Zelensky relata consenso do G7 sobre derrota russa e apela a acordo urgente

Estimativas de 35 mil mortos ou feridos mensais do lado russo segundo Kiev, com perdas significativas de vidas em ambos os lados da guerra.
Não queremos passar pelo mesmo inverno outra vez
Zelensky pressiona para negociações antes do inverno, alertando que a Rússia também enfrentará dificuldades severas.

Em Évian-les-Bains, os líderes do G7 chegaram a uma rara unanimidade: a Rússia não está a vencer a guerra na Ucrânia, e o custo humano de cada mês de combate exige uma resposta urgente. Zelensky saiu da cimeira com o consenso ocidental nas mãos, mas sem a paz que procura — porque o acordo entre aliados sobre a realidade do campo de batalha não é o mesmo que um acordo entre beligerantes sobre como terminar a guerra. O que se observa é a distância, ainda vasta, entre o diagnóstico partilhado e a cura possível.

  • O G7 alcançou unanimidade sobre o fracasso militar russo, mas Zelensky sabe que consensos diplomáticos não param balas nem drones.
  • Novas sanções ao petróleo, ao sistema bancário e à produção militar russa estão em discussão — uma pressão económica calculada para forçar Moscovo à mesa das negociações.
  • Zelensky rejeita categoricamente negociar em Moscovo e exige um país neutro, enquanto Putin continua a recusar encontros diretos sem concessões territoriais ucranianas prévias.
  • O presidente ucraniano pressiona Trump para convocar negociações antes do inverno, invocando 35 mil baixas russas mensais e prometendo continuar a atacar infraestruturas energéticas russas durante os meses frios.
  • O impasse persiste: ambos os lados dizem estar abertos ao diálogo, mas com condições que o outro lado recusa aceitar, deixando a estrada para a paz bloqueada.

Volodymyr Zelensky saiu da cimeira do G7 em Évian-les-Bains com uma conquista simbólica significativa: os sete líderes ocidentais mais poderosos concordam, de forma unânime, que a Rússia não está a ganhar a guerra e que um acordo de paz é urgente. Em entrevista à Reuters, o presidente ucraniano descreveu o tom das conversações como diferente do habitual — sem divisões sobre a realidade do campo de batalha.

Os líderes discutiram um novo pacote de sanções dirigido às exportações de petróleo russo, ao seu sistema bancário e à sua capacidade de produção militar, medidas pensadas para pressionar Moscovo a negociar. Mas Zelensky quer mais do que sanções: espera que Trump, com quem tinha encontro marcado, use a sua influência para convocar negociações diretas com Putin num país neutro — a Suíça, a Turquia, ou algum lugar no Médio Oriente. Moscovo tem insistido em receber Zelensky na capital russa, proposta que Kiev rejeita categoricamente.

A urgência é real. Zelensky quer negociações antes do inverno, citando estimativas de 35 mil baixas russas mensais e prometendo continuar a atacar infraestruturas energéticas e militares russas com drones e mísseis de longo alcance. Trump manifestou confiança de que Moscovo está disposta a negociar, mas Putin rejeitou nas últimas semanas qualquer encontro direto, exigindo concessões territoriais ucranianas como condição prévia. O G7 produziu consenso sobre a guerra — mas a paz continua a ser outra conversa.

Volodymyr Zelensky saiu da cimeira do G7 em Évian-les-Bains com uma mensagem que, para ele, marca uma viragem: os sete líderes mais poderosos do Ocidente concordam agora, de forma unânime, que a Rússia não está a ganhar a guerra na Ucrânia. Mais do que isso — concordam que Moscovo está a sofrer perdas humanas devastadoras e que um acordo de paz é urgente.

Em entrevista à agência Reuters, o presidente ucraniano descreveu o tom das conversações como significativamente diferente do que tinha sido antes. Não houve divisões sobre a realidade do campo de batalha. Os líderes do G7 discutiram, nesta terça-feira, um novo pacote de sanções dirigido especificamente às exportações de petróleo russo, ao seu sistema bancário e à sua capacidade de produção militar — medidas pensadas para exercer pressão sobre Moscovo e trazê-la à mesa das negociações.

