Alexandre Borges retorna à televisão carregando o peso silencioso do luto e da gratidão: após cuidar da mãe durante a pandemia e perder ambos os pais em Santos, o ator estreia em 'Quem Ama Cuida', novela que, não por acaso, trata exatamente do que desaparece quando chega a hora de cuidar de verdade. Santos permanece seu centro — não apenas geográfico, mas espiritual — o lugar onde o passado e os ausentes ainda se fazem presentes.
Alexandre Borges encontra conexão espiritual com pais em Santos enquanto retorna à TV
Em Santos, a ligação com eles espiritualmente fica muito intensa, muito forte.
Você voltou à televisão em uma novela que fala sobre cuidado e família. Isso foi uma escolha consciente, ou foi coincidência?
Não acho que seja coincidência. Quando Amora e Walcyr me convidaram, eu já estava vivendo isso intensamente — tinha perdido meu pai há pouco, tinha cuidado da minha mãe durante anos. A novela chegou no momento certo.
A mãe teve Alzheimer. Você passou dois anos com ela durante a pandemia. Como foi transformar aquela experiência em algo que você pudesse levar para o trabalho?
Não transformei em nada. Aquilo foi real, foi meu. Mas quando você vive um cuidado real, concreto, você entende o que a novela está tentando dizer. Você sabe o que significa estar ali quando importa.
Letícia Colin faz uma fisioterapeuta na novela. Isso trouxe memórias específicas?
Trouxe. Os profissionais que cuidaram da minha mãe em Santos foram fundamentais. Enfermeiras, técnicos, fisioterapeutas — pessoas que abrem mão da própria vida para estar com quem precisa. Quando vejo isso representado, sinto gratidão.
Você ainda mora em Santos, mesmo trabalhando em São Paulo e Rio. Por quê?
Santos é onde meus pais estão. Espiritualmente, a ligação é muito intensa agora. Quando estou lá, sinto que eles estão perto. É onde nasci, onde cresci. Não é só uma cidade, é um lugar onde recarrego as baterias.
Avenida Brasil está em reprise. Você acompanha?
Fico feliz que uma geração nova conheça aquela novela. Cadinho me deu muitas alegrias. Mas também é estranho ver seu trabalho de anos atrás sendo revisto. É como rever a si mesmo.
O que você espera que as pessoas vejam em Quem Ama Cuida?
Que entendam que amor é cuidado real. Não é dinheiro, não é interesse. É estar ali quando importa, mesmo quando é difícil. É isso que a novela tenta mostrar.
Il Polso
- Borges volta à TV após anos marcados por perdas profundas: a mãe Rosa, em 2021, e o pai Tanah, em 2023, ambos falecidos em Santos, onde ele os acompanhou de perto.
- A novela 'Quem Ama Cuida' chega carregada de ressonância pessoal — o roteiro de Walcyr Carrasco expõe famílias que se fragmentam diante do dinheiro e celebra quem escolhe ficar ao lado de quem precisa.
- A presença de Letícia Colin no elenco como fisioterapeuta desperta no ator memórias concretas dos profissionais que cuidaram de sua mãe, transformando gratidão pessoal em matéria de ficção.
- Enquanto 'Avenida Brasil' volta ao ar em reprise, uma nova geração descobre Cadinho e a química improvável que fez daquela novela um fenômeno global — e Borges observa esse reencontro com distância afetiva.
- Santos segue sendo o ponto de recarregamento: cada rua é um flashback de quarenta anos, e a ligação espiritual com os pais ali enterrados transforma a cidade natal em algo entre memória e presença.
Alexandre Borges retorna à televisão carregando o peso silencioso do luto e da gratidão: após cuidar da mãe durante a pandemia e perder ambos os pais em Santos, o ator estreia em 'Quem Ama Cuida', novela que, não por acaso, trata exatamente do que desaparece quando chega a hora de cuidar de verdade. Santos permanece seu centro — não apenas geográfico, mas espiritual — o lugar onde o passado e os ausentes ainda se fazem presentes.
Alexandre Borges voltou à televisão em um momento de peso pessoal. A estreia de 'Quem Ama Cuida' o traz de volta à rotina intensa das gravações — dividido entre São Paulo e Rio de Janeiro, mas sem se afastar de Santos, onde nasceu e onde agora sente a presença espiritual dos pais.
A mãe, Rosa, morreu em 2021; o pai, Tanah Correa, em 2023. Borges passou os últimos anos de vida deles em Santos, cuidando especialmente de Rosa durante a pandemia, quando ela desenvolveu Alzheimer. Ele descreve esse período não como sacrifício, mas como a chance de corresponder ao amor que recebeu.
A novela não é coincidência temática. 'Quem Ama Cuida', com roteiro de Walcyr Carrasco e direção de Amora Mautner, fala sobre famílias que se desintegram quando o dinheiro entra em cena e homenageia profissionais de saúde — enfermeiras, fisioterapeutas, cuidadores. Borges interpreta Ulisses, e a presença de Letícia Colin como fisioterapeuta o transporta de volta aos dias em que profissionais assim ajudaram sua mãe a se recuperar.
