Na segunda-feira, 9 de junho, a Anvisa concedeu ao Mounjaro — nome comercial da tirzepatida — aprovação oficial para o tratamento da obesidade no Brasil, encerrando o limbo regulatório que tornava sua prescrição nessa indicação uma prática off-label. A decisão não apenas legitima o uso do medicamento para adultos com IMC elevado ou sobrepeso acompanhado de comorbidades, mas também abre portas para o reembolso por planos de saúde, tornando o acesso potencialmente mais amplo em um país onde a obesidade afeta dezenas de milhões de pessoas. O evento marca um momento de inflexão na história do trat
Anvisa aprova Mounjaro para tratamento da obesidade no Brasil
Droga de maior potência com excelente segurança
Por que a aprovação para obesidade demorou tanto se o medicamento já estava sendo vendido?
Porque os estudos foram submetidos em etapas. Primeiro testaram para diabetes tipo 2, depois fizeram os testes de fase 3 especificamente para obesidade. Só quando essa análise foi concluída é que a Anvisa aprovou.
Mas ele estava sendo prescrito off-label antes disso, certo? Então na prática já estava sendo usado para obesidade, só não era oficial.
Qual é a diferença real entre o Mounjaro e os outros medicamentos que já existem?
O Mounjaro age em dois hormônios intestinais ao mesmo tempo — GLP-1 e GIP. O Ozempic e o Wegovy agem só no GLP-1. Essa ação dupla faz o Mounjaro ser mais potente.
Mais potente em números: 20,2% de perda de peso contra 13,7% da semaglutida. Mas isso é em 72 semanas de estudo. Não sabemos ainda como funciona a longo prazo fora de um ensaio clínico controlado.
Quem pode usar esse medicamento?
Adultos com IMC igual ou superior a 30, que é a definição de obesidade. Ou pessoas com sobrepeso — IMC a partir de 27 — que tenham pelo menos uma comorbidade, como hipertensão ou pré-diabetes.
E quanto aos efeitos colaterais? A bula menciona hipoglicemia, náuseas e incômodos gastrointestinais. Não há informação sobre frequência ou gravidade desses efeitos.
Por que a Anvisa tornou a receita de retenção obrigatória?
Para coibir o uso abusivo. Esses medicamentos recebem tarja vermelha porque oferecem risco intermediário de efeitos adversos.
A decisão foi tomada em abril e entrou em vigor em junho. Mas não está claro se houve casos de abuso antes dessa medida ou se é apenas uma precaução.
Quanto custa?
Dentro do programa de fidelidade da Eli Lilly, a dose de 2,5 mg sai por R$ 1.406,75 no e-commerce. Fora do programa, pode chegar a R$ 1.907,29.
São preços altos. Não há informação sobre cobertura por planos de saúde ou pelo SUS neste momento.
The Pulse
- A aprovação transforma o Mounjaro de prescrição off-label em indicação oficial para obesidade, criando uma obrigação regulatória que convênios e hospitais não podiam ignorar antes.
- Estudos clínicos mostram que a tirzepatida supera a semaglutida em 47% na perda de peso — 22,8 kg contra 15 kg em média —, intensificando a disputa no mercado de medicamentos para obesidade.
- O preço elevado, entre R$ 1.407 e R$ 2.384 por dose mensal, mantém o acesso restrito a uma parcela da população, mesmo com o programa de fidelidade da fabricante.
- A Anvisa tornou obrigatória a retenção de receita para essa classe de medicamentos a partir de junho, sinalizando preocupação com o uso indiscriminado e o risco de desabastecimento.
- Especialistas como o presidente da Abeso celebram a mudança como histórica, destacando que o medicamento também melhora comorbidades como diabetes e apneia do sono.
Na segunda-feira, 9 de junho, a Anvisa concedeu ao Mounjaro — nome comercial da tirzepatida — aprovação oficial para o tratamento da obesidade no Brasil, encerrando o limbo regulatório que tornava sua prescrição nessa indicação uma prática off-label. A decisão não apenas legitima o uso do medicamento para adultos com IMC elevado ou sobrepeso acompanhado de comorbidades, mas também abre portas para o reembolso por planos de saúde, tornando o acesso potencialmente mais amplo em um país onde a obesidade afeta dezenas de milhões de pessoas. O evento marca um momento de inflexão na história do tratamento farmacológico da obesidade no Brasil, com um mecanismo de ação duplo que, segundo estudos clínicos, supera em eficácia os tratamentos anteriores disponíveis.
A Anvisa aprovou, na segunda-feira, 9 de junho, o uso da tirzepatida — comercializada como Mounjaro — para o tratamento da obesidade no Brasil. O medicamento já estava disponível nas farmácias desde 15 de maio, mas apenas com indicação para diabetes tipo 2. Com a nova autorização, deixa de ser prescrição off-label e abre caminho para reembolso por convênios e hospitais.
A aprovação contempla adultos com IMC igual ou superior a 30, ou pessoas com sobrepeso (IMC a partir de 27) que apresentem comorbidades como hipertensão, colesterol alto ou pré-diabetes. Segundo o diretor médico da Eli Lilly no Brasil, os estudos foram submetidos em etapas à Anvisa — primeiro para diabetes, depois para obesidade —, o que explica a diferença no tempo das aprovações.
