Zelensky afirma que Rússia encomendou cerca de 2 mil drones iranianos

A invasão russa causou fuga de mais de 13 milhões de pessoas, com 6.374 civis mortos confirmados pela ONU desde o início da guerra.
Os drones iranianos podem prolongar o terrorismo aéreo indefinidamente
Enquanto as reservas de mísseis russos diminuem rapidamente, os Shahed iranianos ainda estão em produção.
Mark

Então Zelensky está dizendo que a Rússia encomendou dois mil drones iranianos. Como é que ele sabe disto?

Mimi

Segundo ele, os serviços de inteligência ucranianos forneceram esta informação. Ele apresentou isto como um facto durante uma conferência, mas é importante notar que não especificou se eram dois mil novos ou o total de todos os que a Rússia já tinha comprado.

Luke

Exatamente. E quanto aos drones que já foram utilizados — Budanov diz que até 22 de outubro tinham usado 330. Se a Rússia encomendou dois mil, isso significa que ainda há muitos por chegar ou por serem fabricados. Mas não sabemos o cronograma de produção.

Mimi

Budanov foi mais específico sobre isto. Disse que os drones estão a ser fabricados em lotes de cerca de 300 unidades, e que estavam no segundo lote. Portanto, há claramente mais a caminho.

Mark

E qual é o impacto real destes ataques? 70% estão a ser abatidos, certo?

Mimi

Sim, 70% dos 330 utilizados até essa data foram derrubados. Mas os restantes 30% conseguem atingir os seus alvos. Isso é significativo — mesmo com uma taxa de sucesso de 30%, se continuarem a enviar centenas destes drones, os danos acumulam-se.

Luke

Mas há um detalhe importante: Budanov disse que as reservas de mísseis russos estão a esgotar-se rapidamente. Os Iskander estão em níveis críticos — apenas 13%. Isto sugere que os drones iranianos podem ser um plano B porque os mísseis convencionais estão a acabar.

Mark

Portanto, isto não é uma escalada — é uma substituição?

Mimi

Pode ser ambos. É uma escalada em termos de volume de ataques aéreos, mas também é uma adaptação porque os recursos convencionais estão limitados.

Luke

E quanto aos instrutores iranianos? Zelensky disse que vieram treinar os russos. Mas não há detalhes sobre quantos, onde, ou quanto tempo levou o treino. É uma afirmação importante, mas com pouca substância verificável.

Mark

Faz sentido que isto seja uma parceria Rússia-Irão, então?

Mimi

Claramente. Os drones são iranianos, os instrutores são iranianos, e a Rússia está a comprá-los em grandes quantidades. É uma colaboração direta.

  • Com as reservas de mísseis Iskander em apenas 13%, a Rússia recorre a drones iranianos para não perder o domínio do terror aéreo sobre a Ucrânia.
  • Instrutores iranianos foram enviados diretamente para treinar tropas russas, revelando uma cooperação militar que vai além da simples venda de armamento.
  • Dos 330 drones Shahed já utilizados até 22 de outubro, 70% foram abatidos — mas os restantes 30% continuam a atingir infraestruturas civis e posições na linha da frente.
  • Os drones chegam em lotes de 300 unidades ainda em fabrico, o que significa que o terrorismo aéreo pode prolongar-se sem prazo definido, mesmo que os mísseis se esgotem.
  • A crise humanitária aprofunda-se em silêncio: mais de 13 milhões de deslocados e pelo menos 6.374 civis mortos confirmados — números que a ONU admite estarem muito abaixo da realidade.

No outono de 2022, enquanto os exércitos russos recuavam em terra, Moscovo voltou os olhos para o céu — encomendando dois mil drones kamikazes iranianos para sustentar uma guerra que os mísseis convencionais já não conseguiam alimentar sozinhos. Zelensky, falando a partir de uma conferência em Israel, nomeou o que muitos suspeitavam: uma aliança tecnológica entre Teerão e Moscovo, com instrutores iranianos a treinar soldados russos em solo ucraniano. Por trás dos números de drones e percentagens de reservas de mísseis, escondem-se mais de treze milhões de vidas deslocadas — o maior êxodo europeu desde a Segunda Guerra Mundial.

No final de outubro de 2022, Volodymyr Zelensky revelou numa conferência do jornal israelita Haaretz que a Rússia havia encomendado cerca de dois mil drones Shahed iranianos para intensificar os bombardeamentos à Ucrânia. A declaração surgia num momento em que as forças russas acumulavam derrotas terrestres desde setembro, e sinalizava uma mudança de estratégia: substituir o poder de fogo convencional por uma campanha aérea sustentada com armamento iraniano.

Os Shahed são drones kamikazes que detonam no impacto. Zelensky confirmou que instrutores iranianos foram enviados para treinar as tropas russas antes do seu envio para o campo de batalha. Não ficou claro se os dois mil correspondiam a uma nova encomenda ou ao total acumulado desde o início da cooperação entre Moscovo e Teerão.

