Xuxa brinca com críticas sobre maiô cavado: 'A virilha é minha, mostro se quiser'

A virilha é minha, mostro se eu quiser
Xuxa responde críticas sobre seu figurino na turnê de despedida, recusando-se a pedir desculpas pelo seu corpo.
Mark

Por que você acha que essa crítica ao maiô cavado ganhou tanta força agora, nesse momento da sua carreira?

Mimi

Porque as pessoas não estão acostumadas a ver uma mulher de 63 anos se movendo daquele jeito, com aquela liberdade. Se fosse um homem da minha idade fazendo exatamente a mesma coisa, ninguém estaria tendo essa conversa.

Mark

Mas você poderia ter escolhido um figurino diferente para evitar a polêmica.

Mimi

Poderia, sim. Mas por que eu deveria? Essa é a questão real. Por que uma mulher tem que se fazer menor, se cobrir mais, se comportar de forma mais contida só porque envelheceu?

Mark

Você mencionou Ney Matogrosso. Acha que ele recebe críticas parecidas?

Mimi

Nunca. Ele usa as mesmas roupas, mostra o corpo, dança. E as pessoas celebram. Chamam de ousadia, de liberdade artística. Quando eu faço, sou ridícula. É a mesma ação, contextos diferentes, julgamentos completamente diferentes.

Mark

Então você vê isso como um problema maior do que apenas moda ou gosto pessoal?

Mimi

Claro. Isso é etarismo e machismo funcionando juntos. As mulheres sofrem muito com isso. A gente envelhece e de repente tem que desaparecer, ficar invisível. Eu não vou fazer isso.

Mark

E as pessoas que genuinamente não gostaram do figurino?

Mimi

Tudo bem não gostar. Mas tem uma diferença entre não gostar e vir criticar, vir dizer que é ridículo. Se você não gosta, você não assiste. Simples assim.

  • A escolha de figurino de Xuxa na turnê O Último Voo da Nave gerou uma onda de críticas nas redes, colocando o corpo de uma mulher de 63 anos no centro de um julgamento público.
  • Em vez de se esquivar, ela levou a polêmica ao vivo no Domingão e a transformou em piada — usando exatamente a palavra que seus críticos queriam usar contra ela.
  • Xuxa apontou o duplo padrão com precisão cirúrgica: Ney Matogrosso exibe o corpo e dança sem ser chamado de ridículo, enquanto mulheres enfrentam escrutínio implacável pelo mesmo gesto.
  • Ela nomeou explicitamente as forças em jogo — etarismo e machismo — recusando reduzir a discussão a uma simples questão de gosto ou decoro.
  • A artista encerrou com uma declaração que funcionou como manifesto: o corpo é seu, a escolha é sua, e a obsessão alheia diz mais sobre quem critica do que sobre ela.

Aos 63 anos, Xuxa subiu ao palco do Domingão não apenas para cantar, mas para nomear forças invisíveis que ainda ditam como mulheres podem envelhecer em público. Diante das críticas ao maiô cavado de sua turnê de despedida, ela não recuou — transformou o incômodo alheio em espelho, revelando como etarismo e machismo operam juntos para silenciar corpos femininos que se recusam a desaparecer.

Xuxa foi ao Domingão com Luciano Huck para celebrar seus maiores sucessos, mas a apresentação carregava um peso extra. Nos dias anteriores, ela havia se tornado alvo de críticas pelo maiô cavado usado na turnê de despedida O Último Voo da Nave. Em vez de ignorar a polêmica, ela a enfrentou ao vivo — com humor afiado. Ao falar sobre a emoção de lotar um estádio, disse que o show mexia com ela de formas profundas: com o útero, com a alma, com a virilha. A frase era uma resposta cifrada: se queriam falar sobre aquela parte do corpo, ela também falaria, mas nos seus próprios termos.

A brincadeira, porém, abria caminho para algo mais sério. Xuxa explicou que fez o show para quem a ama, e que não esperava que detratores fossem assistir — mas pediu que, ao menos, ficassem em silêncio. O problema não era a crítica em si, mas a insistência de quem não era seu público em se manifestar contra suas escolhas.

