No coração de uma das maiores instituições de infectologia do Brasil, os números de outubro de 2021 compõem uma sentença silenciosa sobre a escolha humana diante da proteção disponível: de 1.172 internados por covid-19 no Emílio Ribas, nove em cada dez não haviam completado o esquema vacinal, e a esmagadora maioria dos que morreram jamais havia recebido sequer uma dose. A ciência, confirmada por estudos com dezenas de milhões de brasileiros, já havia demonstrado que as vacinas reduziam internações e mortes em até 90% — e as enfermarias transformadas em laboratórios involuntários confirmavam, l
90% dos hospitalizados por covid não completaram esquema vacinal, aponta hospital de SP
A vacina protege pessoas. Não protege todas, mas oferece o máximo de proteção possível.
Por que um hospital escolheria fazer esse levantamento justamente naquele momento?
Porque estavam vendo algo nos leitos que precisava ser documentado. Quando 90% dos seus pacientes graves compartilham uma característica — não estarem vacinados — você tem uma responsabilidade de comunicar isso.
Os números de morte são particularmente alarmantes. 237 de 274 óbitos sem nenhuma dose. Isso não é coincidência?
Não. É o padrão que emerge quando você tem dados de mais de mil internações. A vacina não elimina o risco, mas reduz drasticamente a probabilidade de que a infecção se torne fatal.
E quanto aos 16 que morreram mesmo completamente vacinados?
Existem. A vacina não é um escudo impenetrável. Mas em proporção — 16 entre 138 vacinados versus 237 entre 1.034 não vacinados — a diferença é gritante.
O médico fala em "máximo de proteção no máximo de indivíduos". Parece uma frase cuidadosa.
É. Ele está sendo honesto sobre os limites. Nenhuma vacina protege 100% de quem a recebe. Mas quando você vê 90% de seus internados sem proteção completa, você está vendo o que acontece quando a cobertura vacinal falha.
E as doses de reforço que ele menciona?
Naquele momento, em outubro de 2021, o Brasil estava começando a oferecer reforços. O médico estava dizendo: não paramos aqui. A proteção precisa ser mantida.
El Pulso
- A pandemia continuava ceifando vidas em 2021, mas os dados do Emílio Ribas revelavam uma assimetria perturbadora: a morte escolhia, com frequência brutal, aqueles que ainda não haviam se vacinado.
- Dos 274 pacientes que morreram no hospital, 237 nunca haviam recebido nenhuma dose — um silêncio estatístico que ecoa como urgência.
- Estudos com mais de 60 milhões de brasileiros vacinados comprovavam efetividades de 75% a 90% contra internações e mortes, tornando a hesitação vacinal um risco mensurável e evitável.
- O infectologista Jamal Suleiman apontava para a próxima fronteira: as doses de reforço, ainda subutilizadas, como camada adicional de proteção para os mais vulneráveis.
- O hospital, reorientado inteiramente para o tratamento da covid-19, tornava-se o espelho mais fiel da distância entre a proteção possível e a proteção alcançada pela população.
No coração de uma das maiores instituições de infectologia do Brasil, os números de outubro de 2021 compõem uma sentença silenciosa sobre a escolha humana diante da proteção disponível: de 1.172 internados por covid-19 no Emílio Ribas, nove em cada dez não haviam completado o esquema vacinal, e a esmagadora maioria dos que morreram jamais havia recebido sequer uma dose. A ciência, confirmada por estudos com dezenas de milhões de brasileiros, já havia demonstrado que as vacinas reduziam internações e mortes em até 90% — e as enfermarias transformadas em laboratórios involuntários confirmavam, leito a leito, o que os dados prometiam.
No Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, os dados de 1.172 internações por covid-19 formavam um retrato sem ambiguidade: 1.034 pacientes — cerca de 90% — não haviam completado o esquema vacinal. Apenas 138 estavam totalmente imunizados quando precisaram de hospitalização.
