Zhongtong desembarca no Brasil com plano de investir R$ 100 mi em fábrica de ônibus

Reproduzir no Brasil o caso chileno, que é referência em pós-venda
A estratégia da Zhongtong é replicar o modelo de sucesso que mantém no Chile, onde entrega 900 ônibus anuais.
Mark

Por que a Zhongtong escolheu o Brasil agora, e não antes?

Mimi

As conversas começaram depois da Busworld em outubro de 2025, na Bélgica. A TEVX apresentou os modelos lá, e a Zhongtong viu uma oportunidade de replicar o sucesso que tem no Chile.

Luke

Mas a TEVX já tentou isso com a Higer e não funcionou. O que é diferente desta vez?

Mimi

A Zhongtong tem uma posição muito mais forte no mercado global. No Chile entrega 900 ônibus por ano. A empresa quer trazer essa experiência.

Mark

E quanto ao investimento de R$ 100 milhões? Quem vai pagar?

Mimi

Ainda não está definido. Uma comitiva vai à China para discutir se vem do caixa da Zhongtong ou se é compartilhado com os brasileiros.

Luke

Espera — eles já escolheram o município mas não sabem como financiar a fábrica? Isso parece estar fora de ordem.

Mimi

É verdade. Souza disse que o anúncio do município será após as eleições por razões fiscais. Talvez haja incentivos municipais envolvidos.

Mark

E a meta de 900 unidades por ano — é realista?

Mimi

Representaria 15% do mercado total de ônibus no Brasil. É ambicioso, mas a Zhongtong já provou que consegue entregar esse volume.

Luke

Mas em um mercado novo, com nove concorrentes já estabelecidos. Ninguém sabe se o Brasil vai absorver 900 ônibus Zhongtong por ano.

Mimi

Verdade. Por isso a consultoria para cidades pequenas é importante — eles estão tentando criar demanda onde ela não existe ainda.

Mark

E as carrocerias — vão ser chinesas ou brasileiras?

Mimi

Ainda está em discussão. Se forem brasileiras, Caio e Marcopolo ganham. Se forem chinesas, a Zhongtong controla toda a cadeia.

  • A Zhongtong chega ao Brasil com força: segunda maior fabricante de ônibus da China, com 9% do mercado chinês, ela traz um histórico sólido — cerca de 900 ônibus entregues no Chile no último ano.
  • O investimento de até R$ 100 milhões em fábrica local cria uma tensão imediata com os nove concorrentes já estabelecidos no mercado brasileiro de chassis elétricos, incluindo gigantes como Mercedes-Benz, Volvo e BYD.
  • A operação começa com importação de unidades montadas na China, mas há obrigação contratual de produção local via montagem CKD — o município escolhido para a fábrica já está definido, mas o anúncio aguarda o fim das eleições de outubro.
  • A empresa mira 900 unidades vendidas por ano — 15% do mercado total de ônibus no Brasil — como patamar mínimo para viabilizar a produção nacional, um alvo ambicioso em um setor ainda em consolidação elétrica.
  • Além dos ônibus, a Zhongtong planeja oferecer carregadores, equipamentos de gestão de energia e consultoria em mobilidade urbana para municípios pequenos, ampliando sua presença para além da simples venda de veículos.

Em um movimento que reflete a crescente influência da indústria chinesa no transporte global, a Zhongtong — segunda maior fabricante de ônibus da China — anuncia sua chegada ao Brasil a partir de 2027, com planos de investir até R$ 100 milhões em uma fábrica local de ônibus elétricos. A operação, conduzida pela TEVX do Grupo Águia, representa não apenas uma aposta econômica, mas um sinal de que a eletrificação do transporte público brasileiro entra em uma nova fase de disputa e possibilidade.

A Zhongtong, segunda maior fabricante de ônibus da China, anunciou sua entrada no mercado brasileiro a partir de 2027. Com cerca de 9% do mercado chinês — ficando atrás apenas da Yutong —, a empresa planeja investir até R$ 100 milhões na construção de uma fábrica local voltada à produção de ônibus urbanos e rodoviários elétricos.

A operação será conduzida pela TEVX, empresa do Grupo Águia que também controla a operadora de turismo Stella Barros. À frente da estratégia está Carlos Souza, ex-executivo da Enel, que estruturou a parceria após conversas iniciadas na feira Busworld, realizada em outubro de 2025 na Bélgica. Os primeiros veículos chegarão importados e montados na China; a produção local, via montagem CKD, está prevista em contrato. O município que receberá a fábrica já foi escolhido, mas o anúncio foi adiado para depois das eleições de outubro por razões fiscais.

