Advogado de Trump chama caso de fraude de 'fabricado' enquanto juiz recebe ameaça de bomba

Funcionária do juiz Engoron sofreu ameaças após críticas de Trump, levando a ordem de silêncio contra ex-presidente.
Todo este caso é uma alegação fabricada para perseguir uma agenda política
Argumento central da defesa de Trump no último dia do julgamento de fraude civil em Nova York.
Mark

Por que a ameaça de bomba importa tanto nesta história? Parece um incidente separado do julgamento em si.

Mimi

Não é separado. Engoron já havia enfrentado ameaças contra sua equipe por meses. A ameaça de bomba no último dia mostra como o caso se tornou pessoal e perigoso para as pessoas envolvidas.

Luke

Mas precisamos ser claros: sabemos que a ameaça foi feita, mas não sabemos quem a fez ou se tinha qualquer conexão real com Trump ou seus apoiadores. A polícia confirmou que respondeu, mas não divulgou detalhes.

Mark

Entendo. Então Trump está dizendo que o caso é fabricado, mas o juiz já decidiu que ele cometeu fraude. Como isso funciona?

Mimi

O juiz já determinou que fraude ocorreu. Agora o julgamento é sobre quanto Trump deve pagar. Kise está argumentando que mesmo que os números fossem inflacionados, ninguém foi prejudicado porque os bancos continuaram lucrando.

Luke

Esse é um argumento legal específico sobre danos. Mas a procuradora-geral está argumentando que os danos incluem ganhos ilícitos que Trump obteve através da fraude, não apenas perdas diretas aos credores.

Mark

E quanto aos filhos dele? Por que alguns deles testemunharam?

Mimi

Porque a defesa queria mostrar que eles não estavam envolvidos na preparação dos números financeiros, sugerindo que Trump agiu sozinho ou com poucos cúmplices.

Luke

Mas Ivanka não é ré, o que é interessante. Ela estava envolvida na administração da empresa, mas não foi acusada. Isso levanta questões sobre por que ela foi poupada.

Mark

Trump pode simplesmente apelar e atrasar tudo?

Mimi

Sim. Ele já anunciou que vai apelar. Isso pode levar um ano ou mais para ser resolvido.

Luke

E enquanto isso, ele continua sendo o favorito para a indicação republicana. Nenhum desses problemas legais — este ou os criminais — diminuiu seu apoio entre os eleitores do partido.

  • Uma ameaça de bomba na residência do juiz Arthur Engoron, descoberta às 5h30 da manhã, forçou reforço policial imediato e lançou uma sombra de violência sobre o encerramento do julgamento.
  • A defesa de Trump insistiu que todo o processo é uma fabricação política, enquanto o juiz já havia declarado em setembro que fraude foi cometida — tornando o julgamento uma disputa sobre o tamanho da punição, não sobre a culpa.
  • Funcionários do tribunal sofreram ameaças após críticas públicas de Trump, resultando em ordens de silêncio e multas de 15 mil dólares por violações — sinais de que a pressão extrajudicial se tornou parte do próprio caso.
  • Trump chegou ao tribunal reiterando acusações de 'caça às bruxas' e foi impedido de fazer argumentos finais por recusar-se a seguir regras básicas que evitariam um discurso de campanha disfarçado de defesa jurídica.
  • Com o veredicto ainda por vir e Trump já anunciando recurso, a resolução definitiva pode levar meses ou mais de um ano — enquanto ele lidera as primárias republicanas apesar de quatro processos criminais em aberto.

No encerramento de um julgamento que expõe as tensões entre poder, lei e política nos Estados Unidos, o ex-presidente Donald Trump viu seu último dia no tribunal ser marcado não apenas por argumentos jurídicos, mas por uma ameaça de bomba contra o próprio juiz que conduz o caso. Em Nova York, a procuradora-geral Letitia James busca banir Trump do mercado imobiliário e impor-lhe multas de 370 milhões de dólares por alegada manipulação sistemática de valores patrimoniais — acusações que a defesa insiste serem motivadas por perseguição política. O episódio revela como, em tempos de polarização profunda, a sala de audiências tornou-se também um campo de batalha simbólico, onde a segurança física dos magistrados e a integridade das instituições são postas à prova simultaneamente.

No último dia do julgamento de fraude civil contra Donald Trump em Nova York, duas crises se sobrepuseram: uma ameaça de bomba contra o juiz Arthur Engoron mobilizou autoridades do condado de Nassau ainda de madrugada, enquanto dentro do tribunal o advogado de defesa Christopher Kise insistia que todo o processo era uma perseguição política sem fundamento.

O caso, movido pela procuradora-geral Letitia James, acusa Trump de manipular sistematicamente o valor de suas propriedades para obter melhores condições de financiamento. O juiz Engoron já havia concluído em setembro que Trump e sua empresa cometeram fraude; o julgamento em curso tratava apenas do montante das sanções — que podem chegar a 370 milhões de dólares, além de uma possível proibição de atuar no mercado imobiliário de Nova York. Kise argumentou que os bancos e seguradoras envolvidos continuaram lucrando e que nenhum dano real foi causado.

