Em Belo Horizonte, o segundo turno das eleições municipais revela a geometria variável das alianças políticas brasileiras: Romeu Zema, governador de Minas Gerais, abandonou seu candidato do primeiro turno para abraçar Bruno Engler, do PL, invocando afinidade técnica mas negociando, nos bastidores, fidelidade parlamentar. O gesto ilumina uma verdade antiga da democracia representativa — que o apoio raramente é gratuito, e que as urnas são apenas o palco visível de acordos construídos longe dos holofotes.
Zema anuncia apoio a Engler no segundo turno de BH
Apoio político é algo que tem que ser feito com muito critério
Por que Zema muda de apoio entre o primeiro e o segundo turno? Isso não enfraquece sua posição?
Na verdade, é estratégia comum. No primeiro turno, ele apoiava Tramonte, mas não estava na campanha — só foi à convenção em agosto. Agora, com dois candidatos restantes, ele escolhe quem melhor se alinha com seus interesses políticos.
Mas a questão é: qual é o real motivo? Zema fala em "secretariado técnico", mas a reportagem apurou que ele pediu fidelidade da bancada do PL em votações. Isso é o que realmente importa.
Exato. O apoio vem com uma cobrança. Os deputados do PL já estão na base dele, mas alguns votam contra em projetos de reajuste salarial. Zema quer disciplina.
E Engler aceita isso? Ele fica preso a essas demandas?
Aparentemente sim. A reunião foi justamente para acertar isso. Engler também ganha com o apoio de Zema, que é governador e tem máquina.
Mas cuidado: a pesquisa Datafolha mostra Fuad com 48% contra 41% de Engler. O apoio de Zema pode não ser suficiente para virar o jogo.
E Bolsonaro? Ele vai fazer diferença?
Engler aposta nisso. Bolsonaro vai fazer uma motociata no sábado com outros nomes da direita. É um sinal de força.
Sim, mas Bolsonaro não é mais presidente. Seu poder de mobilização em Belo Horizonte é uma incógnita. Tramonte, que também é de direita, ficou em terceiro.
Então Fuad está ganhando?
Pela pesquisa, sim. Mas faltam semanas. O que é interessante é que Fuad evita atos públicos com a esquerda, mesmo tendo apoio do PT e PDT. Ele quer parecer de centro.
Isso mostra o dilema dele: precisa dos votos da esquerda, mas não quer ser visto como esquerdista. É um equilíbrio frágil.
El Pulso
- Zema rompe com sua própria escolha do primeiro turno e migra para Engler, criando um realinhamento que redesenha o campo da direita em BH.
- Por trás do anúncio público, o governador cobrou dos deputados do PL maior disciplina nas votações que interessam ao governo mineiro, especialmente em reajustes de servidores da segurança.
- Engler acumula apoios — Republicanos, Zema, e a promessa de uma motociata com Bolsonaro e Nikolas Ferreira — numa aposta de mobilização do eleitorado conservador.
- Fuad Noman, líder nas pesquisas com 48% contra 41% de Engler, reúne a esquerda mas evita aparecer ao lado dela, temendo afastar eleitores de centro que votaram em Tramonte e Gabriel.
- Gabriel Azevedo e Tramonte permanecem em compasso de espera, recusando-se a seguir orientações partidárias, o que mantém uma fatia relevante do eleitorado ainda em disputa.
Em Belo Horizonte, o segundo turno das eleições municipais revela a geometria variável das alianças políticas brasileiras: Romeu Zema, governador de Minas Gerais, abandonou seu candidato do primeiro turno para abraçar Bruno Engler, do PL, invocando afinidade técnica mas negociando, nos bastidores, fidelidade parlamentar. O gesto ilumina uma verdade antiga da democracia representativa — que o apoio raramente é gratuito, e que as urnas são apenas o palco visível de acordos construídos longe dos holofotes.
Romeu Zema anunciou nesta quinta-feira seu apoio a Bruno Engler no segundo turno das eleições em Belo Horizonte, revertendo a posição que havia adotado no primeiro turno, quando apoiou Mauro Tramonte, apresentador de TV que terminou em terceiro lugar. O governador justificou a mudança pela convergência de propostas, destacando a intenção de Engler de montar um secretariado técnico para a prefeitura. "É um jovem que tem grande potencial", disse Zema em Sete Lagoas, após reunião com o deputado na véspera.
A decisão, porém, não foi apenas ideológica. Nos bastidores, Zema aproveitou o encontro para cobrar maior fidelidade da bancada do PL nas votações de interesse do governo mineiro na Assembleia Legislativa — especialmente em projetos de reajuste salarial para servidores da segurança pública, onde parte dos deputados do partido tem contrariado as orientações do Executivo estadual.
