cortez, fundador da Somm
Eu e ela choramos durante a chamada de vídeo. Fiquei encantada com a determinação e força de vontade dela.— Ana Carolina Catistti, sócia da Meat Club