No sul da Ucrânia, o responsável militar de Mykolaiv, Vitaliy Kim, confirmou que os Shahed-136 foram utilizados pela primeira vez diretamente na linha da frente — e não apenas contra alvos civis — após ataques à aldeia de Shevchenkove. A mudança tática sugeria que os russos, incapazes de avançar territorialmente, procuravam novas formas de pressão militar.

Kyrylo Budanov, chefe da inteligência militar ucraniana, forneceu dados concretos: dos 330 drones utilizados até 22 de outubro, 222 foram abatidos — uma taxa de intercepção de 70%. Os restantes atingiram ou caíram perto dos seus objetivos. Os drones continuavam a ser fabricados em lotes de 300 unidades, com o segundo lote já em uso.

Quanto aos mísseis convencionais, o quadro era preocupante para Moscovo: os Iskander estavam a 13% das reservas — nível considerado de emergência —, enquanto os Kalibr e os J-101/J-555 rondavam os 43-45%. Budanov alertou que os drones iranianos poderiam prolongar o terrorismo aéreo indefinidamente, compensando o esgotamento dos mísseis.

Ao fundo deste conflito, a dimensão humana: mais de 13 milhões de pessoas deslocadas, a maior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com 6.374 civis mortos confirmados pela ONU — um número que a própria organização reconhece estar muito aquém da realidade.

No final de outubro de 2022, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky revelou que a Rússia havia encomendado aproximadamente dois mil drones Shahed iranianos para intensificar sua campanha de bombardeamentos contra a Ucrânia. A declaração foi feita durante uma conferência organizada pelo jornal israelita Haaretz, e representava uma escalada significativa nos ataques aéreos russos após uma série de derrotas militares terrestres desde setembro.

Os drones Shahed são veículos aéreos não-tripulados de natureza kamikaze, projetados para atingir alvos específicos e detonar no impacto. Segundo Zelensky, instrutores iranianos foram enviados para treinar as tropas russas no manuseio destes equipamentos antes de seu envio para o teatro de operações ucraniano. O presidente não esclareceu se o número de dois mil referia-se a uma nova encomenda ou ao total acumulado de drones iranianos adquiridos por Moscovo a Teerão, embora alguns já tivessem sido utilizados para atacar infraestruturas energéticas.

Vitaliy Kim, chefe da administração militar regional de Mykolaiv, confirmou que os russos utilizaram pela primeira vez drones Shahed-136 na linha da frente do sul ucraniano, não apenas contra alvos civis. Dois ataques com estes drones atingiram a aldeia de Shevchenkove, marcando uma mudança tática. Kim sugeriu que os russos, enfrentando dificuldades em avançar territorialmente, decidiram expandir o uso destes armas para operações na linha de frente.

Kyrylo Budanov, chefe da Direção Principal de Informações do Ministério de Defesa ucraniano, forneceu dados mais precisos sobre o desempenho destes ataques. Até 22 de outubro, as forças russas haviam utilizado aproximadamente 330 drones Shahed, dos quais 222 — cerca de 70% — foram abatidos pela defesa aérea ucraniana. Os restantes 30% conseguiram atingir seus objetivos ou caíram próximo deles. Budanov indicou que os drones encomendados ainda estavam sendo fabricados em lotes de aproximadamente 300 unidades, e que os russos estavam utilizando o segundo lote naquele momento.

A situação das reservas de mísseis russos apresentava um quadro diferente. Budanov revelou que as reservas de mísseis Iskander estavam críticas, com apenas 13% remanescentes. Os mísseis Kalibr-PL e Kalibr-NK possuíam cerca de 43% de suas reservas, enquanto os J-101 e J-555 mantinham aproximadamente 45%. O oficial ucraniano alertou que ficar abaixo de 30% de reservas é considerado perigoso, representando um nível de emergência. Enquanto a situação dos Iskander era crítica há algum tempo, os russos ainda tentavam manter os Kalibr e J-101/J-555 dentro de seus padrões operacionais.

Budanov também observou que embora as reservas de mísseis russos estivessem diminuindo rapidamente, o terrorismo aéreo utilizando drones Shahed poderia prolongar-se indefinidamente, uma vez que estes equipamentos ainda estavam em fase de fabricação. Esta perspectiva sugeria uma mudança na estratégia russa: compensar a escassez de mísseis convencionais com uma campanha sustentada de ataques com drones iranianos.

Desde o lançamento da invasão em 24 de fevereiro, a guerra havia deslocado mais de 13 milhões de pessoas — mais de seis milhões permanecendo deslocadas internamente e mais de 7,7 milhões fugindo para países europeus, segundo dados da ONU. A organização classificava esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Até aquele momento, a ONU havia confirmado 6.374 civis mortos e 9.776 feridos, embora reconhecesse que estes números estavam significativamente abaixo da realidade.

Decidiram que não estavam a conseguir chegar a lado nenhum e começaram a utilizá-los ao longo da linha da frente
— Vitaliy Kim, chefe da administração militar regional de Mykolaiv
O terrorismo com o uso de Shaheds pode durar realmente muito tempo
— Kyrylo Budanov, chefe da Direção Principal de Informações do Ministério de Defesa ucraniano
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