Advogado de Vieira nega crimes na Operação Lex antes de instrução no STJ

Não é uma questão de prova, é uma questão de constatação
O advogado de Vieira argumenta que a inocência de seu cliente já está demonstrada nos autos do processo.
Mark

Como é que a defesa consegue argumentar que não houve crime se o Ministério Público acusou formalmente Vieira?

Mimi

A defesa diz que a prova já está no processo e que os juízes vão ver que não há fundamento. Mas é verdade que o MP mudou de acusação — começou com tráfico de influência e depois passou para recebimento de bilhetes que, segundo a defesa, nem existem.

Luke

Espera, isso é importante. A defesa está a dizer que os bilhetes não existem, mas o MP tem provas de que existem ou está apenas a alegar que existem? Porque se o MP tem documentação, a defesa está a negar factos, não a negar interpretação legal.

Mimi

Não fica claro no que foi dito. O advogado apenas afirma que não existem, mas não sabemos o que o MP tem em mãos.

Mark

E quanto ao juiz Rangel? Porque é que isso importa?

Mimi

Rangel estava envolvido num processo de Sintra onde Vieira era credor do Estado. Vieira pediu-lhe para verificar o andamento. A defesa diz que Rangel depois mentiu sobre ter feito um contacto que não fez.

Luke

Mas isso é uma questão separada, não? O facto de Rangel ter mentido não prova que Vieira não cometeu crime. E Rangel foi expulso da magistratura, portanto já há um problema de credibilidade ali.

Mimi

Exatamente. A defesa está a dizer que não havia nada de indevido em Vieira perguntar sobre um processo que estava atrasado.

Mark

Quanto tempo levou desde a acusação até começar a instrução?

Mimi

Quase dois anos. O advogado reconheceu que demorou, mas disse que era normal por causa das questões de competência entre tribunais.

Luke

Dois anos é muito tempo. Mas a questão real é: o que vai acontecer agora na instrução? Porque se o juiz achar que há matéria para julgamento, Vieira vai mesmo a tribunal, independentemente do que o advogado diz agora.

  • A defesa de Vieira entrou em tribunal com uma posição sem ambiguidades: não houve crime, e a prova já no processo deveria ser suficiente para os juízes o reconhecerem.
  • O Ministério Público abandonou a acusação inicial de tráfico de influência, mas a nova acusação — recebimento de bilhetes para camarote presidencial — é contestada pela defesa, que afirma que esses bilhetes simplesmente não existem.
  • O papel do juiz Rui Rangel, entretanto expulso da magistratura, complica o quadro: a defesa descreve como 'mentira piedosa' a informação que ele terá transmitido a Vieira sobre um contacto que talvez nunca tenha feito.
  • Dois anos separam a acusação do início da instrução, um atraso que o advogado atribui a disputas de competência entre tribunais, mas que alimenta a percepção de uma justiça morosa.
  • A instrução, agora conduzida pelo juiz conselheiro Sénio Alves, vai determinar se Vieira e os restantes dezasseis arguidos serão ou não levados a julgamento — um desfecho que a defesa espera evitar.

No Supremo Tribunal de Justiça em Lisboa, a defesa do ex-presidente do Benfica Luís Filipe Vieira abriu a fase de instrução da Operação Lex com a convicção de que a acusação do Ministério Público não resiste ao escrutínio judicial. Quase dois anos após a acusação formal de dezassete arguidos, o advogado Raul Soares da Veiga argumenta que os crimes imputados ao seu cliente — nomeadamente o recebimento de bilhetes para um camarote presidencial que, segundo a defesa, nunca existiram — carecem de qualquer fundamento. O momento recorda-nos que entre a acusação e a verdade existe sempre um espaço de disputa onde a justiça se constrói, lentamente, peça por peça.

Raul Soares da Veiga chegou ao Supremo Tribunal de Justiça em Lisboa com uma mensagem direta: Luís Filipe Vieira, ex-presidente do Benfica, não cometeu qualquer crime. À porta do tribunal, o advogado defendeu que a acusação do Ministério Público na Operação Lex não tinha fundamento e expressou confiança em evitar que o seu cliente fosse a julgamento.

O ponto central da defesa é a acusação de recebimento indevido de vantagem, imputada a Vieira em coautoria com Fernando Tavares, vice-presidente do Benfica, e o advogado Jorge Rodrigues Barroso. Soares da Veiga argumentou que a prova já reunida no processo deveria bastar para os juízes concluírem que nenhum crime ocorreu. Acrescentou que o Ministério Público havia abandonado a acusação inicial de tráfico de influência para passar a acusar Vieira de ter recebido bilhetes para um camarote presidencial — bilhetes que, segundo a defesa, nunca existiram.

