Aos 73 anos, Antonio Fagundes revelou ao Flow Podcast por que sua voz e seu rosto estiveram ausentes do remake de Pantanal: a Globo não aceitou o mesmo arranjo de três dias semanais de gravação que sustentou décadas de grandes papéis. O episódio não é apenas sobre um ator e uma novela — é sobre o momento em que uma indústria reescreve suas regras e os veteranos descobrem que princípios, quando levados a sério, têm um preço. Fagundes pagou esse preço com a ausência, e permaneceu fiel a si mesmo.
Antonio Fagundes explica recusa de convite da Globo para Pantanal
Saí da Globo por causa disso e não vou fazer diferente nos streamings
Por que a Globo não aceitou gravar apenas três dias por semana, se funcionou durante toda sua carreira?
Porque a mentalidade mudou. Quando você está no topo, você dita. Quando sai, as regras já não são as mesmas. A emissora quer controle total agora.
E os streamings? Por que não negociar com eles?
Porque seria admitir derrota. Saí da Globo por causa disso. Se aceitar cinco dias em um streaming, o que foi que eu ganhei saindo?
Então você prefere não trabalhar a trabalhar em outras condições?
Não é preferir não trabalhar. É manter a integridade. Você não pode sair de um lugar por princípio e depois abandonar esse princípio na primeira oportunidade.
Isso não soa um pouco rígido para um mercado que está mudando?
Talvez. Mas quando você tem 73 anos e uma carreira como a minha, você não muda quem é para se encaixar. Ou respeitam o que você é, ou não há negócio.
E se ninguém respeitar?
Então você fica em casa. Não é o pior dos destinos.
El Pulso
- A Globo convidou Fagundes para o remake de Pantanal, mas se recusou a repetir o esquema de gravação que funcionou por décadas — e o ator simplesmente disse não.
- O impasse revelou uma mudança silenciosa na mentalidade dos executivos da emissora: o que antes era aceito como resultado de excelência agora era visto como exigência inaceitável.
- Sem contrato com a Globo e ignorado pelas emissoras abertas, Fagundes recebeu propostas dos streamings — mas estas também exigiam condições que ele não estava disposto a aceitar.
- O ator manteve sua posição: se saiu da maior emissora do país por não querer gravar cinco dias por semana, capitular agora seria contradizer a própria razão de sua saída.
- Pantanal seguiu em frente sem ele, expondo uma fissura geracional — veteranos com princípios firmes de um lado, uma indústria em acelerada transformação do outro.
Aos 73 anos, Antonio Fagundes revelou ao Flow Podcast por que sua voz e seu rosto estiveram ausentes do remake de Pantanal: a Globo não aceitou o mesmo arranjo de três dias semanais de gravação que sustentou décadas de grandes papéis. O episódio não é apenas sobre um ator e uma novela — é sobre o momento em que uma indústria reescreve suas regras e os veteranos descobrem que princípios, quando levados a sério, têm um preço. Fagundes pagou esse preço com a ausência, e permaneceu fiel a si mesmo.
Antonio Fagundes tinha 73 anos quando sentou diante dos microfones do Flow Podcast para explicar uma ausência que intrigava os fãs: ele não estava no remake de Pantanal. A razão era simples e inflexível — a Globo não aceitou suas condições de trabalho.
Por décadas, o ator construiu sua carreira gravando apenas segundas, terças e quartas-feiras. Não era capricho: era um padrão que funcionou em produções como O Rei do Gado e Renascer, ambas gravadas fora do Rio, ambas com ele como protagonista absoluto. A emissora aceitava porque o resultado justificava o arranjo.
Quando o convite para Pantanal chegou, a direção da Globo não estava mais disposta a repetir a fórmula. Fagundes leu isso como sintoma de uma transformação mais profunda na mentalidade dos executivos — não era sobre aquele projeto específico, mas sobre como a emissora agora entendia comprometimento e disponibilidade. Ele recusou.
O que veio depois foi revelador. As emissoras abertas não bateram à sua porta. Os streamings fizeram propostas, mas também com condições diferentes. E aqui estava o dilema: se havia deixado a Globo por não aceitar gravar cinco dias por semana, fazia sentido ceder agora? Sua resposta foi não. Segunda, terça e quarta. Ponto.
A situação expôs uma fissura geracional na indústria audiovisual brasileira. Veteranos como Fagundes operam dentro de lógicas que funcionaram por décadas. As emissoras e plataformas estão reescrevendo as regras. E os atores que não se adaptam encontram-se num vazio incômodo — grandes demais para aceitar qualquer coisa, mas talvez sem força suficiente para ditar termos num mercado em transformação. Fagundes escolheu o princípio. O custo foi a ausência.
Antonio Fagundes, aos 73 anos, sentou-se diante dos microfones do Flow Podcast para explicar uma ausência que intrigava os fãs de televisão. O ator não estaria no remake de Pantanal, a produção que a Globo colocava em seu horário nobre. A razão, revelou ele aos apresentadores Igor Rodrigues e Lucas Salles, era simples mas inflexível: a emissora não aceitou suas condições de trabalho.
Por décadas, Fagundes construiu sua carreira na Globo operando dentro de um arranjo específico. Ele gravava apenas segundas, terças e quartas-feiras. Não era um capricho de estrela envelhecida — era um padrão que funcionou repetidamente. Gravou O Rei do Gado no Araguaia dessa forma. Gravou Renascer em Ilhéus sob o mesmo esquema. Protagonistas absolutos, papéis de peso, tudo encaixado naqueles três dias de semana. A emissora aceitava porque o resultado justificava o arranjo.
Mas algo havia mudado. Quando o convite para Pantanal chegou, a direção da Globo não estava disposta a repetir a fórmula. Fagundes percebeu isso como sintoma de uma transformação maior na mentalidade dos executivos. Não era apenas sobre este projeto. Era sobre como a emissora agora entendia a produção, o comprometimento, a disponibilidade esperada de seus atores. Ele recusou.
O que veio depois foi revelador. Fagundes havia encerrado seu contrato com a Globo — a líder de audiência que o moldou como artista. Outras portas se abriram, mas não as que ele esperava. As emissoras abertas não bateram à sua porta. Os streamings, porém, fizeram propostas. Aqui estava o dilema: aceitar condições diferentes daquelas que o levaram a sair?
Sua resposta foi não. Se ele havia deixado a Globo justamente porque não aceitava gravar cinco dias por semana, não fazia sentido capitular agora com os streamings. O mundo das plataformas de streaming, refletiu em voz alta, era complicado para atores de sua geração. Mas suas exigências não eram negociáveis. Segunda, terça e quarta. Ponto. Qualquer coisa além disso contradizia a própria razão pela qual havia se afastado da maior emissora do país.
A situação revelava uma fissura geracional na indústria audiovisual brasileira. Veteranos como Fagundes operavam dentro de lógicas que funcionaram por décadas. As emissoras, porém, estavam reescrevendo as regras. E os atores que não se adaptassem encontravam-se em um vazio: grandes demais para aceitar qualquer coisa, mas talvez pequenos demais para ditar termos em um mercado em transformação. Pantanal seguiu em frente sem ele, e Fagundes permaneceu fiel a um princípio que, cada vez mais, parecia ser um luxo que poucos podiam sustentar.
Citas Notables
Fiz isso minha vida inteira na Globo. Gravei O Rei do Gado no Araguaia, gravei Renascer em Ilhéus. Fiz protagonistas absolutos gravando segunda, terça e quarta.— Antonio Fagundes, ao Flow Podcast
Não tem sentido eu ter saído da Globo por causa disso e não fazer isso nos streamings— Antonio Fagundes