A segurança no tribunal tornou-se tema recorrente ao longo dos meses de julgamento. Uma funcionária de Engoron recebeu ameaças depois que Trump a atacou publicamente, levando o juiz a emitir uma ordem de silêncio. Trump foi multado duas vezes por descumpri-la. Na véspera, Engoron negou ao ex-presidente o direito de apresentar argumentos finais após ele recusar regras que impediriam um discurso de campanha.

O julgamento incluiu confrontos com o ex-advogado Michael Cohen, que afirmou ter sido orientado por Trump a manipular valores de ativos — descrição que a defesa rejeitou, chamando Cohen de 'mentiroso em série'. Os filhos de Trump também depuseram, alegando pouco envolvimento na preparação dos documentos financeiros da Organização Trump.

Trump, principal candidato republicano à presidência, enfrenta ainda quatro processos criminais. Nenhum deles abalou sua liderança nas primárias. Ele já anunciou que recorrerá de qualquer decisão contrária, o que pode adiar uma resolução definitiva por um ano ou mais.

No último dia do julgamento de fraude civil contra Donald Trump em Nova York, duas crises convergiram na sala de tribunal: uma ameaça de bomba contra o juiz Arthur Engoron forçou o reforço de segurança no edifício, enquanto o advogado de defesa Christopher Kise argumentava que todo o processo era uma fabricação política. Autoridades do condado de Nassau responderam à ameaça na residência de Engoron por volta das 5h30 da manhã, confirmando o incidente sem divulgar detalhes adicionais.

O caso que Kise descrevia como infundado é, na verdade, uma ação civil movida pela procuradora-geral de Nova York, Letitia James, que busca banir Trump do setor imobiliário do Estado e impor-lhe aproximadamente 370 milhões de dólares em sanções. A acusação central é que Trump manipulou sistematicamente o valor de suas propriedades para obter melhores condições de financiamento. O juiz Engoron já havia decidido em setembro que Trump e sua empresa cometeram fraude, transformando o julgamento atual em uma disputa sobre o montante das indenizações. Kise argumentou que qualquer manipulação de valores foi inofensiva porque os bancos e seguradoras que trabalhavam com a Organização Trump continuaram lucrando e estariam dispostos a fazer negócios com ele independentemente de seu patrimônio líquido real.

A segurança no tribunal tornou-se uma questão central durante meses de julgamento. A funcionária principal de Engoron recebeu ameaças após Trump a criticar publicamente como politicamente tendenciosa, levando o juiz a emitir uma ordem de silêncio proibindo o ex-presidente de atacar membros de sua equipe. Trump foi multado em 15 mil dólares por violar essa ordem duas vezes. Na quarta-feira, Engoron negou o pedido de Trump para apresentar argumentos finais após o ex-presidente recusar-se a aceitar regras básicas que o impediriam de fazer um discurso de campanha.

Ao chegar ao tribunal nesta quinta-feira, Trump reiterar suas críticas habituais, chamando o julgamento de "caça às bruxas" e reclamando que não tinha permissão para apresentar seu caso adequadamente. "Eu realmente não tenho direitos", disse ele. Quando a procuradora-geral James chegou, alguns apoiadores a aplaudiram e gritaram agradecimentos, enquanto a polícia montava guarda e controlava rigorosamente as entradas do edifício.

O julgamento incluiu confrontos significativos entre Trump e seu ex-advogado Michael Cohen, que testemunhou que o ex-presidente o orientou a manipular valores de ativos. Kise descreveu Cohen como um "mentiroso em série". Os filhos adultos de Trump — Donald Jr., Eric e Ivanka — também depuseram, afirmando ter pouco ou nenhum envolvimento na preparação dos demonstrativos financeiros enquanto dirigiam a Organização Trump. Ivanka não é ré no caso. Durante seu próprio depoimento em novembro, Trump admitiu ter fornecido avaliações incorretas de propriedades, embora sua defesa tenha argumentado que isso não causou dano real.

Trump é o principal candidato à indicação republicana para desafiar o presidente Joe Biden nas eleições de novembro, e o julgamento é apenas um de vários problemas legais que enfrenta. Ele se declarou inocente em quatro processos criminais, incluindo dois relacionados a tentativas alegadas de reverter sua derrota eleitoral de 2020. Nenhum desses processos legais diminuiu sua liderança sobre rivais republicanos. Engoron emitirá um veredicto em data posterior, sem júri. Trump já anunciou que recorrerá de qualquer decisão contra ele, um processo que poderia atrasar a resolução final por meses ou até mais de um ano.

Eu realmente não tenho direitos
— Donald Trump, ao chegar ao tribunal
Todo este caso é uma alegação fabricada para perseguir uma agenda política
— Christopher Kise, advogado de Trump
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