Este é o retorno de um ator com quase vinte e cinco novelas na carreira. Ele conhece a dinâmica — os eventos, os cenários, um ano inteiro de vida dedicado a um produto que mexe com o Brasil. Ao mesmo tempo, 'Avenida Brasil' está em reprise, e uma nova geração terá a chance de entender por que Cadinho, Carminha e aquela química toda foram tão inesperados e tão grandes.
Mas Santos segue sendo o centro. Borges ainda tem apartamento lá. Cada rua é um flashback — aqui jogava bola quarenta anos atrás, ali tinha uma namorada, ali estudou. Agora que os pais se foram, a ligação espiritual com eles na cidade é forte. Ele gosta dessa sensação. Santos o recarrega, física e emocionalmente, sempre que volta.
Alexandre Borges voltou à televisão em um momento que carrega peso pessoal. A estreia de Quem Ama Cuida, que chegou aos telespectadores na última semana, o traz de volta à rotina intensa das gravações — um trabalho que o mantém dividido entre São Paulo e Rio de Janeiro, mas que não o afasta de Santos, a cidade onde nasceu e onde agora sente a presença de seus pais de forma espiritual.
A mãe, Rosa, morreu em 2021. O pai, Tanah Correa, em 2023. Borges passou os últimos anos de vida deles em Santos, cuidando especialmente de Rosa durante a pandemia, quando ela desenvolveu Alzheimer. Foram dois anos de convivência intensa que o ator descreve com orgulho — não como sacrifício, mas como um período em que pôde corresponder o amor e o cuidado que recebeu. Agora, quando está na cidade, sente que eles estão próximos.
A novela que o traz de volta à televisão não é coincidência temática. Quem Ama Cuida fala sobre famílias que se desintegram quando o dinheiro entra em cena, sobre o que desaparece quando chega a hora de cuidar de verdade. O roteiro de Walcyr Carrasco, sob direção de Amora Mautner, também homenageia os profissionais de saúde — enfermeiras, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, cuidadores. Borges interpreta Ulisses, e a presença de Letícia Colin no elenco, fazendo uma fisioterapeuta, o transporta de volta aos dias em que profissionais assim ajudaram sua mãe a se recuperar. Ele fala deles com gratidão genuína, pessoas que abrem mão da própria família para estar com quem precisa.
Este é o retorno de um ator que já fez quase vinte e cinco novelas. Ele conhece a rotina — os eventos, os cenários, a concentração de um ano inteiro de vida dedicado a um produto que mexe com o Brasil inteiro. As pessoas o param na rua, no supermercado, criticam, elogiam, se irritam, amam. É dinâmico, é vivo. Borges se dedica para que tudo dê certo, para que as pessoas curtam.
Enquanto isso, Avenida Brasil está em reprise no Vale a Pena Ver de Novo. A novela que foi um divisor de águas, que vendeu para o mundo inteiro, que deixou Carminha, Tufão e Nina na memória emocional das pessoas. Cadinho, o personagem que Borges fez ali, lhe deu muitas alegrias — contracenar com Carolina Ferraz, Camila Morgado e Débora Bloch foi incrível. Agora uma geração nova terá a chance de conhecer a obra melhor, de entender por que aquela química foi tão inesperada, tão intensa, tão grande.
Mas Santos segue sendo o centro. Borges ainda tem um apartamento lá. Nos últimos anos, sua frequência na cidade se intensificou — visitas à mãe, momentos com amigos, períodos para relaxar. Depois veio a pandemia, que passou em Santos com Rosa e Tanah. Agora que ambos se foram, a ligação espiritual com eles ali é forte. Ele gosta dessa sensação, sente que estão perto.
A cidade não mudou muito em termos de estrutura. Mantém o visual de sua infância, sua juventude, sua adolescência. Quando passa por um lugar, é um filme, um flashback — aqui ele jogava bola quarenta anos atrás, ali tinha uma namorada, ali estudou. Nadou no Vasco da Gama. É onde nasceu, onde aprendeu a viver. Santos é uma cidade que ele ama, bem cuidada, querida pelas pessoas. Todo mundo tem uma história de Santos para contar, mesmo quem não nasceu lá. Quando Borges fala de Santos em São Paulo ou no Rio, as pessoas respondem com suas próprias histórias — uma ida nas férias, um momento marcante. É uma cidade que carrega orgulho para ele, e que o recarrega, física e emocionalmente, sempre que volta.
Citazioni salienti
O amor vem do cuidado real, concreto, a empatia, atenção. E é um pouco isso a história da trama.— Alexandre Borges, sobre o tema de Quem Ama Cuida
Sou muito grato a toda essa categoria de pessoas que se doam, que às vezes abrem mão da própria família para estarem acompanhando um idoso, uma pessoa acamada.— Alexandre Borges, sobre profissionais de saúde que cuidaram de sua mãe