Nos dias que se seguiram à eleição presidencial de 2022, o Brasil assistiu a um embate entre a tentação de contestar as urnas e a firmeza das instituições. O ministro Alexandre de Moraes rejeitou o pedido do Partido Liberal para anular o segundo turno, multando a legenda em R$ 22,9 milhões por má-fé processual. João Amoêdo, ex-candidato presidencial que havia pago o preço político de apoiar Lula e sido expulso do Novo, saudou a decisão como um escudo erguido contra o que chamou de tentativa golpista — vendo na sentença a confirmação de que suas preocupações com a democracia não eram infundadas
Amoêdo elogia decisão de Moraes que impediu tentativa golpista do PL
A decisão acertada impediu uma tentativa golpista
Por que Amoêdo decidiu falar publicamente sobre essa decisão de Moraes? Ele não tinha nada a ganhar politicamente naquele momento.
Talvez tenha tido. Amoêdo havia sido expulso do Novo semanas antes por apoiar Lula. Falar sobre a decisão de Moraes era uma forma de validar sua própria ruptura — de dizer: eu estava certo em me preocupar com a democracia, e aqui está a prova.
Mas ele poderia ter ficado em silêncio. Por que não fez isso?
Porque o silêncio teria parecido conivência. Se você acredita que algo é uma tentativa golpista, você fala. Amoêdo estava reafirmando sua posição, não apenas sobre Bolsonaro, mas sobre si mesmo.
A decisão de Moraes foi realmente sobre impedir um golpe, ou foi apenas uma rejeição processual de um pedido mal fundamentado?
Moraes usou exatamente essa linguagem — "total má-fé", "inconsequente", com "finalidade de incentivar movimentos criminosos". Ele estava dizendo que o PL não estava apenas errado, mas agindo com intenção malévola. Amoêdo leu isso como confirmação de suas piores suspeitas.
E o bloqueio dos fundos? Isso foi proporcional?
A multa de R$ 22,9 milhões e o bloqueio dos fundos de três partidos — isso foi uma punição severa. Moraes estava enviando uma mensagem clara: isso não será tolerado. Amoêdo viu nessa severidade a proteção que a democracia precisava.
El Pulso
- O PL convocou uma coletiva para anunciar que buscaria anular o segundo turno, acenando com alegações sobre as urnas eletrônicas sem apresentar qualquer prova concreta.
- Moraes deu ao partido 24 horas para sustentar suas alegações; diante do silêncio, respondeu com multa milionária e bloqueio de fundos de três legendas aliadas de Bolsonaro.
- Amoêdo, recém-expulso do Novo por declarar apoio a Lula, usou as redes sociais para ligar a ação do PL diretamente a Bolsonaro e classificá-la como tentativa de golpe.
- A decisão judicial foi lida por Amoêdo como validação de sua própria ruptura partidária — prova de que o risco à democracia que ele denunciara era real e imediato.
Nos dias que se seguiram à eleição presidencial de 2022, o Brasil assistiu a um embate entre a tentação de contestar as urnas e a firmeza das instituições. O ministro Alexandre de Moraes rejeitou o pedido do Partido Liberal para anular o segundo turno, multando a legenda em R$ 22,9 milhões por má-fé processual. João Amoêdo, ex-candidato presidencial que havia pago o preço político de apoiar Lula e sido expulso do Novo, saudou a decisão como um escudo erguido contra o que chamou de tentativa golpista — vendo na sentença a confirmação de que suas preocupações com a democracia não eram infundadas.
Poucos dias após a vitória de Lula nas eleições presidenciais de 2022, João Amoêdo foi às redes sociais elogiar uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE. O ministro havia rejeitado o pedido do Partido Liberal para anular o segundo turno — uma ação iniciada por Valdemar Costa Neto, que convocara uma coletiva ao lado de um engenheiro para alegar problemas nas urnas eletrônicas.
Moraes concedeu ao PL 24 horas para apresentar provas. O partido não entregou nada. A resposta foi contundente: multa de R$ 22,9 milhões por má-fé processual e bloqueio dos fundos partidários do PL, do Republicanos e do Progressistas. Amoêdo celebrou a decisão, relacionando a ação de Costa Neto diretamente a Bolsonaro e afirmando que Moraes havia barrado uma tentativa golpista. Destacou ainda o trecho da sentença em que o ministro classificava a conduta do partido como contrária ao Estado Democrático de Direito.