A Zhongtong já demonstrou capacidade operacional no Chile, onde entregou aproximadamente 900 ônibus no último ano. No Brasil, a empresa oferecerá cinco modelos urbanos — de 7 a 18 metros, todos com piso baixo — e um modelo rodoviário. O volume de 900 unidades anuais, equivalente a 15% do mercado nacional, é considerado o patamar necessário para justificar a produção local. Ainda está em aberto se os veículos usarão carrocerias chinesas ou de fabricantes brasileiros como Caio e Marcopolo.

A parceria vai além dos ônibus: a TEVX também comercializará equipamentos de recarga e oferecerá consultoria em mobilidade urbana para municípios de menor porte — cidades que hoje costumam adquirir ônibus usados das grandes metrópoles e que representam um mercado potencial relevante para a eletrificação. A empresa já havia tentado entrar no Brasil representando a Higer, outra marca chinesa, mas a parceria não avançou.

No mercado brasileiro, a Zhongtong encontrará nove concorrentes no segmento de chassis elétricos: Scania, Volkswagen, Volvo, Mercedes-Benz, Iveco, Eletra, Agrale, Marcopolo e BYD. Sua chegada reforça a tendência de consolidação da tecnologia elétrica no transporte público do país.

A Zhongtong, segunda maior fabricante de ônibus da China, está entrando no mercado brasileiro a partir de 2027. A empresa, que controla cerca de 9% do mercado chinês de ônibus e fica atrás apenas da Yutong, planeja investir até R$ 100 milhões na construção de uma fábrica local para produzir ônibus urbanos e rodoviários elétricos.

A operação será conduzida pela TEVX, uma empresa do Grupo Águia que também controla a operadora de turismo Stella Barros. Os primeiros ônibus chegarão ao Brasil como unidades importadas e montadas na China, mas a produção local é vista como certa pela companhia chinesa, uma vez que há uma obrigação contratual estabelecida entre as partes. O município escolhido para receber a fábrica já foi definido, segundo Carlos Souza, CEO da TEVX, mas o anúncio será feito após as eleições de outubro por razões fiscais. Souza é um ex-executivo da Enel que chegou à TEVX para ajudar a estruturar essa estratégia.

A Zhongtong já opera com sucesso no Chile, onde entregou cerca de 900 ônibus no ano passado para o sistema de transporte local. A empresa pretende reproduzir esse modelo no Brasil, focando especialmente em pós-venda e estoque de peças. A companhia oferecerá cinco modelos de ônibus urbanos com tamanhos que variam de 7 a 18 metros de comprimento, todos com piso baixo, além de um modelo para transporte rodoviário. A produção local começará por meio de montagem CKD, em que os veículos virão desmontados da China.

O volume de vendas que a Zhongtong considera necessário para justificar essa produção no Brasil gira em torno de 900 unidades por ano, o que representaria 15% do mercado total de ônibus no país. Uma comitiva da TEVX viajará à China para discutir os valores envolvidos na produção local e a fonte desses recursos, que ainda não foi definida. O investimento pode vir integralmente do caixa da marca chinesa ou ser compartilhado com os brasileiros.

Ainda está em discussão se esses ônibus utilizarão carrocerias chinesas ou aquelas produzidas no Brasil por empresas como Caio e Marcopolo. A parceria entre TEVX e Zhongtong vai além da oferta de ônibus elétricos, englobando também equipamentos que compõem as operações de transporte de passageiros, como os pontos de recarga. Na China, a fabricante também produz carregadores e outros equipamentos para gestão da eletricidade.

Outro plano da companhia envolve a prestação de consultoria para municípios brasileiros considerados pequenos sobre mobilidade urbana. Esse serviço é considerado estratégico, uma vez que muitas cidades no país com esse perfil têm condições de comprar ônibus elétricos. A prática comum nessas cidades é a de comprar ônibus usados que já foram utilizados no sistema de transporte de áreas metropolitanas maiores. A TEVX já havia tentado entrar no mercado local com a representação de outra grande marca chinesa de ônibus elétricos, a Higer, mas a parceria não avançou. As conversas com a Zhongtong começaram depois da realização da feira Busworld, em outubro de 2025, na Bélgica.

No Brasil, a Zhongtong enfrentará concorrência de nove outras empresas que oferecem chassis de ônibus elétricos: Scania, Volkswagen, Volvo, Mercedes-Benz, Iveco, Eletra, Agrale, Marcopolo e BYD. O mercado de ônibus elétricos no país está em expansão, e a chegada da Zhongtong marca mais um passo na consolidação da tecnologia elétrica no transporte público brasileiro.

A Zhongtong já atua no Chile há bastante tempo. No ano passado foram entregues cerca de 900 ônibus para o sistema de transporte local. A empresa pretende reproduzir no Brasil este caso chileno, que é referência em vários aspectos, sobretudo em pós-venda e estoque de peças.
— Carlos Souza, CEO da TEVX
O município já foi escolhido, 99% de chances de que a fábrica seja instalada lá. Mas temos que esperar as eleições, por razões fiscais.
— Carlos Souza, CEO da TEVX
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