Yellen chega à China em missão de diálogo em meio a tensões econômicas

Especialmente se houver coisas sobre as quais podemos discordar, é ainda mais importante que estejamos conversando
Funcionário americano explicando a importância da visita de Yellen a Pequim, apesar das tensões.
Mark

Por que Yellen viaja para a China agora, se ambos os lados já admitem que não esperam grandes avanços?

Mimi

Porque deixar de conversar é pior. Quando duas economias dessa escala se afastam completamente, o risco não é apenas econômico — é sistêmico. Yellen está ali para manter as portas abertas, mesmo que apenas uma fresta.

Mark

Mas o que ela espera conquistar em quatro dias?

Mimi

Não é sobre conquistar. É sobre sinalizar. Que os EUA não querem uma ruptura total. Que há questões — transparência, dívida internacional, práticas comerciais — que precisam ser discutidas. E que há consequências se a China cruzar certas linhas, como ajudar a Rússia.

Mark

Os chineses parecem desconfiados. Por quê?

Mimi

Porque Yellen, meses antes, deixou claro que segurança nacional vem em primeiro lugar para os EUA. Isso soa como um aviso: não importa quanto comércio tenhamos, se vocês fizerem algo que ameace nossa segurança, nós agiremos. Para Pequim, isso é uma mudança de prioridades que não é reconfortante.

Mark

Então essa visita é mais simbólica que prática?

Mimi

Sim e não. Simbolicamente, ela diz que o diálogo continua. Praticamente, ela tenta estabelecer regras do jogo — o que é aceitável, o que não é, onde os limites estão. É diplomacia econômica em tempos de desconfiança mútua.

Mark

E se nada mudar depois dessa visita?

Mimi

Então pelo menos ambos os lados saberão exatamente onde o outro está. Às vezes, clareza é o melhor que se pode esperar.

  • A chegada discreta de Yellen a Pequim refletia o tom da missão: sem fanfarra, sem grandes promessas — apenas a urgência de não deixar o diálogo econômico entre EUA e China se romper completamente.
  • O ceticismo chinês era palpável antes mesmo do primeiro aperto de mão, alimentado por um discurso de Yellen em abril que colocou segurança nacional americana acima de qualquer parceria comercial com Pequim.
  • Na mesa de negociações, Washington trazia uma lista de queixas concretas: práticas comerciais consideradas injustas, barreiras ao mercado, a nova lei de espionagem chinesa e o risco de Pequim fornecer apoio à Rússia.
  • O objetivo real da visita era mais modesto do que qualquer manchete sugeria — criar linhas de comunicação econômica e sinalizar que os EUA não desejam uma ruptura total com a economia chinesa.
  • A visita de Yellen chegava como continuação da diplomacia de Blinken, numa tentativa de provar que rivalidade e diálogo podem coexistir — mesmo enquanto os militares dos dois países se recusam a conversar.

Numa noite de tempestade em Pequim, Janet Yellen pousou carregando o peso das contradições que definem a relação entre Washington e Pequim: a necessidade de diálogo e a desconfiança mútua que o torna difícil. A visita da secretária do Tesouro americano à China não prometia acordos históricos, mas algo talvez mais necessário — manter os canais abertos entre as duas maiores economias do mundo num momento em que segurança nacional e interesses comerciais se entrelaçam de forma cada vez mais inextricável. É o reconhecimento de que, mesmo entre rivais, o silêncio custa mais do que a conversa.

Janet Yellen desembarcou em Pequim numa quinta-feira à noite, logo após uma tempestade varrer a capital chinesa. A recepção foi sóbria — um representante do Ministério das Finanças chinês e o embaixador americano Nicholas Burns a aguardavam na pista. Era o começo de quatro dias que ninguém, nem americanos nem chineses, esperava que fossem fáceis.

O ceticismo era bilateral. Meses antes, Yellen havia deixado claro em um discurso que a segurança nacional americana seria a bússola de qualquer política econômica com a China. Analistas chineses ouvidos pela mídia estatal disseram que aquelas palavras não inspiravam confiança. Mesmo assim, um funcionário americano que acompanhava a secretária resumiu bem a lógica da viagem: "Especialmente quando há coisas sobre as quais discordamos, é ainda mais importante que estejamos conversando".

