Anvisa aprova uso emergencial do Molnupiravir contra covid-19

O Molnupiravir não substitui a vacinação, que permanece a melhor estratégia
Diretora da Anvisa reafirma que imunização continua sendo o pilar fundamental de prevenção contra covid-19.
Mark

Por que a Anvisa aprovou um medicamento que não substitui a vacinação? Qual é o ponto?

Mimi

Porque nem toda pessoa consegue se vacinar com sucesso — algumas têm respostas imunológicas fracas, outras têm contraindicações. Para esses casos, quando o vírus já está circulando no corpo, o Molnupiravir oferece uma chance real de evitar hospitalização e morte.

Luke

Mas quanto tempo leva para saber se funciona de verdade? Eles dizem que a OMS deu recomendação condicional em março, o que significa que ainda estão monitorando.

Mimi

Exato. Os ensaios de fase 3 já foram feitos e mostraram redução em hospitalizações e mortes. Mas sim, a vigilância continua porque é um medicamento novo.

Mark

E quem pode usar? Parece que tem muitas restrições.

Mimi

Adultos com covid leve a moderada que não precisam de oxigênio, mas têm risco alto de ficar grave. Não pode ser grávida, não pode ter menos de 18 anos, e tem que começar nos primeiros cinco dias de sintomas.

Luke

Cinco dias é uma janela apertada. Quantas pessoas conseguem diagnóstico confirmado e prescrição médica dentro desse prazo?

Mimi

Boa pergunta. A Anvisa não forneceu dados sobre isso. É um desafio logístico real.

Mark

E no SUS? Quando vai estar disponível?

Mimi

Primeiro precisa passar pela Conitec, que avalia se vale a pena incorporar no sistema público. Isso pode levar tempo.

Luke

Então por enquanto é aprovado, mas ainda não está acessível para a maioria dos brasileiros?

Mimi

Isso mesmo. É um passo importante, mas há ainda várias etapas antes de chegar ao SUS.

  • A aprovação emergencial abre acesso imediato ao Molnupiravir para pacientes adultos com covid leve a moderada e alto risco de progressão grave, preenchendo uma lacuna terapêutica relevante no Brasil.
  • A diretora-relatora foi enfática: o antiviral não substitui a vacina, e quem não completou o esquema vacinal segue exposto a riscos significativamente maiores de adoecimento grave.
  • O medicamento carrega restrições sérias — proibido em gestantes, lactantes, menores de 18 anos e pacientes já hospitalizados, exigindo prescrição médica e orientação farmacêutica rigorosa.
  • Antes de chegar ao SUS, o Molnupiravir ainda precisará ser avaliado pela Conitec, mantendo incerta a data em que estará disponível gratuitamente na rede pública brasileira.

Em um momento em que a pandemia ainda impõe riscos a populações vulneráveis, o Brasil deu um passo cauteloso e significativo: a Anvisa aprovou, em 4 de maio de 2022, o uso emergencial do Molnupiravir, antiviral oral da Merck destinado a adultos com covid-19 leve a moderada em risco de agravamento. A decisão insere o país em um conjunto de mais de vinte nações que já adotaram o medicamento, ampliando o arsenal terapêutico sem, contudo, deslocar a vacinação do centro da estratégia de proteção coletiva.

A Anvisa aprovou, na quarta-feira 4 de maio de 2022, o uso emergencial do Molnupiravir, antiviral em cápsulas fabricado pela Merck Sharp & Dohme. A decisão foi tomada durante reunião extraordinária pública da agência e permite que adultos com covid-19 leve a moderada — sem necessidade de oxigênio, mas com risco elevado de agravamento — possam acessar o tratamento.

A diretora relatora Meiruze Freitas votou pela aprovação destacando a importância de ampliar as opções terapêuticas para pacientes vulneráveis. Nos ensaios clínicos, o medicamento demonstrou reduzir hospitalizações e mortes ao interferir na multiplicação do Sars-CoV-2. O tratamento é domiciliar: 800 mg a cada 12 horas, por cinco dias consecutivos, iniciado o quanto antes após o diagnóstico e dentro dos primeiros cinco dias de sintomas.

Freitas foi enfática, porém, ao reafirmar que o Molnupiravir não substitui a vacinação. A imunização permanece a principal estratégia de prevenção, especialmente para os mais vulneráveis. Ela também destacou a necessidade de cooperação contínua entre ciência, indústria, reguladores e governos, dado que a circulação global do vírus ainda não tem prazo definido para cessar.

O medicamento já estava aprovado nos Estados Unidos, Reino Unido, Europa, Japão e Austrália, e em uso em pelo menos vinte países. A OMS emitiu recomendação condicional em março de 2022, com monitoramento contínuo de segurança e efeitos adversos.

