A cada dois anos, São Paulo transforma um de seus maiores espaços em território de palavras — e em setembro de 2026, a 28ª Bienal Internacional do Livro chega ao Anhembi com romance e fantasia como eixos centrais, reunindo vozes de continentes distintos ao redor de uma crença comum: a de que a literatura ainda é capaz de nomear o que nos escapa. Entre autores forjados pelas redes sociais e escritores enraizados em décadas de tradição, o evento coloca em diálogo gerações e geografias, lembrando que o livro — físico, coletivo, celebrado — resiste.
28ª Bienal do Livro reúne autores consagrados e estreantes em setembro no Anhembi
Setenta anos e o livro ainda está sendo lido, ainda importa
Por que a Bienal escolheu romance e fantasia como foco especial este ano?
Não está explícito no programa, mas a escolha reflete o que está vendendo, o que está gerando comunidade. Romance e fantasia são os gêneros que cresceram mais nos últimos anos, especialmente com leitores jovens. A presença de nomes como Alice Oseman e Ana Huang — ambas impulsionadas por comunidades online — mostra que a Bienal está acompanhando onde a leitura está acontecendo de verdade.
Alice Oseman e Ana Huang parecem vir de universos muito diferentes. O que elas têm em comum?
Ambas criaram obras que explodem fora do circuito tradicional de crítica literária. Oseman através dos quadrinhos e depois da Netflix, Huang através do TikTok. São autoras que construíram audiência direta com leitores, sem precisar de gatekeepers. Isso é novo e importante.
E quanto aos brasileiros? Conceição Evaristo falando sobre "escrevivência" parece muito diferente de um painel sobre Heartstopper.
É. Conceição está falando de um conceito que ela mesma cunhou — a ideia de que escrever é também viver, que a escrita é um ato político e existencial. É um tipo de conversa muito mais teórica, mais enraizada em história e luta. Mostra que a Bienal não é só sobre o que está em alta nas redes.
A celebração dos 70 anos de Grande Sertão parece um momento de pausa. Por quê?
Rosa é o escritor brasileiro que mais influenciou a literatura que veio depois. Setenta anos e o livro ainda está sendo lido, ainda está sendo interpretado — Bruna Lombardi interpretou Diadorim em 1985 e agora está voltando para falar sobre isso. É um jeito de dizer: isso aqui é permanente, isso aqui importa.
O que muda quando você coloca 269 expositores e um espaço de "Papo de Mercado" dentro de uma Bienal?
Muda tudo. Deixa de ser só celebração de livros e vira também negócio. Os professores vão aprender como ensinar, as crianças vão brincar, mas os editores, produtores e vendedores estão ali vendo como o livro se move no mundo real. É honesto, de certa forma.
Il Polso
- A Bienal chega em 2026 com uma aposta clara: romance e fantasia como gêneros capazes de mobilizar leitores de todas as idades em um mundo saturado de estímulos digitais.
- Nomes como Alice Oseman e Ana Huang representam uma tensão produtiva — autoras que nasceram nas redes e agora ocupam os maiores palcos literários do mundo, desafiando fronteiras entre cultura pop e literatura.
- A presença de Conceição Evaristo, Itamar Vieira Jr. e a mesa sobre os 70 anos de 'Grande Sertão: Veredas' sinaliza que o evento não abre mão de sua responsabilidade com o cânone e com as vozes que reescrevem a identidade brasileira.
- Com 269 expositores, espaços para educadores, crianças e bastidores do mercado editorial, a Bienal tenta ser simultaneamente festa popular e fórum profissional — uma equação difícil, mas necessária.
- O evento desembarca no Anhembi entre 4 e 13 de setembro, com ingressos acessíveis e programação densa, apostando que o encontro presencial entre leitor e autor ainda carrega algo que nenhum algoritmo consegue replicar.
A cada dois anos, São Paulo transforma um de seus maiores espaços em território de palavras — e em setembro de 2026, a 28ª Bienal Internacional do Livro chega ao Anhembi com romance e fantasia como eixos centrais, reunindo vozes de continentes distintos ao redor de uma crença comum: a de que a literatura ainda é capaz de nomear o que nos escapa. Entre autores forjados pelas redes sociais e escritores enraizados em décadas de tradição, o evento coloca em diálogo gerações e geografias, lembrando que o livro — físico, coletivo, celebrado — resiste.
No começo de setembro, o Anhembi se transforma. A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo abre as portas no dia 4 com romance e fantasia como tema central — e uma programação que mistura nomes consagrados a escritores que explodiram graças à internet.
Alice Oseman, criadora britânica de 'Heartstopper' — série de quadrinhos adaptada pela Netflix em 2022 sobre amor, identidade e descobertas afetivas —, participa nos dias 5 e 7 de setembro. Ao lado dela, a norte-americana Ana Huang, fenômeno do BookTok e autora de 'Amor Corrompido', representa a força crescente das redes sociais na formação de leitores e best-sellers globais. A sul-coreana Lee Hong também marca presença, com sua primeira visita ao Brasil para lançar 'A Dama de Gangnam', obra sobre desejos e conflitos femininos na sociedade contemporânea.