A agenda era densa. Yellen pretendia confrontar Pequim sobre práticas comerciais consideradas injustas, barreiras ao mercado, a opaca nova lei de espionagem chinesa e a possibilidade de a China estar fornecendo apoio à Rússia — acusação que Pequim rejeitava. Na sexta-feira, ela se reuniria com o primeiro-ministro Li Qiang e com Liu He, ex-czar econômico e homem de confiança de Xi Jinping.

Mas o que Washington realmente buscava não era um grande acordo. Era algo mais modesto e, talvez por isso, mais honesto: abrir novas linhas de comunicação, evitar uma dissociação econômica total e manter os canais abertos mesmo diante de diferenças que pareciam intransponíveis. A visita chegava semanas após a de Blinken, que havia obtido de Xi o reconhecimento de que a rivalidade entre os dois países não deveria virar conflito. Agora cabia à economia tentar avançar onde a diplomacia tradicional havia chegado ao seu limite.

Janet Yellen desceu do avião em Pequim numa quinta-feira à noite, logo após uma tempestade passar pela capital chinesa. A secretária do Tesouro dos Estados Unidos iniciava ali uma jornada de quatro dias que prometia ser tudo menos simples: tentar aproximar as duas maiores economias do planeta num momento em que ambas colocam a segurança nacional acima de qualquer interesse comercial. Sua recepção foi discreta — uma autoridade do Ministério das Finanças chinês e Nicholas Burns, o enviado americano, a esperavam na pista.

O ceticismo pairava no ar. Tanto Washington quanto Pequim já haviam sinalizado que não esperavam grandes avanços. Os chineses, em particular, olhavam com desconfiança para a visita. Meses antes, Yellen havia proferido um discurso em abril que deixou claro: a prioridade dos Estados Unidos era garantir seus interesses de segurança nacional e os de seus aliados, e isso seria a base de qualquer política econômica com a China. Analistas chineses disseram à mídia estatal que aquelas palavras não inspiravam otimismo.

Mesmo assim, havia razões para estar ali. Um funcionário americano que viajava com Yellen explicou na chegada: "Especialmente se houver coisas sobre as quais podemos discordar, é ainda mais importante que estejamos conversando". A agenda era clara. Yellen pretendia abordar o que Washington via como práticas comerciais injustas — ações punitivas recentes contra empresas americanas, barreiras de acesso ao mercado chinês. Ela também pressionaria por maior transparência sobre a nova lei de espionagem de Pequim e exigiria progresso na resolução de problemas de dívida internacional.

Na sexta-feira, Yellen se encontraria com o primeiro-ministro Li Qiang e com Liu He, o ex-czar da economia chinesa amplamente considerado um confidente próximo do presidente Xi Jinping. Esses encontros seriam o coração da visita. Mas havia outro tema pairando sobre tudo: a Rússia. Os Estados Unidos queriam deixar claro que havia consequências se a China fornecesse ajuda letal a Moscou — uma acusação que Pequim rejeitava veementemente.

O que Washington buscava, em última análise, não era um grande acordo. Era mais modesto e, talvez por isso, mais realista: abrir novas linhas de comunicação e coordenação em questões econômicas. Enfatizar que os Estados Unidos não apoiavam uma dissociação econômica completa com a China. Manter os canais abertos mesmo quando as diferenças pareciam intransponíveis. A visita de Yellen chegava semanas após a do secretário de Estado Antony Blinken, que havia concordado com Xi Jinping que a rivalidade entre os dois países não deveria se transformar em conflito — um acordo frágil, considerando que as conversas entre os militares americano e chinês estavam congeladas. Agora era a vez da economia tentar fazer o que a diplomacia tradicional não conseguia.

Especialmente se houver coisas sobre as quais podemos discordar, é ainda mais importante que estejamos conversando
— Funcionário dos EUA que viaja com Yellen
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