A Anvisa estabeleceu restrições claras: o antiviral não é indicado para gestantes, lactantes, mulheres sem contracepção eficaz, menores de 18 anos, pacientes hospitalizados, uso preventivo ou por mais de cinco dias. É medicamento de prescrição obrigatória, e os farmacêuticos devem orientar que o uso é estritamente individual.

Antes de integrar o SUS, o Molnupiravir precisará passar pela avaliação da Conitec. A aprovação emergencial representa avanço concreto no arsenal terapêutico brasileiro contra a covid-19, mas reafirma que a vacinação continua sendo o pilar insubstituível da resposta à pandemia.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou na quarta-feira, 4 de maio, o uso emergencial do Molnupiravir, um antiviral em cápsulas fabricado pela farmacêutica norte-americana Merck Sharp & Dohme. A decisão, tomada durante a sétima reunião extraordinária pública da agência, abre caminho para que adultos com covid-19 leve a moderada — aqueles que não necessitam de oxigênio suplementar mas correm risco aumentado de desenvolver formas graves da doença — possam acessar o medicamento.

A relatora do processo, diretora Meiruze Freitas, votou pela aprovação destacando a importância de ampliar as opções terapêuticas disponíveis para pacientes em condições clínicas específicas, particularmente aqueles com vulnerabilidades que os expõem a progressão mais severa. Nos ensaios clínicos, o remédio demonstrou capacidade de reduzir hospitalizações e mortes ao interferir na multiplicação do vírus Sars-CoV-2 no corpo. Trata-se de um medicamento de uso domiciliar, tomado por via oral durante cinco dias consecutivos a partir do aparecimento dos sintomas — a dosagem é de 800 mg a cada 12 horas.

Freitas, porém, foi enfática em uma ressalva: o Molnupiravir não substitui a vacinação. Ela reiterou que a imunização permanece a melhor estratégia para prevenir covid grave, hospitalizações e óbitos, especialmente entre os mais vulneráveis. Aqueles que não completaram o esquema vacinal completo ou não receberam reforços correm risco significativamente maior de desenvolver sintomas moderados ou graves comparados aos vacinados. A diretora também ressaltou a necessidade de que comunidade científica, indústria farmacêutica, reguladores e governos continuem trabalhando em conjunto, uma vez que não se sabe por quanto tempo o vírus circulará globalmente.

O medicamento já havia recebido aprovação nos Estados Unidos, Reino Unido, Europa, Japão e Austrália, estando em uso em pelo menos vinte países. Em março de 2022, a Organização Mundial da Saúde emitiu uma recomendação condicional, o que significa que a segurança continua sendo monitorada. Agências reguladoras prosseguem realizando novos estudos e acompanhando possíveis efeitos adversos mesmo após os ensaios clínicos de fase 3.

A Anvisa estabeleceu restrições claras de uso. O medicamento é indicado apenas para adultos que não requerem oxigênio suplementar e apresentam risco aumentado de progressão para casos graves, quando opções alternativas de tratamento não são acessíveis ou clinicamente adequadas. Não é recomendado durante gravidez, amamentação ou em mulheres que possam engravidar sem usar contraceptivos eficazes — estudos mostraram que altas doses podem afetar o crescimento e desenvolvimento fetal. Também não é aprovado para menores de 18 anos, para pacientes já hospitalizados, para uso além de cinco dias consecutivos, ou para prevenção pré ou pós-exposição.

A agência enfatizou que o Molnupiravir é medicamento de prescrição médica obrigatória e requer adequada dispensação farmacêutica. Os farmacêuticos devem orientar que o medicamento é de uso individual e não pode ser repassado a terceiros sem avaliação e prescrição específica. O tratamento deve ser iniciado assim que possível após diagnóstico confirmado e dentro de cinco dias do início dos sintomas, para evitar o desenvolvimento de versões resistentes do vírus.

Antes de ser incorporado aos tratamentos distribuídos na rede pública brasileira pelo Sistema Único de Saúde, o medicamento deve passar por uma nova etapa de avaliação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde, a Conitec. Essa aprovação emergencial representa um passo importante na ampliação do arsenal terapêutico contra a covid-19, mas deixa claro que a vacinação continua sendo o pilar fundamental da estratégia de prevenção.

A vacinação continua sendo a melhor estratégia para evitar covid grave, hospitalizações e óbitos
— Meiruze Freitas, diretora relatora da Anvisa
O medicamento é de uso individual e não pode ser repassado a terceiros sem avaliação e prescrição médica
— Anvisa
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