O diferencial do Mounjaro está em seu mecanismo de ação: enquanto concorrentes como Ozempic e Wegovy atuam apenas no hormônio GLP-1, a tirzepatida é um duplo agonista que imita também o GIP. Essa combinação resultou, em 72 semanas de estudo, em perda média de 22,8 kg e redução de 18,4 cm na circunferência abdominal — números significativamente superiores aos 15 kg e 13 cm observados com semaglutida.
Fábio Trujilho, presidente da Abeso, classificou a aprovação como um marco histórico no tratamento da obesidade no país, ressaltando a potência do medicamento e sua contribuição para a melhora de outras condições associadas. O uso é injetável, semanal, com doses que sobem progressivamente de 2,5 mg até 15 mg, sempre com acompanhamento médico.
O preço varia entre R$ 1.407 e R$ 2.384, dependendo da dose e do canal de compra. Um programa de fidelidade gratuito da fabricante oferece valores reduzidos. Para conter o uso abusivo, a Anvisa determinou que a receita passa a ser de retenção obrigatória a partir de junho, 60 dias após a publicação da medida no Diário Oficial.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou na segunda-feira, 9 de junho, o uso da tirzepatida para o tratamento da obesidade no Brasil. O medicamento, comercializado sob o nome Mounjaro, estava autorizado apenas para diabetes tipo 2 desde que chegou às farmácias em 15 de maio. Agora, com a nova indicação oficial, deixa de ser uma prescrição off-label — aquela feita fora da bula autorizada — e abre caminho para que convênios e hospitais possam reembolsar, ao menos parcialmente, os custos do tratamento.
A aprovação vale para adultos com índice de massa corporal igual ou superior a 30, o critério que define obesidade, ou para pessoas com sobrepeso (IMC a partir de 27) que tenham pelo menos uma comorbidade associada, como hipertensão, colesterol alto ou pré-diabetes. Segundo Luiz André Magno, diretor médico sênior da Eli Lilly no Brasil, a aprovação para obesidade chegou agora porque os estudos foram submetidos em etapas: primeiro focaram nos resultados para diabetes tipo 2, depois as investigações de fase 3 miraram na obesidade. Com a análise concluída, a Anvisa autorizou a nova indicação.
O Mounjaro funciona de forma diferente de medicamentos concorrentes como Ozempic e Wegovy, ambos da Novo Nordisk. Enquanto esses últimos atuam apenas no hormônio GLP-1, a tirzepatida é um duplo agonista que imita a ação de dois hormônios intestinais: o GLP-1 e o GIP. Essa ação dupla potencializa o efeito. Nos estudos da Eli Lilly, após 72 semanas, a tirzepatida levou a uma perda de peso corporal de 20,2%, enquanto a semaglutida (princípio ativo do Ozempic e Wegovy) resultou em 13,7%. Em números absolutos, o grupo que recebeu Mounjaro perdeu em média 22,8 quilos, contra 15 quilos no grupo tratado com Wegovy. A redução da circunferência abdominal também foi maior: 18,4 centímetros com tirzepatida contra 13 centímetros com semaglutida.
Fábio Trujilho, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica, afirmou que a aprovação marca uma mudança na história do tratamento da obesidade no Brasil. Descreveu o medicamento como uma droga de maior potência em termos de perda de peso, com excelente segurança, que também contribui para melhora de outras comorbidades, como diabetes e apneia do sono. O fato de constar na bula que o medicamento pode ser usado contra a obesidade, deixando de ser off-label, é importante porque facilita o reembolso por parte de hospitais e convênios.
O Mounjaro é de uso injetável com aplicação semanal. O tratamento deve começar com dosagem de 2,5 mg e passar pelas doses de 5 mg, 7,5 mg, 10 mg, 12,5 mg, até chegar a 15 mg. Deve ser feito com acompanhamento médico e pode oferecer efeitos colaterais como hipoglicemia, náuseas e incômodos gastrointestinais. O medicamento recebe a tarja vermelha, indicando que oferece risco intermediário de efeitos adversos e deve ser prescrito por profissional de saúde.
O Mounjaro chegou ao Brasil com dois regimes de preço. Dentro do programa de fidelidade Lilly Melhor Para Você, que tem adesão gratuita, a dose de 2,5 mg custa R$ 1.406,75 no e-commerce ou R$ 1.506,76 em loja física, enquanto a de 5 mg sai por R$ 1.759,64 ou R$ 1.859,65. Fora do programa, considerando alíquota de ICMS de 18%, o preço máximo praticado nas farmácias é R$ 1.907,29 para 2,5 mg e R$ 2.384,34 para 5 mg. Em abril, os diretores da Anvisa decidiram tornar a retenção de receita obrigatória para essa classe de medicamentos, decisão que entrou em vigor em junho, 60 dias após publicação no Diário Oficial da União. A medida visa coibir o uso abusivo.
Notable Quotes
É um medicamento que vem para contribuir para a mudança da história do tratamento da obesidade. Estamos falando de uma droga de maior potência em termos de perda de peso, com excelente segurança e que também contribui para melhora de outras comorbidades, como diabetes e apneia do sono.— Fábio Trujilho, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica