Em fins de outubro de 2026, quando o país se aproximava do desfecho de uma disputa eleitoral, o Confaz aprovou um novo patamar de ICMS sobre gasolina, diesel e gás de cozinha, com efeito marcado para o início de 2027. Como tantas vezes na vida pública brasileira, a mesma conta de combustível virou argumento de dois lados: uma deputada aponta para as casas estaduais, outro para a guerra distante e para o governo federal. Os fatos que cada um escolhe iluminar são verdadeiros em parte, e é nessa sobreposição que a discussão ganha densidade. O que se decide agora, em silêncio nas repartições, só s
Ana Elisa e irmão de Cleitinho divergem sobre responsabilidade pela alta dos combustíveis
O governo estadual aumenta os impostos para a população
Qual é o ponto central da divergência entre os dois deputados?
Quem é responsável pela alta. Ana Elisa aponta o ICMS, de competência estadual. Gleidison aponta o governo Lula e a política tributária federal.
E o que o Confaz decidiu, exatamente?
Aprovou novas alíquotas: gasolina de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro, diesel de R$ 1,17 para R$ 1,30 e gás de cozinha de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo, a partir de 1º de fevereiro de 2027.
Vale notar que a decisão foi conjunta, com estados de vários espectros, inclusive aliados de Lula. O texto não detalha como cada estado votou.
Gleidison cita a guerra no Irã. Isso pesa?
Ele diz que o petróleo quase dobriu em março de 2026 por causa do conflito. É a explicação dele para a alta de gasolina e diesel.
Mas isso é afirmação do deputado, não dado verificado pela reportagem. Também "eleitoreira" é um juízo dele sobre o anúncio de 9 de outubro, não um fato.
E o custo dos subsídios?
Mais de R$ 32 bilhões até o fim de agosto, segundo o governo, com receitas extraordinárias do petróleo para compensar, conforme Bruno Moretti.
Esse número é do próprio governo. E não sabemos o efeito das novas alíquotas no preço final nas bombas.
O Pulso
- O Confaz aprovou a elevação do ICMS sobre gasolina, diesel e gás de cozinha, e o novo imposto já tem data marcada para entrar em vigor em 1º de fevereiro de 2027.
- Duas deputadas eleitas por Minas Gerais trocaram acusações públicas: Ana Elisa (PT) culpa os estados, enquanto Gleidison Azevedo (Republicanos) aponta a guerra no Irã e o governo Lula.
- A disputa esquenta com a desoneração federal anunciada em 9 de outubro, rotulada de eleitoreira, e com o lembrete de que o governo Bolsonaro também zerou tributos sobre combustíveis.
- O governo renovou por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel, enquanto os gastos já superavam R$ 32 bilhões, e o desfecho dependerá de como os novos preços chegarão ao consumidor.
Em fins de outubro de 2026, quando o país se aproximava do desfecho de uma disputa eleitoral, o Confaz aprovou um novo patamar de ICMS sobre gasolina, diesel e gás de cozinha, com efeito marcado para o início de 2027. Como tantas vezes na vida pública brasileira, a mesma conta de combustível virou argumento de dois lados: uma deputada aponta para as casas estaduais, outro para a guerra distante e para o governo federal. Os fatos que cada um escolhe iluminar são verdadeiros em parte, e é nessa sobreposição que a discussão ganha densidade. O que se decide agora, em silêncio nas repartições, só será sentido no bolso quando os novos valores chegarem às bombas.
Na terça-feira, 27 de outubro de 2026, o Confaz, colegiado que reúne os secretários estaduais de Fazenda e é presidido pelo ministro Dario Durigan, aprovou o reajuste do ICMS sobre combustíveis. A decisão contou com estados de diferentes orientações políticas, inclusive governos alinhados ao presidente Lula. Dali nasceu uma disputa entre dois deputados eleitos por Minas Gerais.
O ICMS da gasolina sobe de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro, o do diesel de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro, e o do gás de cozinha de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo. Os valores valem a partir de 1º de fevereiro de 2027.
