42% dos portugueses abandona atividades online por má qualidade de Internet

Pagaram por qualidade. Receberam falhas.
Três quartos dos portugueses dizem que é frustrante sofrer interrupções de rede em serviços de Internet premium.
Mark

Então 42% é um número grande. Mas é 42% de quem, exatamente?

Mimi

De 600 utilizadores de Internet em Portugal que foram inquiridos. A amostra é razoável, mas é importante notar que é uma amostra — não é toda a população portuguesa.

Luke

E quando foi feito o estudo? O artigo diz que as pessoas abandonaram atividades em agosto, mas não especifica em que mês foi feito o inquérito. Pode ter sido meses depois, o que significa que as pessoas estão a recordar-se de algo que aconteceu há tempo.

Mark

Certo. E esses 42% — abandonaram uma coisa ou muitas coisas?

Mimi

O estudo diz "uma atividade", singular. Não sabemos se a mesma pessoa abandonou múltiplas atividades ou se foi apenas uma vez.

Luke

Exatamente. É um número que soa grande, mas pode significar que uma pessoa tentou ver um vídeo, desistiu, e foi contada nos 42%. Não sabemos a frequência ou o impacto real.

Mark

E quanto aos problemas específicos — 51% com carregamento lento, 36% com streaming. Essas pessoas são as mesmas dos 42%?

Mimi

Provavelmente não. Estes parecem ser números separados sobre os tipos de problemas mais frequentes. Não há sobreposição clara no estudo.

Luke

Isso é importante. Pode haver pessoas que sofrem de carregamento lento mas não abandonam atividades. Ou pessoas que abandonam por razões que não têm a ver com os problemas listados. Os números não se conectam de forma clara.

Mark

O que me impressiona é o 76% — a frustração com serviços premium. Isso parece ser o verdadeiro problema.

Mimi

Sim. Porque não é apenas sobre a rede não funcionar. É sobre a quebra de contrato — pagaram por qualidade e não a recebem.

Luke

Mas o estudo não diz quanto é que as pessoas estão dispostas a pagar, ou se mudariam de fornecedor se tivessem alternativa. A frustração é real, mas não sabemos se vai levar a ação.

  • 42% dos portugueses desistiram de atividades online em agosto — não por escolha, mas porque a rede simplesmente falhou.
  • 76% sentem que pagar por um serviço premium e receber falhas é uma violação de uma promessa, não apenas um contratempo.
  • As falhas mais comuns — páginas lentas (51%), quedas de ligação (46%) e problemas de streaming (36%) — acumulam-se numa frustração que atravessa toda a experiência digital.
  • 53% dos utilizadores têm menos paciência do que há cinco anos, e metade exige que qualquer resposta digital chegue em menos de dois segundos.
  • O estudo não aponta soluções, mas deixa claro que o status quo já não é tolerado — a pressão sobre operadores, reguladores e infraestrutura está a crescer.

Em agosto de 2026, um estudo da Netsonda ouviu 600 portugueses e descobriu que quatro em cada dez abandonaram atividades online por falhas na ligação — não por falta de vontade, mas por falta de rede. O que emerge não é apenas uma queixa técnica, mas uma tensão filosófica mais profunda: a promessa digital foi comprada, mas não foi entregue. À medida que a vida quotidiana migra para o espaço online, a tolerância à imperfeição encolhe, e o que era inconveniente torna-se inaceitável.

Quatro em cada dez portugueses desistiram de algo na Internet em agosto. Não por falta de interesse — porque a rede não permitiu. Um estudo da Netsonda, encomendado pela DE-CIX e baseado em 600 utilizadores, revelou que 42% abandonaram uma atividade online por mau desempenho da ligação nesse mês.

O número mais revelador, porém, é outro: 76% dos inquiridos consideram frustrante sofrer interrupções quando pagam por um serviço premium. Para estes utilizadores, não se trata de um mero incómodo técnico — é a quebra de uma promessa que acreditam ter adquirido. Pagaram por qualidade e receberam falhas.

As perturbações mais frequentes incluem páginas lentas a carregar (51%), quedas de ligação (46%) e problemas com streaming de vídeo (36%), a que se somam congelamentos em chamadas e atrasos em jogos online. Isolados, cada problema parece menor. Em conjunto, formam um padrão de frustração que atravessa toda a experiência digital portuguesa.