O ponto central veio quando ela comparou sua situação com a de Ney Matogrosso: um homem que exibe o corpo e dança é visto como artista; uma mulher que faz o mesmo é chamada de ridícula. Xuxa nomeou sem rodeios o que estava em jogo — etarismo e machismo operando juntos sobre o corpo de uma mulher de 63 anos que se recusa a se comportar conforme as expectativas sociais.

Ela encerrou com uma frase que soou como manifesto: a virilha é minha, mostro se eu quiser. E devolveu o desconforto a quem o gerou, observando que a obsessão alheia com seu corpo revelava mais sobre os críticos do que sobre ela. O que poderia ter sido um momento de constrangimento tornou-se uma conversa pública sobre liberdade corporal, envelhecimento e os padrões duplos que ainda governam quem pode ocupar espaço — e como.

Xuxa subiu ao palco do Domingão com Huck no domingo passado para cantar seus maiores sucessos, mas a apresentação trouxe consigo mais do que música. Nos últimos dias, a artista havia virado alvo de comentários críticos por sua escolha de figurino na turnê de despedida O Último Voo da Nave — um maiô cavado que deixava a virilha à mostra. No programa ao vivo, ela decidiu enfrentar a polêmica de frente, mas com humor.

Ao conversar com Luciano Huck sobre a experiência de lotar um estádio novamente, Xuxa transformou a crítica em brincadeira. Disse que durante o show só pensava em levar alegria, e que aquela sensação de conexão com o público mexia com ela de forma profunda — mexia com o útero, com a alma, com a virilha, completou com um sorriso. A frase funcionou como resposta cifrada: se queriam falar sobre aquela parte do corpo, ela falaria também, mas nos seus termos.

Mas a artista não parou na brincadeira. Ela explicou sua visão sobre quem a critica. Fez o show para quem gosta dela, argumentou. Não sabia que quem não gostava também iria assistir. Críticas de detratores eram esperadas, mas pediu que pelo menos ficassem em silêncio. Havia uma lógica clara em sua fala: o show não era para todos, e tudo bem. O problema era quando pessoas que não eram seu público decidiam se manifestar contra suas escolhas.

O cerne da questão, porém, estava em outro lugar. Xuxa apontou para algo que chamou de etarismo muito forte. Aos 63 anos, ela é vista como uma senhora, e há uma expectativa social sobre como uma mulher nessa faixa etária deveria se comportar e se vestir. Ela comparou sua situação com a de Ney Matogrosso, que usa roupas semelhantes, mostra o corpo e dança sem receber o mesmo tipo de crítica. A diferença, ela observou, está na imagem: quando um homem dança e exibe o corpo, é visto como artista. Quando uma mulher faz o mesmo, é chamada de ridícula.

Xuxa nomeou explicitamente o que estava em jogo: machismo e etarismo operando juntos. As pessoas sofrem muito com essas duas forças, disse ela, e sua situação era apenas um reflexo disso. Homens não são chamados de ridículos por envelhecer e continuar dançando. Mulheres são. Essa dupla moral a incomodava mais do que qualquer crítica específica sobre seu figurino.

Ela encerrou com uma declaração que funcionava como manifesto pessoal: a virilha é minha, mostro se eu quiser. E completou com uma observação que deslocava o foco das críticas de volta para quem as fazia. As pessoas estão muito incomodadas com a bunda dos outros e esquecem de olhar para as suas. Era uma forma de dizer que a obsessão alheia com seu corpo revelava mais sobre os críticos do que sobre ela.

A apresentação no Domingão transformou o que poderia ter sido apenas um momento de constrangimento em uma conversa sobre liberdade corporal, envelhecimento e os padrões duplos que ainda governam como homens e mulheres podem ocupar espaço público. Xuxa não pediu desculpas por sua roupa ou por seu corpo. Em vez disso, questionou por que as pessoas esperavam que ela pedisse.

Só pensava em levar alegria. Sentir isso é um negócio absurdo, mexe com o útero da gente, com a alma, com a virilha
— Xuxa, ao Domingão com Huck
É uma coisa de etarismo muito forte. A gente vê o Ney Matogrosso com as mesmas roupas, mostrando o corpo e dançando. Ninguém fala nada porque é a imagem de um homem dançando
— Xuxa, explicando a dupla moral
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