Contra ele, as coisas não têm funcionado muito bem
Após a derrota do Palmeiras para o Flamengo no Maracanã, o técnico Abel Ferreira encontrou-se preso entre a promessa do silêncio e o peso da frustração acumulada. Sem nomear diretamente o árbitro Wilton Sampaio como vilão, Abel deixou que as palavras escolhidas falassem por si — um retrato familiar na história do futebol, onde a linha entre a crítica legítima e o pretexto para a derrota raramente é nítida. O episódio revela não apenas uma noite difícil no Rio, mas cinco anos de tensão silenciosa entre um treinador estrangeiro, a imprensa brasileira e as instituições do jogo.
- Abel prometeu não falar sobre arbitragem e passou dez minutos fazendo exatamente isso, revelando uma contradição que ele mesmo parecia incapaz de evitar.
- O lateral Piquerez foi expulso após o apito final por indignação com o árbitro, condensando em um gesto o clima de revolta que tomou conta do elenco palmeirense.
- Abel acusou Wilton Sampaio de desligar o microfone ao se dirigir aos jogadores do Palmeiras, transformando uma reclamação técnica em uma denúncia de desrespeito pessoal.
- O técnico virou-se contra a imprensa brasileira, questionando por que sua recusa histórica em reclamar da arbitragem havia sido lida como fraqueza e não como postura profissional.
- Ao elogiar o Flamengo como equipe suficientemente boa para vencer qualquer rival no Brasil, Abel sinalizou que a derrota não era só da arbitragem — mas a mágoa com Sampaio permaneceu nas entrelinhas.
Abel Ferreira deixou o Maracanã com uma contradição embutida na fala. O técnico do Palmeiras havia prometido não comentar a arbitragem após a derrota para o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro — e então passou dez minutos fazendo exatamente isso.
O alvo das críticas era Wilton Pereira Sampaio, árbitro da Fifa. Abel apontou um pênalti não marcado no primeiro tempo, alegando que Pedro havia empurrado antes de Bruno Fuchs cometer a falta. Havia também, segundo o clube, uma irregularidade no lance que originou a penalidade favorável ao Flamengo. O lateral Piquerez foi expulso após o apito final por demonstrar indignação — um detalhe que resumia o estado emocional do time.
O que mais incomodou Abel, porém, foi o comportamento do árbitro fora do campo. Ele acusou Wilton Sampaio de desligar o microfone ao falar com os jogadores palmeirenses após a partida, classificando a atitude como desrespeitosa. "Já me expulsou quatro ou cinco vezes", disse, deixando o resto da frase no ar.
Abel também ajustou as miras para a imprensa brasileira, com quem mantém uma relação tensa há cinco anos. Reclamou de ter sido chamado de "chato" por não defender a arbitragem publicamente, e questionou por que isso seria esperado dele. A crítica revelava uma mágoa antiga: sua contenção havia sido lida como fraqueza, e agora, ao falar, era visto como alguém que não sabia perder.
No encerramento, Abel reconheceu a qualidade do adversário. "O Flamengo é bom o suficiente para dividir o jogo contra qualquer equipe no Brasil", disse — uma admissão de que a derrota tinha mais de uma causa, mesmo que a frustração com o árbitro permanecesse presente em cada pausa da coletiva.
Abel Ferreira saiu da coletiva de imprensa no Maracanã com uma contradição já embutida na garganta. O técnico do Palmeiras havia prometido não falar sobre arbitragem. Depois passou dez minutos falando sobre arbitragem.
O Palmeiras havia perdido para o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro, e a frustração dos jogadores paulistas se concentrava na atuação de Wilton Pereira Sampaio, árbitro da Fifa lotado em Goiás. Vitor Roque e Gustavo Gómez marcaram para o Palmeiras, mas não foi o suficiente. O que restou foi a sensação de que o jogo havia sido decidido por algo além do que acontecia dentro das linhas.