Ana Elisa (PT-MG) afirmou que o aumento estadual não é responsabilidade do governo federal. Lembrou que a gestão Lula zerou tributos federais e ampliou subsídios, e cobrou que os eleitores considerem a atuação dos governos estaduais nas urnas. Gleidison Azevedo (Republicanos-MG) respondeu que a colega tenta tirar do governo federal a parcela de culpa, lembrando que o petróleo quase dobrou de preço em março por causa da guerra no Irã. Reconheceu a desoneração federal, mas a classificou como eleitoreira, anunciada duas semanas antes do segundo turno, e lembrou que Bolsonaro também zerou tributos e que Lula retomou a cobrança em 2023.
No mesmo dia, o governo renovou por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel. Segundo o Planejamento, os gastos superavam R$ 32 bilhões em agosto, e o ministro Bruno Moretti afirmou que receitas extraordinárias do petróleo cobrirão a conta sem flexibilizar as metas fiscais.
As duas versões se apoiam em fatos reais, mas distintos. O que falta acompanhar é o efeito das novas alíquotas na bomba a partir de fevereiro e o destino das subvenções, sempre renovadas em ciclos curtos.
Na terça-feira, 27 de outubro de 2026, o Confaz, conselho que reúne os secretários de Fazenda dos estados e é presidido pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, aprovou o reajuste das alíquotas do ICMS sobre os combustíveis. A decisão foi tomada por representantes de governos estaduais de diferentes espectros políticos, inclusive administrações alinhadas ao presidente Lula. É dessa votação que nasceu a discussão entre dois deputados eleitos de Minas Gerais.
Os números são específicos. O ICMS sobre a gasolina passará de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro. No diesel, a cobrança sobe de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro. No gás de cozinha, o imposto vai de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo. Os novos valores entram em vigor em 1º de fevereiro de 2027.
Ana Elisa (PT-MG) afirmou, em publicação, que o aumento do imposto estadual não é responsabilidade do governo federal. Ela defendeu as medidas de Lula para baixar o preço dos combustíveis: segundo a deputada, a gestão petista zerou os tributos federais sobre os produtos e ampliou subsídios para gasolina, etanol e diesel. Criticou os governos estaduais por não fazerem algo semelhante e disse que elevar o ICMS transfere custos à população. Pediu que o eleitor considere a atuação dos governos estaduais ao escolher candidatos nas próximas eleições. "Enquanto o governo federal tenta reduzir os impostos que cabem a ele, o governo estadual aumenta os impostos para a população", declarou.
Gleidison Azevedo (Republicanos-MG), irmão do senador Cleitinho, respondeu que a colega tenta tirar do governo federal a responsabilidade pela alta. Segundo ele, o preço do petróleo quase dobrou em março de 2026 por causa da guerra dos Estados Unidos contra o Irã, o que encareceu gasolina e diesel. Ele reconheceu que o governo Lula zerou os impostos federais sobre combustíveis.
Gleidison, porém, chamou de "eleitoreira" a medida anunciada em 9 de outubro de 2026: a desoneração integral dos tributos federais sobre a gasolina e a criação de novas subvenções ao etanol e ao diesel importado. O anúncio veio pouco mais de duas semanas antes do segundo turno, em 25 de outubro, e a duração inicial foi de 30 dias. Ele acrescentou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também havia zerado os tributos sobre combustíveis e que o governo Lula retomou a cobrança em janeiro de 2023, histórico que, na avaliação dele, Ana Elisa omitiu.
Na mesma terça-feira 27, o governo federal renovou por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel comercializado no país. O objetivo é conter os efeitos da guerra no Irã, estimular importações e preservar o abastecimento nacional. A gestão petista mantém subsídios aos combustíveis desde abril.
Segundo dados do próprio governo, o custo total das subvenções superava R$ 32 bilhões no fim de agosto. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse que o governo usará receitas extraordinárias do petróleo para compensar os gastos, sem flexibilizar as metas fiscais.
As duas versões, portanto, se apoiam em fatos distintos: o reajuste do ICMS decidido no Confaz e a política federal de tributos e subsídios. Falta acompanhar o efeito das novas alíquotas no preço final a partir de fevereiro de 2027 e o destino das subvenções, renovadas por períodos de 30 dias.
Citações Notáveis
Enquanto o governo federal tenta reduzir os impostos que cabem a ele, o governo estadual aumenta os impostos para a população.— Ana Elisa (PT-MG), deputada eleita
Gleidison classificou como eleitoreira a desoneração anunciada em 9 de outubro.— Gleidison Azevedo (Republicanos-MG), deputado eleito