Ivo Ivanov, presidente executivo da DE-CIX, sublinha que os consumidores já não avaliam a Internet apenas pela velocidade: a latência, a consistência e a infraestrutura subjacente tornaram-se igualmente determinantes. À medida que os serviços digitais se integraram no quotidiano, a fiabilidade deixou de ser um luxo para se tornar uma expectativa básica.

Essa expectativa é cada vez mais exigente. Mais de metade dos inquiridos — 53% — afirma ter menos paciência do que há cinco anos. Durante o trabalho, 65% consideram inaceitáveis falhas ou atrasos; em transações financeiras, 63%; em comunicações pessoais em tempo real, 56%. E o limiar de tolerância é preciso: metade dos utilizadores espera respostas em menos de dois segundos. Tudo o que ultrapasse esse intervalo é, simplesmente, lento.

Quatro em cada dez portugueses simplesmente desistiram de fazer algo na Internet em agosto. Não porque não quisessem. Porque a rede não deixou. Um estudo da Netsonda, encomendado pela DE-CIX e divulgado esta semana, ouviu 600 utilizadores e encontrou um padrão claro: 42% dos inquiridos abandonaram uma atividade online durante esse mês por causa do mau desempenho da ligação.

Mas o número que realmente revela a profundidade do problema é outro. Três quartos dos portugueses — 76% — dizem que é frustrante sofrer interrupções de rede quando estão a pagar por um serviço de Internet premium. Não é apenas incómodo. É uma violação de uma promessa que acreditam ter comprado. Pagaram por qualidade. Receberam falhas.

O estudo mapeou onde essas falhas acontecem com mais frequência. Páginas e aplicações que demoram uma eternidade a carregar afetam 51% dos utilizadores. Quedas de ligação curtas — aqueles segundos que parecem minutos — atingem 46%. Problemas com streaming de vídeo afetam 36%. Depois há o congelamento de áudio ou vídeo durante chamadas, seja para trabalho, escola ou conversa pessoal. E há os atrasos graves que destroem qualquer jogo online. Cada um destes problemas é pequeno isoladamente. Juntos, formam um padrão de frustração que atravessa toda a experiência digital do utilizador português.

Ivo Ivanov, presidente executivo da DE-CIX, observa que os consumidores já não olham apenas para a velocidade quando avaliam a qualidade da Internet. A largura de banda importa, sim, mas também importa a latência — o tempo que leva para um sinal viajar de um ponto a outro. Importa a infraestrutura subjacente. Importa a consistência. À medida que os serviços digitais se tornaram parte do dia a dia, a capacidade de resposta rápida e fiável tornou-se não um luxo, mas uma expectativa básica.

E os portugueses estão cada vez menos dispostos a aceitar o contrário. Mais de metade dos inquiridos — 53% — diz ter menos paciência agora do que tinha há cinco anos para serviços lentos ou que não respondem. Essa impaciência é particularmente aguda nos momentos que importam. Durante o trabalho ou atividades profissionais, 65% dos utilizadores consideram inaceitáveis atrasos, falhas ou breves desconexões. Em transações online — compras, pagamentos, operações bancárias — 63% não toleram demoras. Em comunicações pessoais em tempo real, 56% exigem resposta imediata.

O que significa "imediata"? Para metade dos utilizadores, significa menos de dois segundos. É o tempo que esperam para um pagamento processar, para uma videochamada conectar, para a página carregar. Dois segundos. Tudo o que ultrapasse isso é considerado lento. É o padrão que estabeleceram para si próprios, e é o padrão que agora exigem aos serviços que usam todos os dias. O estudo não diz o que acontece a seguir — se os operadores vão investir em infraestrutura, se os consumidores vão mudar de fornecedor, se a regulação vai intervir. Mas deixa claro que o status quo já não é aceitável.

Os consumidores estão cada vez mais a considerar outros fatores para além da velocidade quando avaliam a qualidade da sua experiência na Internet
— Ivo Ivanov, CEO da DE-CIX
À medida que os serviços digitais se tornam uma parte maior do quotidiano, a consistência e a capacidade de resposta importam mais do que nunca
— Ivo Ivanov, CEO da DE-CIX
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei Notícias ao Minuto ↗
Kontakt FAQ