Abel começou com a frase de quem quer se manter acima da briga: "Do árbitro, especificamente, não vou falar. Os lances estão aí, todos viram." Mas então começou a falar. Disse que contra Wilton Sampaio "as coisas não têm funcionado muito bem". Apontou o pênalti não marcado no primeiro tempo — um lance em que, na sua leitura, Pedro havia empurrado antes de Bruno Fuchs cometer a falta. "Se fosse basquete, era falta de ataque", disse, tentando enquadrar a sequência em termos que fizessem sentido. Havia também, segundo o Palmeiras, uma irregularidade no lance que originou o pênalti para o Flamengo, o que gerou reclamações que ecoaram para além do campo.
Mas o que mais incomodou Abel não foram apenas as decisões. Foi o tom. Ele acusou Wilton Sampaio de desligar o microfone ao falar com os jogadores palmeirenses após o apito final, uma atitude que caracterizou como desrespeitosa. "Já me expulsou quatro ou cinco vezes. A forma que ele falou com meus jogadores após o jogo… Enfim." O lateral Piquerez havia sido expulso após o término da partida por demonstrar indignação com o árbitro, um detalhe que resumia o clima de frustração que tomou conta do time.
Abel também se virou para a imprensa brasileira, com quem mantém uma relação tensa há cinco anos no comando do Palmeiras. Reclamou de ter sido caracterizado como "chato" por não defender a arbitragem, e questionou por que jornalistas esperavam que ele fizesse isso. "Quando fui expulso, levei amarelos, ninguém falava dos árbitros. Estou aqui há cinco anos e o que vocês jornalistas fizeram foi dizer que o treinador do Palmeiras era chato, não defendia a arbitragem. Isso não é minha função." A crítica revelava uma mágoa acumulada — a sensação de que sua recusa em reclamar havia sido interpretada como fraqueza, e agora, quando finalmente apontava problemas, era visto como alguém que não conseguia lidar com derrotas.
No fim, Abel reconheceu a qualidade do Flamengo. "O Flamengo é uma excelente equipe, com um excelente treinador. Não precisa de outras coisas. O Flamengo é bom o suficiente para dividir o jogo contra qualquer equipe no Brasil." Era uma forma de dizer que a derrota não era apenas culpa da arbitragem, mas também uma admissão de que, naquele dia, o Palmeiras não havia sido bom o suficiente. Ainda assim, a frustração com Wilton Sampaio permanecia — não dita abertamente, mas presente em cada pausa, em cada crítica velada, em cada acusação de desrespeito.
Notable Quotes
Do árbitro, especificamente, não vou falar. Os lances estão aí, todos viram— Abel Ferreira, técnico do Palmeiras
A forma que ele falou com meus jogadores após o jogo… Enfim— Abel Ferreira, sobre o comportamento de Wilton Sampaio
The Hearth Conversation Another angle on the story
Abel disse que não ia falar sobre arbitragem e depois passou dez minutos falando. Como se explica essa contradição?
Não é bem contradição. É o que acontece quando você tenta manter a compostura profissional mas a frustração é maior que a disciplina. Ele sabia que reclamar demais o prejudicaria, mas os lances o incomodavam demais para ficar em silêncio.
O que mais o irritou — as decisões em si ou a forma como Wilton Sampaio se comportou?
As duas coisas, mas a forma talvez tenha sido pior. Uma decisão errada é técnica. Desligar o microfone e ser desrespeitoso com os jogadores é pessoal. Abel sentiu que foi tratado com falta de respeito.
Ele mencionou ter sido expulso quatro ou cinco vezes por Wilton. Isso sugere um histórico?
Sim. Não é a primeira vez que eles se chocam. Há um padrão ali que Abel vê como injusto — que ele é expulso enquanto outros técnicos reclamam sem consequências.
Por que ele atacou a imprensa no final?
Porque sente que foi mal interpretado durante cinco anos. Recusou-se a reclamar de arbitragem e foi visto como fraco. Agora que reclama, é visto como alguém que não aceita derrota. Não consegue ganhar nessa.
O Palmeiras realmente teve razão nas reclamações?
Havia lances questionáveis, sim. Mas Abel mesmo reconheceu que o Flamengo é uma equipe excelente. A verdade é que o Palmeiras não foi bom o suficiente naquele dia, e a arbitragem se tornou uma forma de processar essa frustração.