Um segundo eixo da defesa envolve o juiz desembargador Rui Rangel, entretanto expulso da magistratura. A informação que Rangel terá transmitido a Vieira sobre um contacto alegadamente realizado num processo no Tribunal de Sintra — onde Vieira se reclamava credor do Estado — é descrita pelo advogado como 'uma mentira piedosa'. Soares da Veiga sublinhou que pedir a um conhecido para verificar o andamento de um processo atrasado é 'uma coisa normalíssima todos os dias'.

A instrução arrancou quase dois anos após o Ministério Público ter deduzido acusação contra dezassete arguidos, em setembro de 2020. O advogado reconheceu o atraso, atribuindo-o a discussões de competência entre tribunais. Agora sob a condução do juiz conselheiro Sénio Alves, a fase de instrução começou com a audição de testemunhas arroladas por Fernando Tavares e vai decidir se os arguidos serão ou não levados a julgamento — um desfecho que a defesa de Vieira trabalha para impedir.

Raul Soares da Veiga entrou no Supremo Tribunal de Justiça em Lisboa na quarta-feira com uma mensagem clara: seu cliente, o ex-presidente do Benfica Luís Filipe Vieira, não cometeu crime algum. Aos jornalistas reunidos à porta, o advogado defendeu que a acusação do Ministério Público na Operação Lex carecia de fundamento e expressou esperança de conseguir evitar que Vieira fosse levado a julgamento antes da primeira sessão da fase de instrução do processo.

A defesa concentra-se numa acusação específica: recebimento indevido de vantagem, crime pelo qual Vieira é acusado em coautoria com Fernando Tavares, vice-presidente do Benfica, e o advogado Jorge Rodrigues Barroso. Soares da Veiga argumentou que a prova já estava reunida no processo e que caberia aos juízes constatar que nenhum crime havia sido cometido. "Não é uma questão de prova", insistiu, "é uma questão de os senhores juízes constatarem que é assim".

O advogado apontou uma mudança significativa na estratégia acusatória. O Ministério Público havia abandonado sua formulação inicial, que apontava para tráfico de influência, e agora acusava Vieira de ter recebido bilhetes para o camarote presidencial como vantagem indevida. Segundo a defesa, porém, esses bilhetes não existiam sequer. "É disso que ele é acusado: uma coisa que não tem fundamento, no nosso ponto de vista", afirmou Soares da Veiga.

Um segundo aspecto da defesa envolvia o juiz desembargador Rui Rangel, entretanto expulso da magistratura. Soares da Veiga descreveu como "uma mentira piedosa" a informação que Rangel teria transmitido a Vieira sobre ter feito um contacto que talvez não tivesse efetivamente realizado. O contexto era um processo no Tribunal de Sintra em que Vieira reclamava ser credor do Estado. O ex-presidente teria pedido a Rangel para verificar o andamento desse caso, que estava significativamente atrasado. "Era um processo atrasadíssimo. Era credor do Estado, tinha imenso dinheiro a receber e o Estado estava atrasadíssimo para lhe pagar", explicou o advogado, caracterizando a ação como "uma coisa normalíssima todos os dias".

Quando confrontado sobre os dois anos decorridos entre o despacho de acusação e o início da fase de instrução, Soares da Veiga reconheceu que "demorou um bocado", embora atribuísse o atraso à "normalidade" em torno da discussão de competências entre tribunais. A instrução, agora a cargo do juiz conselheiro Sénio Alves, começou com a audição de testemunhas arroladas por Fernando Tavares, quase dois anos após o Ministério Público ter deduzido acusação contra dezassete arguidos em setembro de 2020.

A Operação Lex envolve um conjunto amplo de crimes alegados: corrupção passiva e ativa para ato ilícito, recebimento indevido de vantagem, abuso de poder, usurpação de funções, falsificação de documento, fraude fiscal e branqueamento de capitais. A fase de instrução determinará se os arguidos serão ou não levados a julgamento, um processo que a defesa de Vieira espera que resulte no arquivamento do caso contra seu cliente.

Não cometeu crime nenhum no caso Operação Lex
— Raul Soares da Veiga, advogado de Luís Filipe Vieira
A acusação do Ministério Público não tem fundamento
— Raul Soares da Veiga
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