Engler também conquistou o apoio do Republicanos, partido que enxerga na candidatura uma moeda de troca nas negociações pela presidência da Câmara dos Deputados. Para o fim de semana, a campanha aposta em uma motociata com Jair Bolsonaro, Nikolas Ferreira e o senador Cleitinho. Tramonte, por sua vez, optou pela neutralidade, ignorando a orientação de seu partido.
Do outro lado, Fuad Noman lidera o Datafolha com 48% contra 41% de Engler e reúne o apoio do PT, PDT e PSB — este último mesmo sem o aval do presidente municipal do partido. Ainda assim, a campanha de Fuad evita atos públicos com a esquerda, avaliando que esse eleitorado já está consolidado e que exposição excessiva pode custar votos no centro. Gabriel Azevedo, quarto colocado no primeiro turno, reuniu-se com ambos os candidatos mas ainda não declarou apoio a nenhum deles.
Romeu Zema, governador de Minas Gerais, anunciou nesta quinta-feira seu apoio a Bruno Engler no segundo turno das eleições em Belo Horizonte. A decisão marca uma mudança de rota: no primeiro turno, Zema havia apoiado Mauro Tramonte, o apresentador de TV que terminou em terceiro lugar. Dessa vez, porém, o governador escolheu o deputado estadual do PL, justificando a escolha pela convergência de propostas.
Zema afirmou que Engler apresenta ideias semelhantes às suas, particularmente a intenção de formar um secretariado técnico para a prefeitura. "Apoio político é algo que tem que ser feito com muito critério. Meu apoio é ao candidato Bruno Engler, que tem proposta semelhante a minha ao querer para BH um secretariado técnico. É um jovem que tem grande potencial", declarou o governador em Sete Lagoas. O anúncio veio após uma reunião entre os dois na quarta-feira anterior.
Por trás do apoio público, havia negociações mais pragmáticas. A reportagem apurou que durante o encontro, Zema pediu maior fidelidade da bancada do PL nas votações de interesse do governo mineiro. Os deputados do partido já integram a base de Zema na Assembleia Legislativa, mas parte deles tem votado contra as orientações do governo, especialmente em projetos relacionados ao reajuste salarial de servidores da segurança pública. O apoio de Zema, portanto, vinha acompanhado de uma cobrança política clara.
Engler também recebe o apoio do Republicanos, partido que vê na candidatura uma oportunidade de fortalecer sua posição nas negociações para a presidência da Câmara dos Deputados. Tramonte, porém, decidiu manter-se neutro, não seguindo a orientação de seu partido. Enquanto isso, Gabriel Azevedo, presidente da Câmara Municipal e quarto colocado no primeiro turno, reuniu-se nesta quinta com os dois candidatos restantes, mas reafirmou que ainda não havia declarado apoio a ninguém. Ele se encontrou primeiro com o prefeito Fuad Noman, em reunião articulada por Álvaro Damião, e depois com Engler.
A campanha de Engler aposta na presença de Jair Bolsonaro, seu padrinho político e ex-presidente, em uma motociata prevista para o sábado seguinte, acompanhado de outros nomes da direita mineira como o deputado federal Nikolas Ferreira e o senador Cleitinho. Do outro lado, Fuad Noman reúne apoios de partidos de esquerda. O PSB, que estava na chapa de Gabriel no primeiro turno, declarou apoio a Fuad apesar de a decisão ter sido tomada sem a anuência do presidente municipal do partido, que era candidato a vice de Gabriel. O PT, representado pelo deputado federal Rogério Correia que ficou em sexto lugar, e o PDT, da deputada federal Duda Salabert que terminou em quinto, também apoiam Fuad.
Apesar de contar com esses apoios, Fuad tem evitado atos públicos com os partidos de esquerda. Sua campanha avalia que o voto desse eleitorado já está consolidado e teme que associações públicas com a esquerda possam afastá-lo de eleitores de centro e direita, particularmente aqueles que votaram em Tramonte e Gabriel. Em sabatina realizada pela Folha e UOL, Fuad negou ter solicitado apoio do presidente Lula. A última pesquisa Datafolha mostrava Fuad à frente com 48% das intenções de voto contra 41% de Engler, uma vantagem que o apoio de Zema e a presença de Bolsonaro tentarão reduzir nas semanas finais da campanha.
Citas Notables
Meu apoio é ao candidato Bruno Engler, que tem proposta semelhante a minha ao querer para BH um secretariado técnico. É um jovem que tem grande potencial— Romeu Zema, governador de Minas Gerais