Acuado por protestos, premiê da Albânia ameaça multar manifestantes e endurece postura

Após os protestos de sábado, 23 pessoas foram presas formalmente, 13 enfrentam processos judiciais e 30 são procuradas pela polícia.
Responderemos olho por olho, para lhe dar o que merece
Sali Berisha, líder da oposição, reagiu ao anúncio de Rama de endurecer a resposta aos protestos.
Mark

Começou como protesto contra um projeto turístico. Como chegou a pedir a renúncia do premiê?

Mimi

Os atos eram pacíficos e miravam um empreendimento ligado à família Trump, com acusações de corrupção e falta de transparência. Na última semana entraram os estudantes, com pautas sobre as universidades e a exigência de que Rama saia.

Mark

E a lei, o que muda na prática?

Mimi

Multas acima de 550 dólares para quem ficar em multidão onde haja violência ou saques, ou para quem esconder a identidade. A polícia também poderia restringir concentrações quando vir risco de violência.

Luke

Vale lembrar que isso é um anúncio em discurso. Não há no material informação sobre texto final, votação ou data de vigência.

Mark

Há algo na lei voltado a quem protesta, além das multas?

Mimi

Prevê indenizações a pequenas empresas afetadas e medidas contra quem incentive ou coordene a participação de menores nas manifestações.

Luke

Esse ponto é sensível porque os estudantes do ensino médio são parte central dos atos. Mas como a medida seria aplicada, não sabemos.

Mark

E a violência? Quem a causou?

Luke

O que está confirmado é que houve confrontos entre forças de segurança e manifestantes e ataques ao Ministério da Educação. A responsabilidade de cada lado não está detalhada.

Mimi

Os números da polícia são 23 presos, 13 com processos e 30 procurados após o sábado.

Luke

São números da própria polícia, sem checagem independente.

  • Rama anunciou multas acima de 550 dólares para quem permanecer em multidões com violência, saques ou ocultação de identidade.
  • Os protestos que começaram contra um projeto turístico ligado à família Trump ganharam força com estudantes que exigem a renúncia do premiê.
  • Confrontos entre forças de segurança e manifestantes deixaram 23 presos, 13 processos e 30 pessoas procuradas pela polícia.
  • A oposição de Sali Berisha promete resistir firmemente e responder às medidas, enquanto a aplicação da nova lei nas próximas manifestações segue incerta e tensa.

Num domingo de outubro, às vésperas de mais uma marcha em Tirana, o primeiro-ministro albanês Edi Rama decidiu responder ao clamor das ruas com o peso da lei. Um movimento que nasceu contra um empreendimento turístico cercado de suspeitas de corrupção, ligado à família de Donald Trump, transformou-se em um desafio mais amplo, em que estudantes pedem melhores universidades e a saída do próprio premiê. Ao prometer multas para quem permanecer em multidões violentas, Rama reabre uma velha questão das democracias: até onde o Estado pode restringir a praça pública sem apagar a voz que a ocupa.

Neste domingo (25), horas antes de uma nova manifestação em Tirana, o primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, anunciou em redes sociais que vai endurecer a resposta aos protestos que pedem sua renúncia. Líder do Partido Socialista, aos 62 anos, ele promete promulgar uma lei que multará participantes de manifestações violentas.

Segundo Rama, as multas ultrapassarão 550 dólares e atingirão quem decidir permanecer em uma multidão com violência ou saques, além de quem ocultar a identidade nesses locais. A nova legislação também daria à polícia poderes para restringir concentrações onde haja risco de violência, prevê indenizações para pequenas empresas afetadas e mira quem incentive ou organize a participação de menores em idade escolar.

O movimento começou com atos majoritariamente pacíficos contra um projeto turístico ligado à família de Donald Trump, alvo de indignação por suspeitas de corrupção e falta de transparência. Na última semana, estudantes entraram em cena reivindicando melhorias nas universidades e a saída de Rama, e os confrontos se intensificaram, com ataques a prédios oficiais, inclusive o Ministério da Educação.

O balanço policial após os atos de sábado aponta 23 presos formalmente, 13 processos e 30 pessoas procuradas. A oposição reagiu de imediato: Sali Berisha, do Partido Democrático, afirmou que a população não aceitará as medidas e prometeu oposição firme. Agora, o que está em jogo é se a lei será promulgada como anunciada e como a polícia a aplicará nas próximas ruas.

Neste domingo (25), horas antes de uma nova manifestação em Tirana, o primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, apareceu nas redes sociais para anunciar que vai endurecer a resposta aos protestos que pedem sua renúncia. Líder do Partido Socialista, aos 62 anos, ele disse que promulgará uma lei para multar participantes de manifestações violentas.

Segundo Rama, as multas ultrapassarão 550 dólares e atingirão "qualquer pessoa que decida permanecer em uma multidão" em que haja violência ou saques em espaços públicos. A penalidade também valerá para quem "ocultar sua identidade" nesses locais. O premiê afirmou que as restrições se aplicariam a qualquer tipo de concentração em que houvesse danos materiais.

A proposta vai além das multas. A nova lei daria à polícia poderes para restringir "concentrações" em casos nos quais se considere haver risco de violência. Prevê ainda indenizações para pequenas empresas afetadas pelos protestos e medidas contra quem "incentive, organize ou coordene" a participação de menores em idade escolar nas manifestações.

O movimento começou meses atrás, com atos em sua maioria pacíficos contra um projeto turístico ligado à família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O empreendimento provocou indignação por causa de acusações de corrupção e da falta de transparência do governo.

Na última semana, o cenário mudou com o início de protestos estudantis. Os jovens reivindicam melhorias nas condições das universidades, denunciam a corrupção e exigem a saída de Rama. Nessas manifestações, houve confrontos violentos entre forças de segurança e manifestantes, e os participantes atacaram o Ministério da Educação e outros prédios oficiais. Os professores manifestaram apoio aos estudantes do ensino médio que participaram dos protestos deste ano.

O balanço policial após os atos de sábado indica o custo imediato: 23 pessoas foram formalmente presas, outras 13 são alvo de processos judiciais e 30 estão sendo "procuradas".

A oposição reagiu de imediato. O líder conservador Sali Berisha, presidente do Partido Democrático, disse em um debate online que a população não aceitará as medidas. "Vamos nos opor firmemente a elas" e "responderemos olho por olho" a Rama, "para lhe dar o que merece", declarou.

O que se acompanha agora é se a lei será de fato promulgada nos termos anunciados e como a polícia a aplicará nas próximas manifestações, com a oposição prometendo resistência e as prisões e buscas já em andamento.

Vamos nos opor firmemente a elas e responderemos olho por olho.
— Sali Berisha, presidente do Partido Democrático
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