O elogio carregava um peso particular. Semanas antes, Amoêdo havia sido expulso do partido Novo por quatro votos a três, após declarar publicamente apoio a Lula sob o argumento de que Bolsonaro representava um risco substancialmente maior ao país. O presidente do Novo chamou a posição de 'vergonhosa e incoerente'. Amoêdo disse estar 'surpreso e indignado', apontando que vários dos que assinaram sua expulsão haviam votado em Bolsonaro.
Assim, ao aplaudir Moraes, Amoêdo falava como alguém que já havia pago um preço político por suas convicções democráticas — e que via na Justiça Eleitoral a confirmação de que esse preço havia valido a pena.
No final de novembro de 2022, poucos dias após a eleição presidencial que levou Luiz Inácio Lula da Silva à vitória, o empresário João Amoêdo tomou a palavra nas redes sociais para elogiar uma decisão judicial que havia acabado de ser proferida. Amoêdo, que havia sido candidato à presidência pelo partido Novo em 2018, dirigiu seus comentários ao ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, que havia rejeitado um pedido do Partido Liberal para anular o segundo turno das eleições presidenciais.
O contexto dessa decisão era claro: na terça-feira anterior, Valdemar Costa Neto, presidente do PL e deputado federal, havia convocado uma coletiva de imprensa para anunciar que sua legenda buscaria a anulação do resultado do segundo turno. Ao seu lado estava Carlos Rocha, engenheiro e presidente do Instituto Voto Legal, que argumentava que havia problemas nas urnas eletrônicas. Moraes respondeu rapidamente, dando ao partido um prazo de 24 horas para apresentar as provas de suas alegações. O PL não entregou nada. Diante dessa falha, o ministro negou o pedido e aplicou uma multa de R$ 22,9 milhões à legenda, além de bloquear os fundos partidários não apenas do PL, mas também do Republicanos e do Progressistas, partidos que haviam apoiado a candidatura à reeleição de Jair Bolsonaro.
Amoêdo viu nessa ação judicial uma barreira contra o que chamou de tentativa golpista. Em suas postagens no Twitter, ele relacionou diretamente a ação de Valdemar Costa Neto ao presidente Bolsonaro, argumentando que a decisão de Moraes havia impedido um golpe. Ele também compartilhou trechos da sentença do ministro, destacando a passagem em que Moraes classificava a ação do PL como demonstração de "total má-fé" e afirmava que o partido havia tentado usar a Justiça para contrariar o funcionamento do Estado Democrático de Direito. Para Amoêdo, a decisão foi "acertada" e representava uma proteção à democracia.
O elogio de Amoêdo à decisão de Moraes ganhava peso adicional pelo contexto pessoal de sua situação política. Semanas antes, em outubro, ele havia sido expulso do partido Novo por quatro votos a três em votação da Comissão de Ética Partidária. O motivo era direto: Amoêdo havia anunciado publicamente seu apoio a Lula, argumentando que Bolsonaro representava um risco "substancialmente maior" ao país. Essa declaração gerou reação forte entre os dirigentes do Novo. Eduardo Ribeiro, presidente nacional da legenda, classificou a posição de Amoêdo como "vergonhosa, constrangedora e incoerente". Quando recebeu a notificação de sua expulsão, Amoêdo disse estar "surpreso e indignado", observando que vários dos membros que assinaram o pedido de sua suspensão e expulsão haviam declarado voto em Bolsonaro.
Assim, quando Amoêdo elogiava a decisão de Moraes contra o PL, ele o fazia como alguém que havia rompido com sua própria legenda por questões de princípio democrático. Sua voz adquiria uma certa autoridade moral naquele momento: ele havia pagado um preço político por sua posição, e agora via a Justiça Eleitoral validar sua preocupação com a integridade das instituições democráticas. A decisão de Moraes, na sua leitura, havia impedido que a democracia fosse subvertida por meio de uma ação processual que ele caracterizava como golpista.
Citas Notables
A ação de Valdemar da Costa Neto, em cumplicidade com Bolsonaro, demonstra o risco que o atual presidente representa para a nossa democracia— João Amoêdo
A total má-fé da requerente em seu esdrúxulo e ilícito pedido, ostensivamente atentatório ao Estado Democrático de Direito— Alexandre de Moraes, em sua decisão