No campo brasileiro, Conceição Evaristo abre o evento na tarde do dia 4 falando sobre 'escrevivência', conceito que atravessa toda a sua obra. Itamar Vieira Jr., autor de 'Torto Arado', encerra a programação no domingo 13. Aline Bei e Raphael Montes — cujo 'Jantar Secreto' circulou por mais de 15 países e entrou na lista de verão do The New York Times — também passam pela Arena Cultural.
Um dos momentos mais aguardados é a mesa em homenagem aos 70 anos de 'Grande Sertão: Veredas', na noite de 8 de setembro. O moçambicano Mia Couto, a atriz Bruna Lombardi — que interpretou Diadorim na minissérie da Globo de 1985 — e o crítico Italo Moriconi se reúnem para discutir por que Guimarães Rosa ainda ressoa.
Além dos encontros com autores, a Bienal ocupa dez setores: há espaço para oficinas com educadores, atividades infantis e uma área dedicada ao mercado editorial, com 269 expositores e debates sobre como os livros são produzidos, publicados e vendidos. Os ingressos variam entre R$ 30 e R$ 42, e o evento funciona até as 22h durante toda a programação.
No começo de setembro, o Anhembi vai virar território de leitores e escritores. A 28ª Bienal do Livro abre as portas em 4 de setembro com um recado claro: este ano é sobre romance e fantasia. Os nomes que vêm são mistos — alguns já conhecidos há décadas, outros que explodiram em popularidade nos últimos anos graças à internet.
Alice Oseman é um desses nomes que cresceu diferente. A britânica criou "Heartstopper", uma série de quadrinhos que virou fenômeno global quando a Netflix a adaptou em 2022. A história acompanha dois garotos navegando amor, descobertas afetivas e questões de identidade — temas que Oseman explora com consistência em seu trabalho. Ela vem duas vezes: nos dias 5 e 7 de setembro, para conversar sobre os assuntos recorrentes de suas obras.
Outra presença que marca a força das redes sociais na literatura é Ana Huang. A norte-americana é uma das escritoras de romance mais relevantes do momento, impulsionada em grande parte pelo fenômeno "booktok" — aquela comunidade no TikTok dedicada a resenhas e recomendações de livros. Seu título mais famoso, "Amor Corrompido", saiu em 2023 e consolidou sua posição no mercado global.
A Bienal também traz escritores de vários cantos do mundo. Canadenses, espanhóis, australianos e sul-coreanos integram a programação. Lee Hong, a sul-coreana, marca sua primeira vez no Brasil com o lançamento de "A Dama de Gangnam", um livro que aborda desejos e conflitos da sociedade e das mulheres. Ela participa da Arena Cultural, o espaço onde acontecem os principais encontros com autores, debates e entrevistas.
No lado brasileiro, nomes consolidados como Itamar Vieira Jr. e Conceição Evaristo confirmaram presença. Vieira Jr., autor de "Torto Arado", se apresenta no domingo 13 de setembro às 14h45. Conceição Evaristo fala sobre "escrevivência" — um conceito central em sua obra — na sexta 4 de setembro às 15h30. Aline Bei, que escreveu "Pequena Coreografia do Adeus", e Raphael Montes, autor de suspenses policiais como "Jantar Secreto", também marcam presença na Arena Cultural. O livro de Montes foi publicado em pelo menos 15 países e integrou a lista de verão do The New York Times.
Um dos destaques especiais é a celebração dos 70 anos de "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa. Na terça 8 de setembro às 19h30, o moçambicano Mia Couto, a atriz e escritora Bruna Lombardi e o crítico literário Italo Moriconi se reúnem para analisar por que o livro permanece atual sete décadas depois. Bruna Lombardi ganhou fama ao interpretar Diadorim em uma minissérie da Globo em 1985.
Além da Arena Cultural, o evento ocupa dez setores diferentes. O Espaço Educação funciona como local de oficinas e troca de experiências entre professores e pesquisadores, abordando atividades de leitura em sala de aula e projetos bem-sucedidos em escolas e bibliotecas. O Espaço Infantil convida crianças a ouvir histórias, participar de oficinas e interagir com instalações e jogos. Há também destaque para o mercado editorial: 269 expositores estarão presentes, e uma área dedicada ao Papo de Mercado vai tratar da cadeia de produção dos livros — como são produzidos, publicados, divulgados e vendidos.
Os ingressos variam conforme o horário e o dia da semana. De segunda a quinta, a entrada diurna (9h às 16h59) custa R$ 40, e a noturna (17h às 21h) sai por R$ 30. De sexta a domingo, os preços sobem para R$ 42. A Bienal funciona de 4 a 13 de setembro, de segunda a sexta das 9h às 22h, e nos fins de semana das 10h às 22h.
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Conceição Evaristo fala sobre o conceito de 'escrevivência' na abertura da Bienal— Programação da 28ª Bienal do Livro