Ucrânia aceita participar em reunião técnica trilateral com EUA e Rússia, potencialmente nos Emirados Árabes Unidos no final de outubro. Alemanha compromete-se com 1.300 milhões de euros em ajuda energética e 8.500 milhões em acordos de cooperação em segurança e defesa.
Zelensky abre porta a reunião técnica trilateral e assina 8,5 mil milhões em acordos com Alemanha
Estamos abertos às negociações, mas aguardamos a resposta da Rússia
Porque é que Zelensky está agora aberto a uma reunião técnica trilateral? Isto representa uma mudança significativa na posição ucraniana?
Não é necessariamente uma mudança de posição. É mais um reconhecimento pragmático de que os canais de comunicação precisam de estar abertos. Os americanos têm estado a trabalhar nisto desde setembro, e Zelensky está a responder positivamente a essa mediação.
Mas precisamos de ser claros: ele disse que está aberto a uma reunião técnica. Não sabemos ainda se a Rússia vai aceitar. E "técnica" é uma palavra importante — pode significar conversas de baixo nível sem compromissos reais.
E quanto aos acordos com a Alemanha? 8.500 milhões de euros é um número grande. O que muda isso na realidade do terreno?
Muda bastante. Especialmente os 1.300 milhões para energia antes do inverno. Sem isso, a Ucrânia enfrenta um inverno muito difícil. E os acordos de cooperação sugerem que a Alemanha está a pensar a longo prazo, não apenas em ajuda de emergência.
Verdade, mas precisamos de notar que estes 8.500 milhões são em acordos de cooperação — não são todos dinheiro imediato. Alguns são projetos futuros, aquisições, coisas que podem levar tempo. O número é real, mas a forma como é distribuído ao longo do tempo importa.
A visita de Merz a Kiev, com as sirenes a soarem durante o encontro — isso não é um sinal de que a situação está a piorar?
Sim e não. As sirenes soam regularmente em Kiev. O facto de Merz estar lá, apesar disso, é o sinal importante. Mostra que a Alemanha está comprometida, mesmo com o risco.
E é também uma realidade que ambos os lados precisam de reconhecer. Não podes negociar a paz enquanto a guerra continua no terreno. Estes acordos de defesa e energia são, de certa forma, a Ucrânia a dizer: enquanto negociamos, precisamos de continuar a resistir.
El Pulso
- Reunião técnica trilateral proposta para final de outubro nos Emirados Árabes Unidos ou outro país
- Alemanha compromete 1.300 milhões de euros em ajuda energética antes do inverno
- 15 acordos de cooperação em segurança e defesa avaliados em 8.500 milhões de euros
- Primeira visita de Merz como chanceler a Kiev em formato bilateral
Ucrânia aceita participar em reunião técnica trilateral com EUA e Rússia, potencialmente nos Emirados Árabes Unidos no final de outubro. Alemanha compromete-se com 1.300 milhões de euros em ajuda energética e 8.500 milhões em acordos de cooperação em segurança e defesa.
Zelensky confirma abertura para reunião técnica trilateral com EUA e Rússia em outubro, enquanto assina acordos de 8.500 milhões de euros com a Alemanha para defesa e energia.
Volodymyr Zelensky confirmou no domingo, 4 de outubro, que a Ucrânia está disposta a participar numa reunião técnica trilateral com os Estados Unidos e a Rússia, potencialmente agendada para o final de outubro nos Emirados Árabes Unidos ou noutro local a ser sugerido pelos americanos. O anúncio foi feito durante uma conferência de imprensa em Kiev, ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz, numa altura em que as tentativas de mediação americana ganham novo impulso após meses de negociações sem progressos tangíveis.
A proposta surge no contexto de esforços renovados da Casa Branca para retomar conversações entre as partes em conflito. Em setembro, os enviados presidenciais Jared Kushner e Steve Witkoff, que coordenam as negociações para encerrar a guerra, visitaram Kiev após passarem por Moscovo, mas esse encontro terminou sem avanços significativos. Agora, com a confirmação ucraniana de abertura a um formato técnico, existe uma nova janela diplomática, embora Zelensky tenha deixado claro que aguarda a resposta da Rússia antes de qualquer movimento concreto.
Paralelamente à abertura diplomática, o presidente ucraniano e Merz assinaram um pacote substancial de apoio durante a visita do chanceler a Kiev. O acordo inclui 1.300 milhões de euros destinados especificamente ao setor energético ucraniano antes da chegada do inverno, um período crítico quando a infraestrutura energética do país enfrenta pressão extrema dos ataques russos. Além desta ajuda direta, foram assinados 15 acordos e documentos de cooperação abrangendo segurança, produção, aquisições e projetos conjuntos, com um valor total avaliado em 8.500 milhões de euros.
A visita de Merz a Kiev foi marcada pela presença constante da ameaça militar russa. As sirenes de alerta soaram durante o encontro bilateral, um lembrete tangível da realidade da guerra que continua a moldar cada movimento diplomático e cada decisão de investimento. Apesar do contexto de insegurança, Zelensky descreveu o encontro como "muito produtivo" e utilizou a ocasião para agradecer publicamente o apoio alemão e europeu, enfatizando a importância da ajuda para proteger vidas ucranianas.
Esta visita marca a primeira vez que Merz comparece a Kiev como chanceler numa cimeira bilateral. Anteriormente, em maio de 2024, o líder alemão tinha visitado a capital ucraniana acompanhado pelo presidente francês Emmanuel Macron, pelo então primeiro-ministro britânico Keir Starmer e pelo homólogo polaco Donald Tusk. A repetição da visita, agora em formato bilateral, sublinha a importância que a Alemanha atribui à relação com a Ucrânia e ao seu papel no apoio militar e económico ao país.
Os acordos assinados refletem uma estratégia dupla: enquanto a diplomacia técnica tenta abrir caminhos para negociações, o apoio material continua a ser reforçado. A ênfase na defesa antiaérea e na energia revela as prioridades imediatas da Ucrânia — proteger a população dos ataques aéreos e manter os serviços essenciais funcionando durante o inverno. O pacote alemão de 8.500 milhões de euros em acordos de cooperação sugere um compromisso de longo prazo que vai além da ajuda humanitária ou militar de curto prazo, incluindo projetos de reconstrução e modernização industrial.
A abertura de Zelensky a uma reunião técnica trilateral não representa uma mudança na posição ucraniana quanto aos objetivos finais da guerra, mas sim um reconhecimento pragmático de que canais de comunicação precisam de ser mantidos abertos. A Ucrânia continua a depender do apoio ocidental — particularmente da Alemanha, que é agora um dos seus principais fornecedores de defesa — enquanto navega as complexidades de uma possível negociação com a Rússia. O resultado desta reunião técnica, se vier a acontecer, poderá determinar se existe qualquer base comum para conversações mais substantivas nos próximos meses.
Citas Notables
O lado americano está em contacto com a Ucrânia e a Rússia e propõe uma reunião trilateral em formato técnico no final de outubro. Confirmei-o ontem. Estamos abertos.— Volodymyr Zelensky, presidente ucraniano
Um encontro muito produtivo— Volodymyr Zelensky, sobre a reunião com Friedrich Merz