O peso maior recaía sobre os óbitos. Dos 274 pacientes que morreram, 237 nunca haviam recebido nenhuma dose de vacina. Outros 21 tinham apenas a primeira dose. Somente 16 dos que faleceram possuíam o esquema completo — uma proporção que, por si só, narrava a diferença entre proteção e ausência dela.
O infectologista Jamal Suleiman traduziu os achados com objetividade: a vacina protege pessoas. Não a todas, mas oferece o máximo de proteção possível ao maior número de indivíduos. Em outubro de 2021, ele já sinalizava a urgência das doses de reforço para os grupos elegíveis.
Os dados do Emílio Ribas encontravam respaldo em pesquisa mais ampla. Um estudo internacional analisou informações de mais de 60 milhões de brasileiros vacinados entre janeiro e junho de 2021, período de predominância da variante Gama. Os resultados mostraram efetividade de 75% para a CoronaVac e de 90% para a AstraZeneca/Oxford contra internações e mortes — números extraídos da realidade, não de modelos teóricos.
O que as enfermarias do Emílio Ribas documentavam era a tradução prática desses percentuais: a diferença entre vacinados e não vacinados inscrita em cada leito ocupado, em cada morte que poderia ter sido evitada.
No Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, os números falam com clareza brutal. De cada dez pacientes internados por covid-19, nove não haviam completado seu esquema vacinal. A instituição pública, que reorientou toda sua operação para o tratamento de infectados pelo coronavírus, reuniu dados de 1.172 internações e encontrou um padrão que não deixa espaço para ambiguidade: a vacinação funciona.
Entre os 1.172 pacientes hospitalizados, 1.034 não tinham recebido as duas doses ou a dose única exigida para proteção completa. Apenas 138 estavam totalmente imunizados. Mas o dado mais contundente emergiu quando se olhou para os óbitos. Dos 274 pacientes que morreram, 237 nunca haviam recebido nenhuma dose de vacina. Outros 21 haviam tomado apenas a primeira dose. Apenas 16 dos que faleceram tinham o esquema completo.
Jamal Suleiman, infectologista do Emílio Ribas, resumiu o achado com precisão: a vacina protege pessoas. Não protege todas, mas oferece o máximo de proteção possível ao máximo de indivíduos. Naquele momento, em outubro de 2021, o médico já apontava para a próxima etapa: a urgência das doses de reforço. Ele enfatizava que era fundamental que as pessoas procurassem os sistemas de saúde para receber esses agentes imunizantes, especialmente os reforços para aqueles que se qualificavam para essa abordagem.
Os dados do Emílio Ribas não estavam sozinhos. Pesquisadores brasileiros haviam conduzido um estudo abrangente analisando a efetividade real das vacinas em circulação no país. Entre janeiro e junho de 2021, período em que a variante Gama predominava no Brasil, um grupo internacional examinou informações de mais de 60 milhões de brasileiros vacinados. O levantamento incluía diagnósticos confirmados, internações, admissões em UTI e óbitos.
Os resultados foram inequívocos. A CoronaVac demonstrou efetividade de 75% contra internações e mortes. A fórmula da AstraZeneca em parceria com Oxford alcançou 90%. Esses números não eram teóricos — eram extraídos de milhões de casos reais, do mundo tal como ele era, não como se esperava que fosse.
O que o Emílio Ribas documentava em suas enfermarias era a manifestação prática desses percentuais. A proteção oferecida pelas vacinas não era perfeita, mas era substancial. Entre os hospitalizados, a diferença entre vacinados e não vacinados era visível em cada leito ocupado, em cada morte evitada ou não. O hospital havia se tornado, naqueles meses, um laboratório involuntário onde a efetividade das vacinas se traduzia em vidas salvas ou perdidas.
Citas Notables
O papel da vacina é proteger pessoas. A gente não consegue todas, mas o máximo de proteção, no máximo de indivíduos.— Jamal Suleiman, infectologista do Instituto Emílio Ribas
É fundamental que as pessoas acorram aos sistemas de saúde para receber esses agentes imunizantes, o que inclui a dose de reforço nos indivíduos elegíveis.— Jamal Suleiman, infectologista do Instituto Emílio Ribas