Mas Zelensky não está satisfeito com sanções apenas. Quer ação diplomática imediata. Espera que Donald Trump, com quem estava marcado um encontro bilateral ainda nesse dia, use a sua influência para convocar negociações diretas entre ele e Putin. O local é crucial: Zelensky rejeita categoricamente qualquer encontro em Moscovo, onde Putin o tem convidado a comparecer. Em vez disso, propõe um terceiro país neutro — a Suíça, a Turquia, ou algum lugar no Médio Oriente. "Não entramos nesses jogos", disse, referindo-se às tentativas russas de ditar o local do encontro.

O presidente ucraniano é claro sobre a urgência. Quer que qualquer negociação aconteça antes do inverno chegar. "Não queremos passar pelo mesmo inverno outra vez", afirmou, numa alusão aos meses de frio extremo que tornam a guerra ainda mais brutal. E deixa um aviso implícito: a Rússia também não terá um inverno fácil. Zelensky promete que a Ucrânia continuará a atacar infraestruturas energéticas e militares russas com drones e mísseis de longo alcance — uma estratégia que visa agravar o sofrimento civil russo durante os meses mais frios.

Os números que Zelensky cita são perturbadores. Kiev estima que a Rússia sofre cerca de 35 mil mortos ou feridos por mês. A Rússia nega estas cifras, mas o número, mesmo que contestado, ilustra a escala da carnificina. Trump, por seu lado, manifestou confiança de que Moscovo está disposta a negociar, sugerindo que a porta para um acordo ainda está aberta.

Mas há um obstáculo persistente. Nas últimas semanas, Putin rejeitou ofertas de conversações cara a cara com Zelensky, argumentando que não vê razão para elas. Moscovo mantém uma posição clara: a Ucrânia deve fazer concessões territoriais em troca da paz. Zelensky, até agora, recusa aceitar essa lógica. O que se desenha é um impasse diplomático onde ambos os lados dizem estar abertos ao diálogo, mas com condições que o outro lado não está disposto a aceitar. A cimeira do G7 pode ter produzido consenso sobre a realidade militar, mas a estrada para a paz permanece bloqueada.

Houve unanimidade quanto ao facto de a Rússia não estar a vencer e de estar a perder muitas vidas, assim como de terem de chegar a um acordo o mais rápido possível
— Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia
Não entramos nesses jogos. Portanto, precisamos de um terceiro país. Não é a Rússia nem a Ucrânia.
— Volodymyr Zelensky, sobre o local das negociações
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Quando Zelensky fala em "mudança de atitude" do G7, o que é que realmente mudou?

Model

Antes havia divisão — alguns líderes ocidentais ainda hesitavam em aceitar que a Rússia estava a perder. Agora há unanimidade. Isso importa porque sanções precisam de consenso para serem eficazes.

Inventor

Mas sanções não têm parado a guerra até agora. Por que é que Zelensky acredita que mais sanções vão funcionar?

Model

Ele não acredita que sanções sozinhas funcionam. Por isso é que pressiona Trump para convocar negociações. As sanções são o instrumento para trazer Putin à mesa.

Inventor

Putin já rejeitou conversações. Como é que Zelensky espera mudar isso?

Model

Acredita que a pressão combinada — sanções mais a mediação de Trump — pode alterar o cálculo de Putin. Mas é especulação. Putin pode simplesmente recusar.

Inventor

A insistência de Zelensky em negociar antes do inverno — é apenas tática ou há algo real aí?

Model

O inverno torna a guerra exponencialmente mais difícil. Menos mobilidade, mais frio, mais sofrimento. Zelensky quer evitar outro ciclo disso. É tanto tática como realismo.

Inventor

E os 35 mil mortos ou feridos mensais que cita — como é que se verifica um número assim?

Model

Não se verifica facilmente. É uma estimativa ucraniana. A Rússia nega. Ambos os lados têm incentivo para exagerar ou minimizar. O que é certo é que as perdas são enormes.

Inventor

Então o que é que realmente mudou nesta cimeira?

Model

O Ocidente deixou de fingir que há um caminho para a vitória militar ucraniana. Aceitou que isto vai ser resolvido em negociações. Isso é uma mudança real.

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